Pássaro careca descoberto no Laos é a primeira nova espécie de ave canora registrada na Ásia nos últimos 100 anos
Um pássaro “careca” descoberto no Laos é a primeira nova espécie de ave canora (que canta) registrada na Ásia nos últimos 100 anos, informou a Wildlife Conservation Society (WCS). O pássaro, que tem a "cabeça careca", foi identificado por cientistas da WCS e da Universidade de Melbourne. A descoberta foi publicada na edição de julho da revista “Forktail”, especializada em pássaros orientais. Para ler o estudo descritivo completo (em inglês), clique aqui .
"Este estudo descreve uma nova espécie canora asiática pela primeira vez em 100 anos", escreveram os cientistas, que viram o animal pela primeira vez em picos rochosos da província de Savannakhet, no Laos, no fim do ano passado.
A ave, batizada de Búlbulo de Cara Pelada (o nome científico é Pycnonotus hualon), não é completamente careca, mas apresenta uma fina linha de penas parecidas com cabelo no centro da parte superior da cabeça – um "topete". Além disso, seu rosto cor-de-rosa não tem penas, e seus olhos são rodeados por uma coloração azul, descreve a WCS.
"Sua aparente preferência por hábitats inóspitos ajuda a explicar porque um pássaro tão extraordinário, de hábitos notáveis e canto distinto permaneceu desconhecido por tanto tempo", avaliou Iain Woxvold, cientista da Universidade de Melbourne que integrava a equipe de pesquisadores responsável pela descoberta.
"Localizar uma nova espécie de pássaro é muito raro hoje em dia”, comemorou Peter Clyne, diretor assistente de Programas Asiáticos da WCS. O projeto foi financiado por uma mineradora, a Minerals and Metals Group.
O Núcleo de Policiamento Especializado, através do Centro de Educação Ambiental, fará nesta sexta-feira vistoria técnica ao longo do Rio Cuiabá para é levantar e mapear os possíveis pontos onde são praticadas pesca predatória. O trabalho será feito a pedido da Ong Comzoo. A ação contara com a participação de professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), alunos da Universidade de Mato Grosso (Unemat) de Tangará da Serra e policiais ambientais.
Existe denúncia de que há vários pontos ao longo do rio onde se pratica a pesca ilegal, Estes pontos são denominados de “lances”. O mapeamento será utilizado em futuras operações de combates a pesca predatória na Baixada Cuiabana. Segundo o presidente da Comzoo, Marcio Figueiredo, é necessário conversar com ribeirinhos sobre a questão e indicar os problemas que a prática predatória vem causando em prejuízos ao estoque pesqueiro da região.
A pesca predatória ao longo do Rio Cuiabá já foi objeto de ampla pesquisa, realizada pelo Departamento de Geografia da UFMT. O estudo confirmou que a bacia do Rio Paraguai e, consequentemente, o Pantanal mato-grossense, é as regiões mais agredidas pela atividade ilegal, destacando-se pela apresentação do maior número de infrações, flagrantes e apreensões de pescado irregular.
A pressão exercida pela pesca atinge as espécies de maior valor comercial (pintado, e o cachara,) e ainda atende às necessidades de subsistência dos pescadores. Os métodos artesanais de captura são poucos eficazes quando comparados às redes ou às tarrafas, por isso a prática criminosa contra o meio ambiente, segundo o estudo.
Acidente envolvendo três carros na Estevão de Mendonça com Cursino Amarante: riscos
Pelo menos uma vez por semana a esquina entre as ruas Estevão de Mendonça e Corsino Amarante, no bairro Quilombo, ocorre um grave acidente. A tragédia só não se consumou ainda, segundo moradores, “por pura obra de Deus”, segundo uma moradora que reside nas imediações. A razão de tantos acidentes é um só: pura falta de sinalização. Mais que isso: nenhum investimento em educação no trânsito. “Se não tem respeito, o certo então seria colocar aqueles quebra-molas gigantes para ver se eles diminuem a velocidade” – disse a moradora, que coleciona várias fotos de acidentes. “O resultado é batida na certa”.
Na quinta-feira, quase aconteceu uma tragédia. Um carro quase invadiu o ponto de ônibus, com pessoas no local. Isso só não aconteceu por causa de um pé de coqueiro. Segundo moradores, muitas pessoas ficam na sombra esperando o ônibus. Na região tem também duas escolas e geralmente há criancas perambulando pelo local nos horários de entrada e saída das aulas. “Os ônibus, carros,motos passam correndo e na Cursino não tem placa para parar” – relatou.
Os moradores da região reclamam do descaso por parte do secretário Edivá Pereira Alves. Eles dizem já terem encaminhado fotos e ofícios à Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), mas nenhuma providência foi ainda tomada para dar solução ao problema. Na quarta-feira, segundo uma moradora, o acidente envolvendo três veículos foi comunicado com fotos. “Isso só vai se resolver quando alguém morrer aqui” – protestou.
Apesar de terem dois corações, dividem órgãos fundamentais, como os rins e pulmões
Um caso raríssimo foi registrado no hospital Dr. Jose Fabella, em Manila, capital das Filipinas. O nascimento, na terça-feira (28), de gêmeas siamesas com duas cabeças unidas a partir do pescoço. É um caso de dicefalia monozigótica e ocorre em um a cada 80 mil partos. A condição está ligada a um problema de divisão das células embrionárias dentro do útero durante a gravidez.
As crianças, do sexo feminino, têm duas colunas, dois cérebros e dois corações, mas apenas uma cavidade abdominal, dois pulmões, dois rins e um par de pernas. Por isso, seria impossível separá-las. O caso foi noticiado pela rede de TV americana CBS.
O fato de dividirem órgãos vitais, como o pulmão, e terem duas cabeças, apresenta um risco ainda maior de saúde. Mas como elas têm dois corações, aumentam as chances de sobrevivência. Os corações, contudo, não estão totalmente desenvolvidos e, por isso, as crianças permanecem internadas.
"É um caso muito raro", disse Ruben Flores, diretor do hospital filipino, em entrevista à TV. "É novo até para nós".
O nascimento de gêmeos é comum na família Arciaga mas, durante o pré-natal, os exames de ultra-som mostravam apenas um bebê. Salvador Arciaga, pai das siamesas, trabalha como um motorista de triciclo e fez um apelo público por ajuda financeira. "Ajudem nossos bebês. Nos deem apoio para estender suas vidas", disse.
Ação de divulgação apresentada pela Unicef, uma máquina de vender água instalada em Nova York superou as expectativas de arrecadação. Mais de 7500 pessoas participaram e depositaram sua contribuição no valor de 1 dólar - valor este que garante água limpa e potável para uma criança por um período de até 40 dias.
As garrafas d´água ficaram armazenada numa máquina similar as de venda de refrigerantes, nos botões de escolha de produto elas podiam escolher entre 8 opções de doenças que o consumo de água suja pode causar.
Na fronteira da Bolívia com o Brasil, a polícia - ajudada por um médico - conseguiu identificar um truque tão simples quanto perigoso usado por ‘mulas do tráfico’ de drogas para driblar exames de raio-x.
