sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Brasil e França assinam acordo de defesa de US$12 bi

Por Stuart Grudgings e Yann Le Guernigou

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Brasil e França assinaram na terça-feira acordos na área de defesa, possivelmente no valor de 8,6 bilhões de euros (12 bilhões de dólares), que incluem a transferência de tecnologia para que o Brasil possa desenvolver sua indústria bélica e eventualmente fabricar o primeiro submarino nuclear da América Latina.

Uma fonte na delegação do presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que o acordo envolve a produção de 50 helicópteros e quatro submarinos convencionais, no valor de 8,6 bilhões de euros. As autoridades brasileiras não confirmaram a cifra.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou o acordo, assinado por ele e Sarkozy no Rio, como reflexo do status do Brasil como potência emergente. Lula afirmou que os helicópteros e submarinos permitirão que o país proteja melhor os seus recursos.

Na semana passada, Lula apresentou um novo plano estratégico de defesa que transfere a prioridade da vigilância da Amazônia para a proteção das recém-descobertas reservas de petróleo.

"Não é a capacidade de atacar quem quer que seja, mas a força militar para a autodefesa", disse Lula em entrevista coletiva com Sarkozy no hotel Copacabana Palace. "Precisamos ser claros de que dar importância às Forças Armadas tem tudo a ver com o Brasil obter know-how tecnológico, e isso é exatamente o que a França está nos oferecendo", disse Lula.

O Brasil certamente está atento aos gastos militares de seus vizinhos, como a Venezuela, que vem adquirindo muitas armas e aviões da Rússia. Mas analistas dizem que o principal interesse do Brasil é a tecnologia que obterá da França e a ampliação do seu alcance militar.

"Eles (os brasileiros) estão finalmente percebendo que são a superpotência regional", disse Peter Zeihan, vice-presidente de análises da consultoria texana de geopolítica Stratford.

"A única parte do programa em que vemos uma aplicabilidade imediata é a compra de helicópteros (...). Tudo o mais, particularmente o submarino, tem a ver com o começo da construção de uma capacidade industrial nativa."

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