quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

David tem pressa para levar Sean Goldman aos EUA

Enviado por Lucas R.
Edição: Meider Leister


O Supremo Tribunal Federal decidiu, ontem à noite, que o menino deve ser entregue ao pai biológico, que mora nos Estados Unidos. A determinação é do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes.

A decisão desta terça-feira revoga a liminar que a família brasileira de Sean tinha conseguido, na semana passada, para manter o menino no Brasil.

Antes de saber da decisão da Justiça, a avó de Sean, Silvana Bianchi, escreveu uma carta ao presidente Lula.

Ela afirma que o menino, que é brasileiro nato, se tornou alvo de uma campanha internacional de níveis inacreditáveis. Diz ainda que tem formação que valoriza o papel da mãe e na ausência dela, a criação do neto é responsabilidade da avó. Alega que Sean quer permanecer entre aqueles que lhe deram conforto com a morte da mãe. Ela conclui a carta pedindo que o presidente Lula conceda uma audiência à família, em que ela entregará manifestações escritas por Sean dirigidas ao presidente.

Pai e filho estão separados há cinco anos, quando a mãe, Bruna Bianchi, veio para o Brasil, trouxe o menino e não voltou mais para os Estados Unidos. Aqui, ela se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva. Bruna morreu no ano passado, logo após dar à luz uma menina. Na época, a Justiça deu a guarda provisória do menino ao padrasto.

Desde que chegou ao Brasil, David Goldman, o pai biológico de Sean, está hospedado em um hotel, em Copacabana, desde a sexta-feira passada. Ele esteve sempre acompanhado por um deputado federal americano e recebeu visitas frequentes de funcionários do consulado dos Estados Unidos.

Depois da decisão, ele não saiu do hotel para falar sobre o caso, mas deu entrevista a uma emissora de TV americana no quarto. Havia jornalistas também na porta da casa da avó de Sean, mas ninguém deu entrevistas.

Na decisão, o ministro Gilmar Mendes cita a Convenção de Haia que determina que, quando uma criança é levada para outro país sem autorização do pai e da mãe, ela deve retornar imediatamente ao país em que vivia, onde será decidido a guarda da criança. Ele ressalta que o Brasil é signatário da convenção.

Sobre o pedido da família de que o menino seja ouvido, o ministro Gilmar Mendes cita na decisão de ontem que há um laudo pericial que concluiu que Sean não tem maturidade para se pronunciar sobre o caso. Ou seja, ele não pode opinar sobre com quem vai ficar.

O pai do menino Sean, David Goldman, ainda não se manifestou. Funcionários da embaixada americana dizem que David está ansioso e que há a possibilidade de que ele volte aos Estados Unidos ainda hoje. O americano não deve dar entrevista coletiva. Quer evitar a imprensa nesse momento delicado.

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