Em uma região do Pantanal, a 300 km de Cuiabá (MT), a Polícia Civil descobriu um carregamento de cocaína. Quase 400 kg escondidos dentro de uma fazenda. Mas nem sempre a cocaína que sai da Bolívia para o Brasil chega assim: entra também pelo chamado ‘tráfico das mulas’, pessoas contratadas pelas quadrilhas para transportar a droga.
Condenado a cinco anos e sete meses de prisão, um homem se diz arrependido. “Eu estava fazendo o que eles chamam de ‘mula’. Essa droga eu peguei em Cáceres (MT) para levar até Uberlândia, Minas”.
Quando a polícia desconfia de alguma pessoa e na revista não encontra nada, o próximo passo é encaminhar o suspeito para fazer um exame de raio-x. O problema é que agora os traficantes passaram a engolir cocaína em cápsulas embaladas em películas usadas nos vidros dos carros, o insulfilm. A radiografia não detecta a presença da droga. “Eu engoli 18 ou 19 cápsulas”, diz um preso boliviano.
Para entrar no país, os criminosos usam estradas clandestinas e trilhas que se espalham pelos 900 km de fronteira entre Brasil e Bolívia. As chamadas ‘cabriteiras’ passam de uma fazenda a outra, e permitem o trânsito clandestino entre os dois países. “Vem fortemente armado, cada um traz consigo de dez a 15 quilos aproximadamente”, conta o chefe de operações do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), capitão Gildázio Alves da Silva.
A tática de enrolar droga na película foi descoberta pelo médico-legista Manoel Francisco de Campos Neto, que trabalha no Instituto Médico Legal (IML) de Cáceres, município de Mato Grosso que faz divisa com a cidade de San Matias, na Bolívia. “A ‘mula’ que engole cápsulas é um suicida em potencial. Ele sabe que se uma cápsula romper ele vai ter morte imediata, por overdose”.
Agora os suspeitos também são obrigados a fazer um exame de tomografia. Este sim, infalível. Em Cáceres, de cada dez presos, sete tem envolvimento com tráfico de drogas.
O juiz Wagner Plaza Machado Júnior condenou quatro pessoas, entre elas o ex-prefeito do município de Ponte Branca (491km ao sul de Cuiabá) Jurani Martins da Silva, pela prática de crime lesivo à Administração Pública, após audiência de instrução e julgamento realizada na tarde desta terça-feira (28/7). O ex-gestor municipal foi sentenciado a cinco anos e seis meses de reclusão por autorizar o uso de maquinário da prefeitura e ceder funcionários públicos para realizar obras de infra-estrutura no interior de uma propriedade particular, incorrendo no crime de responsabilidade previsto no artigo 1 do Decreto-Lei nº 21/1967, que penaliza o ato de se utilizar, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou serviços públicos.
Também foram condenados por envolvimento na ação o ex-secretário de Obras da prefeitura Oneides Domingos da Silva, e os proprietários rurais Severino Borges da Silva e Rubens Borges da Silva, porém as respectivas penas de reclusão foram substituídas por restritivas de direito (multas), cujo valor deve ser depositado nos cofres da prefeitura. O ex-gestor e os demais réus também foram declarados inabilitados para exercer qualquer função pública e eletiva nos próximos cinco anos.
Na decisão, o magistrado entende haver elementos suficientes para condenar os réus, com respaldo em provas robustas e nos depoimentos consistentes de testemunhas e interrogatório dos acusados. Conforme consta da denúncia, há farta documentação a comprovar o emprego de três caminhões, uma pá carregadeira, uma patrola, bem como o trabalho de cinco funcionários públicos, na obra de cascalhamento de uma estrada localizada nos limites da propriedade rural pertencente a Severino Borges da Silva.
Este último confirmou em juízo a realização do serviço no mês de junho de 2004 e disse que não foi o responsável por custear o combustível usado nos veículos. Por ter admitido a ocorrência do delito, o produtor rural teve a pena reduzida. Em sua defesa, o ex-prefeito alegou a existência de um termo firmado entre as partes, com anuência da Câmara de Vereadores, que permitiria os trabalhos no imóvel rural, mediante a contraprestação de pagamento dos valores desprendidos para os caminhões, patrola e pá carregadeira e a alimentação dos funcionários utilizados, mas esse suposto termo não constou dos autos.
“A culpabilidade do acusado é de maior reprovação, posto que era o Prefeito Municipal e na sua condição tinha o dever de bem gerir os recursos e bens públicos visando o bem comum e não tutelando os serviços para uns poucos aliados. O delito deixou conseqüências vez que o dinheiro público gasto no fato foi indevidamente utilizado para beneficiar o réu e seu aliado político, ao invés de ser usado na saúde, educação e habitação da sofrida e pobre população de Ponte Branca”, argumentou o juiz Wagner Plaza na sentença. Na época da ocorrência dos fatos o ex-prefeito Jurani da Silva estava em campanha para reeleição ao cargo e tinha como apoiador o proprietário do imóvel rural.
O “Jornal da Record”, a partir da entrada de Ana Paula Padrão, tem os seus apresentadores colocados na mesma posição que os do “Jornal Nacional”.
As mulheres, Fátima Bernardes e Ana, ficam sempre do lado direito do seu televisor e os homens, William Bonner e Celso Freitas, do lado esquerdo. Antes era invertido, mas agora até a colocação dos casais é rigorosamente igual. Mas vale o aviso: a ordem das cadeiras não altera o produto.
Aliás, na Globo, tem uma história interessante: aos sábados, quando normalmente acontece a folga dos titulares no JN, há uma forte disputa – por parte de alguns – para ocupar o lugar do Bonner. Teve um, e o caso é bem conhecido, que foi ao requinte de chegar mais cedo e guardar ou reservar a cadeira com o paletó.
Por último, verifica-se que, tanto num caso como no outro, JN e JR, a figuração nas redações, durante a apresentação dos telejornais, diminuiu consideravelmente nos últimos dias. A maioria das mesas têm aparecido desocupadas e os computadores desligados. Só pode ser culpa das férias.
Por Hoje em dia news Edição: Meider leister A novela “Senhora do Destino” é de fato um fenômeno de audiência, quem comprova isso é o Ibope. Em São Paulo, não raramente a trama do autor Aguinaldo Silva supera a audiência da novela teen Malhação e por vezes chega perto da média de Paraíso, novela exibida às 18hs.
E, nesta quarta-feira (29/07), o folhetim escrito por Aguinaldo Silva, que está sendo reapresentado no ‘Vale a Pena Ver de Novo’ cravou 29 pontos de média em sua faixa de exibição
Por Renato Pires Lima - www.sofádasala.zip.net Edição para Água Boa News - Kassu - 29/07/2009 às 23h03
No início da década de 1950 alguns artistas criaram a definição de desenhos bizarros, com traços bem desproporcionais, figuras estranhas e enredos totalmente antiéticos e incomuns. Essas produções, que eram alguns curtinhas animados ou tirinhas de jornais, tinham histórias totalmente fora dos padrões e um humor negro e sarcástico.
