Índios não acreditam na suspeita de envolvimento da tia em morte de menina xavante

Brasília - O líder indígena Hiparidi Top' tiro diz que não faz parte da cultura xavante matar pessoas com deficiência física.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Redação TVCA
29/6/2008 - 13:39:00
A equipe de reportagem do site da TV Centro América conversou há pouco com indígenas da região de Campinápolis (658 quilômetros distante de Cuiabá), onde morava a adolescente xavante Jaiya Pewewiio Tfiruipi Xavante (16). Ela morreu em Braslia, na quarta-feira (25) em circunstâncias que ainda não foram totalmente esclarecidas pela polícia.
Toda a aldeia ainda está de luto. O choro pela morte da menina deve durar uma semana, de acordo com informações que vieram da aldeia. Nem mesmo o chefe da Fundação Nacional do índio - Funai - em Campinápolis, Adriano Tfererawawau Xavante, foi à aldeia acompanhar o enterro da sobrinha. Ele explicou que este é um momento de muita tristeza para toda a aldeia, que possui aproximadamente 400 índios. "É um momento de profunda tristeza, os índios estão recolhidos e de luto. Este é um momento só deles. Não posso interferir nessa hora. É só choro que está acontecendo lá. Talvez, na semana que vem eu irei visitá-los e conversar com eles", comentou Adriano.
A informação que veio da aldeia é que os índios não estão acreditando na informação divulgada desde ontem, onde Imaculada Conceição, tia da adolescente aparece como suspeita do crime. Imaculada é uma das três irmãs casadas com Pedro Tfiruipi Xavante, o pai da adolescente morta. Os índios já conversaram com a mãe e a tia da menina, e também já ouviram uma testemunha. Essa testemunha seria uma enfermeira indígena que também estava na Casa de Saúde Indígena - Casai, em Brasília, no mesmo quarto em que estavam Jaiya, a mãe dela e a tia. As duas cuidavam da menina em Brasília.
Uma das unidades da Casa de Saúde do índio, onde morava a jovem indígena que morreu no dia (25) no Hospital Universitário de Brasília (HUB) - Antônio Cruz/ABr.
A enfermeira, que também é xavante, teria contado aos índios que não viu nada de anormal na Casai. Todas as mulheres índias estavam juntas o tempo todo, não havia homens no local, e que não foi observada qualquer violência contra a menina. Para os índios, até o momento, a suspeita sobre a tia não procede.
Na semana que vem as famílias devem se reunir na aldeia para conversar e tentar entender o que aconteceu em Braslia. As famílias de xavantes são constituídas por integrantes de dois clãs: Os owawe, que significa rio, e os porezaono, que quer dizer girino. Os casamentos são formados por uma mistura entre os dois clãs. O costume que vem dos antepassados tem como objetivo proporcionar estabilidade e entendimento na aldeia. Por isso, todos os problemas são resolvidos durante as reuniões. Como os dois clãs estão ligados por laços familiares entre mulheres, maridos, genros, tios, avós e avôs, acabam buscando o entendimento quando há um atrito na aldeia. Os mais velhos são os líderes, responsáveis por encaminhar o diálogo, formalizar o acordo e cobrar de cada um a sua responsabilidade diante do que ficou acordado.
No caso da menina Jaiya, a mãe é do clã owawe e o pai porezaono. Essa mistura de clãs também está ligada ao ritual funeral. Integrantes de um clã não enterram os mortos do mesmo clã. O enterro é realizado pelo outro clã. No caso da Jaiya, o pai não fez o enterro. Essa tarefa ficou para homens do clã oposto ao do pai. Eles fizeram a sepultura, enterraram o corpo e agora atuam no papel de confortar a família durante esta semana de luto. A cruz na sepultura também será colocada pelo clã oposto ao do pai, nesta semana.
O mistério que envolve a morte da menina
Vítima de meningite na infância, a menina ficou com seqüelas neurológicas que a deixaram muda e paralítica (locomovia-se em cadeira de rodas). Desde o mês de maio ela estava na capital federal, onde hospedava na Casa de Saúde do Índio - Casai, localizada perto da cidade do Gama (DF). O tratamento era feito no Hospital Sarah Kubitschek. A polícia tenta esclarecer os motivos e descobrir o suspeito da morte da adolescente, que ocorreu na quarta-feira (25).
A menina foi levada com fortes dores abdominais para o Hospital Universitário de Brasília. Após ser atendida pelos médicos, foi submetida a uma cirurgia, mas sofreu duas paradas cardíacas durante o procedimento. De acordo com os médicos e também a polícia, que já começou as investigações, a adolescente foi vítima de abuso sexual. Um objeto introduzido nela teria perfurado vários órgos internos, provocando uma infeção generalizada.
Este é o grande desafio das investigações. Identificar quem foi o autor do crime, os motivos de tamanha crueldade contra uma adolescente deficiente e em que local ocorreu, já que os índios teriam dúvidas sobre o que aconteceu na Casai.
Índia xavante morta em Brasília é enterrada no interior de MT
Redação TVCA
28/06/ as 14:02:00 hs
O enterro do corpo da índia xavante, que morreu na quarta-feira (25), em Brasília, após duas paradas cardíacas, ocorreu neste sábado, às 11h, na cidade de Campinápolis (658 quilômetros de Cuiabá). Tia da menina é apontada como suspeita de cometer o crime.
A adolescente Jaira Xavante foi enterrada na aldeia São Pedro, onde ela morava. A aldeia está localizada a 70 quilômetros do município. Aproximadamente 400 índios moram no local.
"A menina era muito querida na aldeia. Os irmãos dela, os pais, familiares e toda a aldeia está muito triste", explicou o coordenador do escritório da Funai, em Campinápolis, Adriano Tfererawawau, que é tio da moça.
Adriano também informou que o pai da menina, Pedro Tfiruipi Xavante, e a mãe dela, Carmelita Xavante ainda não decidiram quando e onde irão prestar depoimento sobre o caso.
Jaira Xavante morreu após duas paradas cardíacas durante cirurgia no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Ela estava na capital federal desde o dia 28 de maio para tratamento médico. A menina tinha lesão neurológica, seqüela de uma meningite que sofreu na infância.
A jovem foi encaminhada às pressas para o hospital após suspeita de ter sofrido violência sexual. A suspeita é de que o crime ocorreu na Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai), em Brasília, onde a menina estava hospedada para tratamento de saúde na companhia da mãe, da tia e de uma irmã.
No fim da noite de ontem, pórem, um elemento novo surgiu. Uma fonte da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) informou à TV Brasil - televisão pública do Governo Federal - que a adolescente foi morta pela própria tia Maria Imaculada Xavante.
Maria Imaculada é uma das três irmãs casadas com o pai de Jaiya. Num acesso de ciúme do marido, ela empalou a jovem, ou seja, introduziu um vergalhão de ferro de aproximadamente 40 centímetros no órgão sexual da sobrinha. A informação já é do conhecimento da Polícia Civil, que investigava o crime antes que a Polícia Federal assumisse ontem o caso.
A autora do crime é inimputável por ser índia.Ou seja: não poderá ser presa e processada, de acordo com a fonte da Funasa que deu a informação à TV Brasil.
Postagem de Kassu/AGUABOANEWS

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