Prefeitos são 138 vezes mais ricos que população
Números absolutos mostram que recursos financeiros são fundamentais para se eleger
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem/Diário de Cuiabá
O valor médio do patrimônio pessoal dos prefeitos eleitos em Mato Grosso é 138 vezes maior que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do mato-grossense. A análise da declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral comprova em Mato Grosso o senso comum de que o Poder dá acesso livre – ou quase – aos mais abastados.
Os 141 prefeitos eleitos acumulam juntos o extraordinário montante em patrimônio pessoal de R$ 256.479.894,41. Dividido pelo número de prefeitos, o bolo resulta na média de R$ 1.819.006,34. Fatia mais de uma centena de vezes maior que a renda per capita do mato-grossense, de R$ 13.124,63.
O comparativo considera os bens declarados pelos então postulantes a prefeito, no ato de registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, divulgados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Do outro lado, a análise considera a última amostragem do PIB de Mato Grosso divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento do instituto, a soma de riquezas geradas no Estado totalizou mais de R$ 37 bilhões em 2005, última parcial divulgada. Considerando a população regional de 2,854 milhões de pessoas, chega-se ao PIB per capita de R$ 13.124,63, o que corresponde a apenas 0,7% do patrimônio médio dos prefeitos eleitos este ano.
Entre os detentores do poder político nas diversas localidades do Estado, o prefeito reeleito de Lucas do Rio Verde (354 km de Cuiabá), Marino Franz (PPS), é o campeão no ranking do patrimônio pessoal declarado. Dono de um verdadeiro império de negócios na área agropecuária, sozinho ele concentra bens que chegam às cifras de R$ 46.825.973,89. Para se ter uma idéia, Marino Franz responde sozinho por 18,25% do montante arrebanhado pelo conjunto de prefeitos eleitos.
O fantástico patrimônio do prefeito de Lucas também leva a outras equações igualmente surpreendentes. O patrimônio do político-empresário é mais de 3,5 mil vezes superior à renda per capita do mato-grossense “comum”. Marino é dono da Fiagril, empresa que atua no ramo de venda de insumos agrícolas. A lista de bens também inclui cotas em outras empresas, uma série de veículos, carretas, máquinas agrícolas, fazendas e lotes urbanos, entre outros itens, tanto em Lucas quanto em alguns municípios próximos.
Mesmo se a conta for feita sem considerar Marino Franz, ainda assim a renda per capita dos prefeitos eleitos é de R$ 1.497.528, ou 114 vezes maior que a renda média do mato-grossense.
Tantos bens e dinheiro revelam que o abismo também existe entre os próprios prefeitos eleitos. O “primo pobre” da lista é Edison Rosso, prefeito eleito de Tabaporã pelo PT, município localizado a 643 km da Capital. Ele declarou o menor patrimônio individual entre os 141 eleitos - R$ 734,76. A quantia envolve cinco lotes na região de Saltinho do Oeste, no Paraná, Estado de origem de Rosso.
Num resultado final bem menos luxuoso, os cálculos apontam que os R$ 734,76 do eleito em Tabaporã contribui com pífio 0,0003% ao universo do patrimônio dos 141 prefeitos. Para atingir o PIB per capita dos mato-grossenses, o patrimônio pessoal teria de ser multiplicado por 17 vezes para atingir a marca de pouco mais de R$ 13 mil.

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