Esse não foi um movimento que ganhou muita força, mas deixou alguma marca e elementos que influenciam nos desenhos modernos de hoje. Dois desenhos produzidos pelo Cartoon Network têm esses elementos bizarros e tentam misturar o grotesco com humor inocente e infantil.
Chowder e As trapalhadas de FlapJack não são bem desenhos com uma estrutura muito usual para crianças, mas, embora sua tendência para o bizarro, não há nada que assuste nesse dois desenhos para que as crianças não possam curti-los.
No enredo das histórias, Chowder é um bichinho assistente de cozinha vive mil confusões enquanto As trapalhadas de FlapJack mostra as aventuras de um garotinho, de uma baleia falante e de um pirata cheio de histórias. O que há em comum nesses dos desenhos? Os elementos bizarros, piadas de humor negro e desenhos às vezes nada convencionais. São duas produções que vale a pena assistir.
Os dois desenhos são exibidos diariamente pelo canal Cartoon Network
“Este é o último pedaço que dou de graça, monsieur Steves”
As lições de economia de um viajante rico, criador de guias best-sellers e entusiasta do piquenique e da pochete
Rick Steves, um americano de Edmonds, no estado de Washington, é uma espécie de Silvio Santos do turismo, no bom sentido. Desde 1973, ele passa quatro meses por ano na Europa. Montado nessa experiência, Steves produziu 30 guias de turismo, todos bestsellers. Também apresenta o programa de viagem mais popular da TV dos Estados Unidos e dá palestras. Com o tempo, Steves não se tornou mais blasé, com afetações de insider. Ao contrário, virou um arauto do turismo econômico e inteligente. Ou, como ele defi ne, turismo "through the backdoor" (pela porta dos fundos): viajar como um vizinho, hospedando-se em hotéis modestos, comendo em pequenos restaurantes. "É gastar menos e vivenciar mais o local", disse ele à revista Time em artigo recente. "Você será mais bem recebido se fizer parte da festa do que se fizer parte da economia."
Embora com certo simplismo, Steves se esforça para instilar humanismo em sua plateia. "Os maiores países tendem a ser etnocêntricos e maus. Você não encontra belgas ou búlgaros maus. Eles são pequenos demais para pensar que o mundo é deles."
Suas dicas: - Um albergue tem o dobro de calor e intimidade por metade do preço de um hotel. - Evite restaurantes turísticos com placas de "Falamos inglês". Os que servem nativos têm comida melhor por menos grana. "Eu procuro cardápios pequenos, escritos a mão na língua local." Escolha o prato do dia. - Viaje na baixa. Grandes cidades, como Londres, Paris e Roma, são interessantes o ano inteiro. - Piqueniques poupam grana. Por 10 dólares você compra almoço para dois em qualquer lugar da Europa. - Use um guia turístico. Eles são ferramentas de 20 dólares para 3 mil experiências. Não comprar é uma economia boba. Um guia atualizado retorna seu investimento no primeiro dia lá fora.
Os best-sellers de Steves podem ser encontrados nas livrarias e importadoras. Eis aí um investimento tão bom quanto ações na bolsa.
"Bom dia Zezinho Romano de Oliveira, Sr. João Moura, Pedreco Araújo e bom dia também para todos os agricultores do pólo do Rio Capim, no nordeste do Pará.
Essa gente está provando que é possível e saudável viver da floresta, dentro da floresta. Sr. João Moura vai mais longe dizendo que é a própria floresta que ensina como fazer esse convívio.
Se ela é diversificada, diz o Sr. João, então o agricultor tem que diversificar. Se a floresta é paciente, paciência então. Se ela é generosa é preciso retribuir a generosidade e assim por diante.
E você vai reparar como os agricultores de pólo do Capim falam e se expressam bem, ou seja, a consciência ecológica, felizmente, está chegando onde mais ela precisa estar: junto das árvores. "
Primeira Parte
Segunda Parte
Transcrição:
Primeira Parte:
Derrubar a mata, cultivar mandioca, queimar o terreno e plantar de novo. A prática, é quase uma regra para os agricultores da Amazônia.
Atendendo a um convite feito pelo José Sebastião Romano de Oliveira, de Irituia, no Pará, os repórteres Camila Marconato e Sandro Queiroz conheceram agricultores, que para fugir da pobreza, se tornaram uma exceção a essa regra e mudaram o rumo de suas vidas.
É noite de festa em Irituia. A grande atração fica sob a tenda montada em frente ao palco. Somos recebidos pelo agricultor e professor José Sebastião Romano de Oliveira, o Zezinho, que escreveu para o Globo Rural.
Que festa é essa que está acontecendo aqui? "Aqui hoje é a festa do Carimbó. O carimbó é uma dança típica do Estado do Pará, que representa a cultura, principalmente da raça negra, africanos, que se adaptou muito bem com os nativos da região", explica Zezinho.
O Festival do Carimbó atrai gente de todo canto. Pares e até grupos vão se formando. Eles giram em torno de si mesmos, fazendo um grande círculo. Sempre no ritmo imposto pelo tambor dos mestres do Carimbó.
No dia seguinte, a imagem já não é tão animada. Estamos no Pólo Capim, nordeste do Pará, uma das regiões mais pobres e degradadas do Estado. O Rio Capim dá nome e corta os quatro municípios que formam o Pólo: são Domingos do Capim, Concórdia do Pará, Mãe do Rio e Irituia. As grandes madeireiras deixaram a região porque quase não há mais floresta por aqui. A paisagem é dominada por capoeiras, olarias e muito pasto.
No pólo do Capim, além da pressão exercida pelas pastagens e mais recentemente pelas olarias, há também o cultivo da mandioca no sistema derruba e queima, prática secular que empobrece o solo e obriga o agricultor a abrir novas áreas para continuar plantando.
O agricultor, Francisco Ribeiro Castro trabalha assim desde que se entende por gente. "A gente põe o fogo, ela queima, quando queima bacana é só plantar". Dá para plantar quantas vezes até o solo esgotar? "Olha, até três vezes. Se o cara dá duas vezes a mandioca dá boa, aí das três vez para frente se não botar adubo, ela não presta mais". Porque o solo ficou pobre e tem que abrir nova área? "Tem que abrir nova área" O senhor vive aqui com muita dificuldade ou não? "Olha agora mesmo eu não estou vivendo com muita dificuldade porque eu já me aposentei pela idade, de velho" Como era sua vida antes da aposentadoria? "Era meio difícil porque chegava não ter o que comer", relembra.
Osvaldo Kato, agrônomo da Embrapa Amazônia Oriental, explica que o "derruba e queima" é mais prejudicial ainda porque os agricultores não respeitam o tempo mínimo de dez anos, recomendado para o repouso do solo. "Tem gente que passa até com três anos, voltando para mesma área para fazer o cultivo. Além da diminuição do acumulo de nutrientes, porque a capoeira cresce menos, a gente tem essas perdas que ocorrem durante a queima. O nitrogênio, por exemplo, ele é volátil, a gente perde praticamente todo nitrogênio que esta retido na biomassa. O potássio e o fósforo também ele está perdendo quase que a metade", afirma.
Agora, o que isso tudo tem a ver com o convite feito pelo Zezinho ao Globo Rural? Bom, o Zezinho é filho do Sr. Geraldo de Oliveira, falecido ano passado. Sr. Geraldo integrou um grupo de agricultores que há quase 40 anos, sem assistência nenhuma, conseguiu deixar o "derruba e queima" e arranjar outro jeito de produzir e sobreviver.
Depois da perda do pai, o Zezinho decidiu escrever para gente. "Era o sonho dele por exemplo, que alguém um dia viesse conhecer a experiência dele e ele não perdia o Globo Rural, dia de domingo, o Globo Rural era sagrado", relembra.
Sr. Geraldo nasceu e morreu aqui, tocando o sítio. Sua maior preocupação sempre foi garantir sustento e educação para os filhos. "O que ele passou, as mazelas da fome principalmente, ele jurou que o filho não passaria, eu nunca passei". Agora, é muito contraditório falar em fome numa região amazônica. "É uma tristeza, uma região tão rica, riquíssima de biodiversidade podemos dizer, nós termos pessoas pobres e até mesmo miseráveis".
Zezinho hoje toca o sítio de 19 hectares com o irmão Elejam. Ele também é professor, formado em Geografia, já está virando doutor em sistemas agroflorestais, termo técnico usado para denominar o sistema de produção que o pai dele e outros agricultores da região começaram a implantar, mesmo sem saber.
A característica mais marcante dos sistemas agroflorestais é diversificação das espécies, principalmente de frutíferas nativas. A iniciativa que no começo visava apenas melhorar a alimentação das famílias se tornou alternativa de renda e uma grande prestação de serviços ambientais. Os agricultores eliminaram o uso do fogo, reflorestam áreas degradadas. Com isso, protegeram o solo e as nascentes, contribuindo para o aumento da biodiversidade.
É um sistema bom para região? "Eu não te digo que seria um modelo ideal, mas é uma alternativa viável sim e cada agricultor tem sua estratégia, cada um faz de um jeito diferente", conta Zezinho.
A idéia é enriquecer a floresta com espécies de valor econômico. Aqui, Sr. Geraldo cultivou pés de castanha, cupuaçu, bacuri, pupunha, açaí. "Neste período do ano a atividade maior aqui é o cupuaçu e a castanha. Cada época do ano tem uma produção diferenciada". Cupuaçu come assim 'in natura' ou faz alguma coisa com ele? "Pode comer 'in natura', faz doce, faz creme, faz sucos, faz geléia. É bem ácido, azedinho. Melhor comer em doce, é bem azedo, mas é bem gostoso" E aqui tem mercado para o cupuaçu? "Bastante, aqui desta área principalmente tem época que a gente coleta 400, 500 quilos de polpa", conta.
O xodó da família é mesmo a castanheira plantada pelo pai há 35 anos. E esse aqui já é ouriço dela? Tanto castanha como cupuaçu pega esses que estão no chão. Quanto tempo uma castanheira leva para produzir? "Se for no habitat natural dela, concorrência com todas as outras árvores, 12 à 15 anos, mas como ele plantou em aberto, não teve concorrência de luz, aí ela produz mais rápido, mais ou menos sete anos".
O Zezinho trabalha hoje para ajudar a difundir os conceitos da agrofloresta. Além de capacitar outros agricultores da região, ele dá cursos para professores da rede pública de ensino.
Na região, a prática da monocultura, no caso a mandioca, não gera apenas degradação ambiental, gera também pobreza. É muito comum, por exemplo, ver jovens deixarem o campo em busca de melhores condições nas cidades. "Se todo aluno aprender, não só o que mora na região rural, como na urbana, ele também vai fazer do próprio quintal dele, um sistema agroflorestal, dentro de uma pequena área", afirma a professora Maria da Conceição de Oliveira e Silva.
"A nossa região amazônica ela é muito ampla, só que os alunos eles tem uma noção de que nós não estamos na região amazônica e com esse curso que veio agora, nós temos a oportunidade de passar para os nossos alunos, que nós também somos um pedacinho da Amazônia", complementa o professor, Antônio Aílton Lima de Oliveira.
Zezinho conta sempre com ajuda preciosa. Esse aí é o Sr. João Moura, um agricultor "inovador".
Segunda Parte:
Vamos voltar ao pólo do Rio Capim, uma das regiões mais degradadas da Amazônia paraense.
Na segunda parte da reportagem você vai ver o que aconteceu na vida de duas famílias depois que elas decidiram reflorestar suas áreas e diversificar a produção.
No meio da floresta, o agricultor João Moura se sente em casa. Ele reservou até um cantinho para receber gente interessada em conhecer seu trabalho.
Tocos de árvores viram bancos da sua sala de visita. As copas dão sombra e frescor. Sr. João, quem ensinou para o senhor esse conhecimento das árvores, dos frutos aqui da Amazônia? "Olha, nós temo do lado de um grande professor que é a mata e a mata ela ensina a gente a plantar e ensina a gente a manejar, como fazer", afirma.
A propriedade do Sr. João tem 62 hectares, 30 de capoeira, de áreas degradadas onde a floresta ensaia uma renovação. Outros 30 são de floresta preservada. Sobram dois hectares para manejo.
Em um espaço, e sempre imitando a natureza, Sr. João prefere cultivar espécies nativas da Amazônia: castanha, pupunha, açaí, cupuaçu, ipê, cacau. Mas tem também algumas trazidas de fora: biriba, banana, café.
Tanta coisa, que, à primeira vista, fica difícil entender como funciona, mas ele explica. "Nós vamos considerar uma salada. Eu plantei aqui 41 espécies dentro disso aqui, uma para sustentação das outras. Na verdade, árvore que gosta de sol, árvore que não gosta de sol", explica.
As que gostam de sol foram plantadas primeiro. Depois, vieram as que crescem à sombra das pioneiras. Enquanto esperava a agrofloresta se formar, Sr. João cultivou espécies de rendimento econômico e que produzem em pouco tempo, como o abacaxi e a goiaba, por exemplo. São elas que dão o sustento nos primeiros anos.
"Mas nem toda foi para produzir fruto e sim matéria orgânica, nós trabalhamos aqui diretamente com esse adubo que nós temos aqui". Essas folhas que o senhor joga aqui que parece descaso, é estratégia? "É, na verdade, tem agricultor que ainda chama de lixo, mas na verdade a natureza, não dá lixo, ela dá resíduo", ensina.
Pensando nisso, Sr. João não dispensa seus pés de café. "O café na verdade ele é um criador, porque é uma árvore que dá muita folha e cresce muito rápido". O interesse do senhor não é vender café? "Não, ele está aqui para criar e daí para gente não perder, nós vamos tirar e consumir. Nós tiramos duas sacas por ano de café, essa saca dá para passar o ano todo", conta.
É assim que a floresta amazônica se mantém, já que a maior parte do solo da região é considerada pobre. Sr. João cuida muito bem dos seus dois hectares manejados, mas a "menina dos olhos" é mesmo a reserva de 30 hectares, cheia de bacuriaçu, breu vermelho, faveiras. São mais de 300 espécies nativas. Agora, o pessoal assedia o senhor para pegar essas madeiras? "Com certeza, assedia bastante, mas na verdade a gente não vende de jeito nenhum. A gente tem passado para o pessoal hoje qual a importância em se ter uma reserva. Você tem dinheiro e tem ar puro, tem sequestro de carbono, tem medicina, você tem várias coisas dentro de uma reserva. E tem dinheiro, porque quando jogar bacuri, porque joga aqui bacuri, você junta, vende o bacuri, vende a polpa, vende o bacuri em fruta. Quando você for em uma copaíba dessa aqui que tem óleo, você vende, então é dinheiro que vai para o bolso que chama-se de recurso natural", explica.
Sr. João é um apaixonado. Trabalha muito para dar conta de produção tão diversificada. A vida ainda é dura, mas muito melhor do que era. "Olha esse mês, tirando daqui do pomar da propriedade da gente, a gente vai fazer uns R$ 400 a R$ 500". E esse dinheiro o senhor ganhava mais só com mandioca ou é mais agora? "Não, agora a gente ganha mais, a mandioca na verdade, ela é um produto que é o conhecido no Brasil, no mundo todo, mas ainda é um produto com muito trabalho e pouco lucro para o agricultor", conta.
Sr. João ainda mantém uma pequena área com mandioca para fazer farinha. O que ele evita agora é botar fogo no terreno, assim como quase todos os agricultores que trabalham nesse sistema de agrofloresta.
Sr. João é casado. "Essa aqui é a Santina, minha esposa", apresenta. Na casa reformada, os frutos da mudança de rumo na vida. "Tem televisão, tem geladeira, tem parabólica". Tudo novo, esperando a energia elétrica que está para chegar. "Alguém perguntou pra mim se eu estou muito ansioso com a energia, com certeza, nós temos com essa idade que nós temos e nunca tivemos energia, claro que nós estamos ansioso sim com essa energia".
Ansiedade que ele compartilha com a mulher, os três filhos e dois sobrinhos. A ânsia é de aprender mais, se informar. Sr. João acha que a televisão pode ajudar em seus projetos. "Esse livro que nós vamos trabalhar aqui é um livro para 200 e poucas páginas".
Sr. João sonha em publicar um livro com a ficha de todas as árvores da Amazônia que conhece, apesar do pouco estudo, ele concluiu a quarta série há dois anos. Com a ajuda da sobrinha, já catalogou 214 espécies. O senhor está chique, escrevendo até livro? "Não, é porque há uma necessidade, quantos agricultores não temos aqui que vivem na roça, nasceu e criou e num sabe o nome de 20 árvores. Conhece a mata, que isso aqui é um pau, mas num sabe o significado, as vezes ele derriba, ele queima, porque ele não tem o significado que ele tem, não sabe nem o que ele tem", explica.
Sr. João agora se despede para vender o que colheu hoje na feira da cidade e nós deixamos Irituia com destino a São Domingos do Capim, onde vive um outro agricultor que também trabalha com agrofloresta. Fim da linha. Para conhecer o Sr. Pedreco, nós vamos ter que seguir a pé.
O Zezinho, que escreveu para gente, indica o caminho. Sr. Pedreco é Pedro Araújo. A propriedade dele e da família fica na margem do Rio Capim: uma área muito preservada. Repare como até a casa fica cercada por árvores.
É uma das agroflorestas mais visitadas e premiadas da região. Tornou-se referência até para instituições de pesquisa e organizações não governamentais, que passaram a dar alguns cursos para os agricultores do pólo do Rio Capim.
Acompanhamos a família que se prepara para colher o açaí. O cachorro vem também, é parte da família. No caminho, notamos uma área bem manejada, solo coberto, aberturas estratégicas para entrada da luz solar. Essa área aqui ela parece assim uma florestazinha, uma mata que seja nativa, mas não é, ela foi construída já por nós, foi uma que foi bem descampada no início. Essa lavoura está com seis anos, tem 23 espécies só dentro dessa área aqui.
Bem próximo dali, uma árvore chama nossa atenção. É a Samaumeiras que eles chamam aqui. A madeira dela que é boa? "A madeira dela é boa, mas para nós aqui da propriedade a utilidade maior dela é a água e a folhagem". Na sua visão de mundo, derrubar uma árvore dessa nem pensar? "Nem pensar". Nem se te oferecessem dinheiro? "Não, não tem dinheiro que faça eu tirar essas árvores daqui de dentro da minha propriedade". É uma funcionária para o senhor? "É e não me cobra nada por isso. Trabalha para mim de graça, para mim não, para nós todos porque só o ar que ela dá para gente respirar".
A Samaumeira é tão larga e alta que nossa câmera não consegue dimensionar. Para se ter uma idéia, cabemos todos num dos vãos do tronco. Chegamos finalmente na área de açaí que está no ponto de colheita. Como a palmeira está escorregadia, fica decidido que só Sr. Pedreco e o filho mais velho, o Júnior, de 17 anos, vão subir para coletar os frutos.
Nos pés, eles usam um tipo de laço, chamado peçonha, feito de pedaço de saco ou com a própria fibra da palmeira. A tarefa exige habilidade e prática.
A mãe e os filhos mais novos debulham os cachos e selecionam os frutos. Uma lata de 15 quilos de açaí limpo é vendida por R$ 20, R$ 25. Sem a seleção, a mesma lata sai por R$ 12, R$ 15.
Normalmente vem todo mundo ou veio todo mundo hoje por causa da reportagem, aqui para colheita, para trabalhar com o açaí e as outras coisas? "Não, os nossos filhos participam de todas as atividades, lógico que não influencia quando estão na escola, tirando o tempo deles da escola, quando estão em casa, todos vem para propriedade". E todos vão para escola? "Todos vão para escola também, vão de barco. Sai de casa 5h30 e volta 12h", conta a agricultora Zinalva Araújo.
Quando você crescer quer continuar aqui? "Quero, porque aqui é silêncio, a gente vê o cantar dos pássaros de manhã, aquela coisa legal. Lá na cidade não, a gente nem dormir direito não pode. Aqui é muito melhor", afirma a filha do casal Tatiana Araújo.
"Eu não tenho vergonha de dizer que sou filho de agricultores, como muitos colegas meus têm vergonha de dizer que são filhos de agricultores, em qualquer lugar eu posso abrir a minha e dizer que sou filho de agricultor, com orgulho", diz o estudante Pedro Araújo Freitas Júnior.
Sr. Pedreco é o filho mais velho de sete irmãos, criados só pela mãe. A família trabalhava com mandioca e passava muita necessidade. Aos 12 anos, ele decidiu sair de casa. Ganhou do avô um pedaço de terra. No começo, vivia dos frutos que colhia em propriedades vizinhas, de onde também tirava mudas para diversificar sua produção.
"Eu não queria que meus filhos passassem pelo o que eu tinha passado, pelo menos fome eu não queria que eles passassem, aí começamos a mudar o trabalho, diversificar o trabalho, para de cada coisa a gente ter um pouco. A gente não queria ter muito, a gente vai ter muita coisa para vender, não, a gente queria ter um pouco de cada coisa pra gente poder se alimentar e o restante a gente poder colocar no comércio para comprar aquelas coisas que a gente não produz", afirma Sr. Pedreco.
O carro-chefe da propriedade é o açaí, mas a turma aqui cultiva também muitos outros produtos que ajudaram a alavancar a renda da família. O senhor sabe quanto o senhor tira por mês assim, mais ou menos? "A gente ganha bem mais do que um salário por mês, porque um salário não dá para manter toda essa família. E isso é muito bom".
Para ganhar um dinheirinho a mais em 2002 a família passou a beneficiar parte dos produtos que eles cultivam aqui. Hoje, eles fabricam doces, salgados, xaropes, óleos e pomadas, de plantas medicinais, além do artesanato com palha e da biojóia, feita com semente extraídas da floresta. E pelo jeito está dando certo.
"A gente costuma falar que é como uma cuia embaixo da biqueira, várias gotas acaba enchendo a cuia". O segredo do sucesso da propriedade é esse é a diversificação? "Exatamente, tanto na segurança alimentar, como na renda da família", afirma Dona Zinalva.
No começo vocês não pensavam agrofloresta, recuperação da mata, contribuir para o meio ambiente? "Não porque há 20 anos atrás não tinha essa preocupação e muito menos aqui, onde não tinha um rádio para se ouvir, a gente tava longe da mídia. Então isso não se falava, e a gente não tinha esse conceito. O que a gente fazia era plantar, buscar alimento, a nossa luta era em busca e alimento para fugir da fome na verdade. Hoje nós temos, se dá o luxo de escolher aquilo que a gente quer comer. Antes tinha que comer o que tinha", relembra.
Hoje, no Pólo do Rio Capim, 300 famílias já estão trilhando esse mesmo caminho. Elas estão descobrindo que quando o homem protege a floresta, a floresta retribui com generosidade.
Algumas famílias do Pólo do Rio Capim já começam a se unir em pequenas associações para trocar experiências, tecnologia e, no futuro, vender juntas a sua produção.
Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um vaga-lume. Este, fugia rápido, com medo da feroz predadora, e a serpente nem pensava em desistir. Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada...
No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse a serpente: - Posso lhe fazer três perguntas? - Não costumo abrir esse precedente a ninguém, mas já que vou te devorar mesmo, pode perguntar... - Pertenço a sua cadeia alimentar? - Não. - Eu te fiz algum mal? - Não - Então, por que você quer acabar comigo? - Porque não suporto ver você brilhar...
Moral da história Têm pessoas que se dizem seu(a) amigo(a), mas o que eles querem mesmo é acabar com o seu(a) sucesso.
Venha para mais um passeio organizado pela Equipe Mundo Off-Road rumo ao litoral norte do estado de São Paulo. Desta vez o destino será Ilha Bela. Os participantes ficarão hospedados no sofisticado Hotel Ilha Bela (www.hotelilhabela.com.br)Durante o sábado (15) visitaremos diversas priais, entre elas a praia de Jabaquara. O jantar será livre.
Já no domingo (16) o grupo partirá para a trilha off-road até a Praia de Castelhanos. O almoço será servido no Quiosque do Alemão.
Valor Crianças (0 a 5 anos) R$ 0,00 Crianças (6 a 12 anos) R$ 157,50 De 13 anos em diante R$ 315,00 O participante que ficar sozinho no quarto terá um acréscimo de 15% no valor total da inscrição.
Descontos especiais para o terceiro e quarto participantes no mesmo veículo. Ligue para a equipe de organização no telefone (13) 3014-2722 e solicite seu desconto.
O pagamento poderá ser parcelado em 3 vezes (40% no ato da inscrição em depósito bancário + 30% no dia do evento + 30% em cheque pré-datado para 30 dias após o evento). No momento do depósito, mantenha o código dos centavos indicados no ato da inscrição para identificação do participante.
Incluso no pacote: Almoço do sábado (15), hospedagem no Hotel Ilha Bela com café da manhã, almoço do domingo na praia de Castelhanos (16) e apoio total da Equipe Mundo Off-Road. Não incluso bebidas nem sobremesas. Saída 08:00h 15/08/2009 Retorno 20:00h 16/08/2009 Dificuldade Radical Deslocamento 400km (off+estrada) Dicas ATENÇÃO - A trilha off-road até a praia de Castelhanos esta com um alto nível de dificuldade exigindo veículos mais altos e pneus com perfíl no mínimo 50% off-road. Inscrições de 20/06/2009 à 11/08/2009
Não perca essa fantástica aventura no coração do Planalto Central, preparada pela EMOR para acontecer entre os dias 2 e 8 de setembro. Não corra riscos em viajar grandes distâncias, sem conhecer os locais que irá visitar, tempos de deslocamento, estradas e imprevistos de todos os gêneros. Contar com uma equipe que lidere, mostre as melhores atrações e forneça o apoio técnico e operacional da viagem é sucesso na certa.
É com essa segurança que a Expedição Jalapão 2009 irá desbravar a imensidão da Serra Geral, em meio aos rios, cachoeiras e nascentes cristalinas. Numa região onde a natureza se mantém intacta, em pleno Cerrado brasileiro, o “Deserto do Jalapão” apresenta um verdadeiro oásis. Apesar do solo arenoso, o lugar possui água, fauna e flora exuberantes. Não perca essa inesquecível experiência.
A Equipe Mundo Off-Road estará realizando dos dias 02 à 08 de setembro a Expedição Jalapão 2009. Melhor que se arriscar em viajar sozinho, sem conhecimento pleno dos locais que vai visitar, dos tempos de deslocamento, das estradas que vai percorrer e principalmente dos imprevistos que podem ocorrer, é contar com uma equipe de organização que lidere a Expedição, conduzindo às atrações mais interessantes, ajudando na preparação da viagem e trabalhando no apoio durante o passeio. No coração do Brasil em meio a imensidão da Serra Geral com seus rios de águas pura e cristalina, praias paradisíacas, natureza agreste e primitiva existe uma das últimas regiões onde a Natureza se mantém intacta: O JALAPÃO. Chamado de Deserto do Jalapão, é na realidade um grande Oásis, pois, apesar do solo arenoso, esta região serrana possui nascentes e belas cachoeiras, além de uma grande diversidade de Flora e Fauna do Cerrado. Além de conhecer tudo isso, você poderá trazer o artesanato feito com o nobre Capim Dourado.
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Por Diogo Moreira Publicado por Kassu - 25/07/2009 - 21h50
A temporada de praia 2009 em Cocalinho está pegando fogo, no ultimo sábado uma multidão curtiu o show da banda 0800 com muito agito e axé, os garotos da banda fizeram a alegria da galera, e teve até participação do público no palco.
Os integrantes da banda gostaram tanto de Cocalinho que no domingo não foram embora, ficaram curtindo a praia até a tarde. E por falar em tarde, o domingão não ficou pra trás, muito agito e brincadeiras com o animador Wilmar Camilo e a equipe Tatu som fez com que a galera curisse ao máximo o fim de semana. E não fica só nisso hoje (25) tem Chiclete com Banana cover e muito mais agitação. Não percam.
Por Cláudia Carmello - 25/07/2009 às 20h39 Edição para Água Boa News Kassu
(entre Colômbia e Panamá, sob o comando de dois alcoólatras inveterados)
{Índias kuna em San Blas}
Inauguro a segunda seção do blog hoje. Causos de Viagem é onde eu e amigos pé-na-estrada vamos contar “a” história de viagem. Aquela que marcou, que foi o grande mico ou a grande epifania, aquela que virou a piada ou que (cada um sabe o seu porquê) mudou as “coisas”.
E inauguro a seção com classe. Com o causo do meu querido grande amigo Maurício Monteiro Filho. Também jornalista, também viajante. E que se meteu numa jornada surreal a bordo de um veleiro. Seu objetivo era ir da Colômbia ao Panamá pelo mar. Mas, como acontece tantas vezes quando estamos pelo mundo, o seu objetivo acabou perdendo completamente a relevância na história.
Esse cara aqui abaixo conseguiu, em 4 dias, viver a “realização máxima” desse blog. Viajou devagar. Verde. E, amigo, o que é que foi essa experiência?
{Posto de Imigraçao em San Blas: rá, se toda imigração fosse assim…}
“Os acontecimentos que se seguem fizeram com que eu e meu irmão valorizemos mais a vida, os amigos e, sobretudo, a terra firme.
Antecedentes: já passamos pela Venezuela, onde ficamos uma semana entre Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, e Los Roques, um lugar paradisíaco no Caribe venezuelano. (Se não fossem as cidades horríveis, onde se perdem carteiras com todos os cartões de crédito te forçando a usar seu próprio irmão de banco, a Venezuela seria um país legal). Depois, uma noite em Cartagena só para embarcar na jornada maluca que vai colorir esse relato: quatro dias a bordo de um veleiro comandado por dois alcoólatras inveterados.
O capitão era um franco-canadense, Marcôs, putanheiro obsessivo, mas um cara legal. Seu imediato era um nova-iorquino insuportável, Turner Armstrong, que parecia um desses cachorrinhos mirrados que acabaram de passar por um teste de cosméticos malfadado e ficaram só com um restolho de pelagem na cabeça. (Ele também tem um barco, que fica ancorado no Panamá. O nome da embarcação: BLOME. Fale isso em voz alta com a devida pronúncia americana e descobrirá a maior fixação do Turner). O resto da galera era firmeza: um casal de alemães, uma australiana, um belga que não ri, eu, meu irmão (o Guto). E um cara mala, escritor inglês, que transformava qualquer mísero episodio em “capítulos do seu livro”.
{O capitão do veleiro, Marcos. Você confiaria?}
Tudo começou quando a gente cruzou com um brasileiro na Venezuela. Nosso objetivo era ir para o Panamá. A gente já queria ir de barco, mas achava que o serviço era meio incerto e que teria que ir de avião. Porque não existe outra forma de cruzar da Colômbia pro Panamá por terra – a não ser a pé, contratando guias locais e com uma altíssima dose de risco de não se chegar ao destino.
(Essa região é chamada de Darién Gap, e por ela até chegou a passar a rodovia Panamericana, aquela que conecta Ushuaia ao Alasca. Mas um misto de descaso público, grandes interesses hoteleiros e de exploração dos recursos naturais locais acabou fazendo com que a floresta reivindicasse de volta a soberania da área, e encobrisse de vez o asfalto. Algo parecido com o que rolou com grande parte da Transamazônica).
O brasileiro, Tiago, tava fazendo uma volta ao mundo de dois anos, a terminar no fim de 2009, na Rota da Seda. Foi ele que falou pra gente ir até um albergue chamado Casa Viena, em Cartagena. Era o mais concorrido da cidade e agendavam todos os barcos pro Panamá.
{”Baía de Cartagena: cidade iradíssima, merece um retorno”}
Chegamos em Cartagena pelas 22h30, fomos pro albergue e eles já ligaram pro capitão Marcôs. Pela meia-noite, a gente já tinha fechado o negócio por US$ 250 por cabeça, pra sair no dia seguinte rumo a Portobelo, Panamá, com parada no arquipélago de San Blas – que não dá pra descrever como é bonito. Comemoramos o acordo tomando umas Águilas em um bar de freqüência duvidosa.
Dia seguinte encontramos o resto da galera que integraria o cruzeiro maluco, e fomos comprar mantimentos num supermercado perto do porto. Em nossa ingenuidade, compramos comida para vários dias: coisas para fazer um café da manhã reforçado, frutas, macarrão… Tive até aquela idéia clássica dos encontros multiculturais: cada um iria fazer um prato típico de seu país. Então, me muni de leite de coco, robalo, pimentões, coentro pra hastear a bandeira culinária brasileira com uma moqueca. (A comida típica que Simon, o escritor inglês, decidiu fazer era simples: pão preto e muita cebola roxa. Muita. E só pra ele). Pra finalizar, claro, nos abastecemos de cerveja e álcool para meses.
{Partindo de Cartagena: de mala, cuia, rango, álcool e ganas, muchas ganas}
Saímos pelas 19h. Não sei se era só o nosso veleiro, ou se são todos assim, mas a lentidão era absurda. Se um nadador amador passasse nadando ao nosso lado, a gente perderia ele de vista em dois minutos. Com isso, chegamos ao mar aberto e as ondas começaram a ficar muito grandes. A galera começou a ficar mal.
Nem eu nem o Guto já tínhamos passado mal em barcos, mas nesse rodamos legal. Ficamos sem comer direito por uns três dias, o que os comandantes acharam ótimo porque comeram às nossas custas e ainda beberam toda a cerveja que eu tinha comprado, à razão de umas duas latas a cada dez minutos.
{Vida vagarosa a bordo}
Com tudo girando, era casca descer pra dormir nas camas internas, onde reinava um cheiro de diesel, maresia, cebola – valeu, Simon – e uma população de baratas. Então a gente ficava largado no deck, com o céu mais estrelado que eu já vi, e nenhuma terra firme visível depois de umas 5h de navegação. O sossego acabava sempre que a gente tinha que guiar o barco – porque todo mundo guiava, em turnos de 2h.
Guiar o barco significava manter-se na rota que o capitão dizia, e que a gente acompanhava numa bússola que ficava oscilando em cima do timão. Parece um trabalho de mico adestrado, mas ter que olhar pra bússola de tempos em tempos, iluminada por uma luzinha que era a única visível no Caribe àquela altura da noite, era o caminho sem volta pra tontura, enjôos e outras sequelas marítimas.
Além disso, em alto-mar, as ondas batiam na amurada do veleiro, jogando a gente 30, 45 graus pra longe da rota e nos obrigando a ficar alertas o tempo todo. A primeira noite foi bem turbulenta por tudo isso.
{Enfim, San Blas, Panama. Que Caribe é esse?}
Mas pelas 10h a gente chegou em San Blas, no posto de imigração mais animal que existe, sugestivamente chamado de El Porvenir. Fica numa ilhota de uns 2km quadrados, e lá a gente entrou definitivamente no Panamá.
A região é território autônomo dos índios kuna, uma tribo muito caracterizada ainda, que costura uns panos chamados molas, muito bonitos. Assim que a gente ancorou eles já chegaram em canoas oferecendo o artesanato, tudo cobrado em dólar – a moeda oficial do Panamá é o balboa, mas só se usam dólares pra tudo; os balboas que existem são sobras muito antigas e só moedas pequenas.
Então a gente foi pra outra ilha toda tomada por cabanas kuna, onde comemos peixe, caranguejo, lagosta. Nos cobraram US$ 4 dólares por cabeça. De opcional, tinha um self-service psicotrópico (com maconha e pó à vontade). O que certamente se deve ao local estratégico do povoado kuna na rota marítima de tráfico de drogas da América do Sul para a América do Norte.
Nessa noite, dormimos ancorados por ali e seguimos viagem no dia seguinte. Mais mar aberto, menos mundo girando. E a noite caiu de novo, pra começar a bizarrice de vez.
Eu tava guiando o barco, pela meia-noite. Só estávamos eu e o Turner acordados. Eu tava tendo uma sensação inédita de iluminação, falando abertamente de relacionamentos, mazelas humanas e tudo mais, e o cara acompanhando. Então, ele percebeu que a gente tava indo muito, muito rápido – 7 nós, o que é extraordinário pra um veleirinho daquele. E decidiu que iríamos só velejar, ou seja, desligar o motor e ficar só na base das velas. E assim rolou.
Nisso, o capitão acordou, subiu, fez um xixi pela amurada do barco, desceu e já voltou fora de si: QUEM TOCOU NO MEU BARCO? QUEM FOI O FILHO DA PUTA QUE MEXEU NO MOTOR? E começou a procurar a chave, pra religar a parada.
E então meu interlocutor, que só estava eloquente porque estava bêbado que nem um gambá, sacou que tinha esquecido onde tinha deixado a chave. O Marcôs desceu, achou uma chave reserva – ou a gente ainda estaria no Mar do Caribe a essa hora – e voltou pronto pra treta.
Começou a empurrar o Turner pra baixo: “É uma ordem, vai dormir, eu sou o capitão aqui”. E o outro desceu, mas tentou voltar. Então o Marcos começou a chutar a cabeça dele pra mantê-lo lá embaixo, várias vezes, com a sola do pé na carequinha do Turner. E eu perdendo o rumo do barco, de tanto gargalhar.
(A sensação de segurança é indescritível quando você, que nunca navegou na vida, percebe que depende de dois bêbados pra chegar vivo em terra, e que eles estão se dando porrada na sua frente. E eu achando que, naquela conversa, finalmente estava sendo compreendido…)
{E quando você pensa que já chegou ao fundo do poço…}
Tocamos o barco. Todo mundo já de muito saco cheio de mar e paisagens maravilhosas. Casca é que o dia seguinte só trouxe mais desolação. A gente devia começar a rumar pra costa, mas o vento virou e dos 7 nós a gente caiu pra 0.7, quase parando em alto mar.
Logo, já era noite de novo e a gente tinha andado em 20h o que devia ter feito em 4h. Isso exigiu manobras ousadas dos velhos lobos escolados do mar, tipo ficar acordado e reduzir a dose de cerveja e rum em 1%.
E eventualmente procurar o vento, fazendo “tacks” – uma virada de 45º que exige mudar todas as velas de lugar, para buscar o vento. Pra isso, a gente tinha que sair de perto da costa e ir pro alto-mar de novo, até achar o ponto onde ele estivesse soprando mais forte.
E lá estava eu no timão de novo: tinha assumido já fazia umas 4h, mas tava pilhado pra chegar e fui ficando, em busca de mais iluminação. Que veio em forma de uma tormenta bizarra – depois, os alemães disseram que seus pais haviam lido notícias da tormenta nos jornais alemães. A gente tava no meio do nada, não se via dois metros além do barco, eu já tava encharcado, esconjurando Deus, as ondas grossas pra cacete e tinha chegado a hora de fazer outro tack. E lá foram os travados pro deck mexer nas velas e tal.
De repente, veio um puta, PUTA estrondo. Olho pro lado e… A VELA PRINCIPAL ESTÁ RASGANDO EM TODA A EXTENSÃO, NA TEMPESTADE, NA PORRA DO CARIBE. O puto do inglês comemorando mais um capítulo, eu cascando o bico na desgraça e meu irmão acordando com a cara mais revoltada da história.
Então os dois comandantes malucos, mais temerosos que a gente, mandam, pra dar segurança pra galera: “Vamos tentar nos arrastar até onde der”. (Valeu, capitão, pelo incentivo).
{Isla Grande: não era o objetivo. Mas, a essa altura, o objetivo era sair vivo}
Acabamos chegando de manhã numa ilha, Isla Grande, lindíssima, e os caras disseram, como se não fosse o Eldorado: “Dá pra ir de ônibus daqui”. Ônibus? Cara, não demorou cinco minutos pra todo mundo estar pronto pra cair fora.
Experiência de imersão iluminada no Mar do Caribe: check! Sonho infantil de ter um veleiro e navegar pelo mundo: olvidado.
De lá, seguimos pra Panama City, os 6 mais unidos do que nunca depois da loucura. Dois dias depois nos separamos: eu e meu irmão tínhamos uma América Central toda pela frente. Em 1 mês e meio, percorremos Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala. Em Guatemala City, ele e eu – Sal e Dean– nos despedimos. Voltei pra São Paulo, e ele seguiu estrada acima até Nova York”. Maurício Monteiro Filho
Por Elisabeth Rosenthal The New York Times. Tradução: George El Khouri Andolfato Edição: Meider Leister
A oca do cacique da tribo Kamayurá, uma estrutura no centro da aldeia no Mato Grosso, é coberta do chão ao teto com sapé e tem entrada por qualquer lado, como todas as estruturas no anel de ocas que forma a aldeia
Enquanto os homens jovens pintados e nus da tribo Kamayurá se preparavam para os jogos de guerra ritualizados de um festival, eles encerraram seu canto de caça ao lado da fogueira com um som de sopro -"uoosh, uoosh"- uma tentativa simbólica de eliminar o odor de peixe, para que não fossem detectados pelos inimigos. Por séculos, os peixes dos lagos e rios da floresta foram a base da dieta dos Kamayurás, a principal fonte de proteína da tribo.
Mas o cheiro de peixe não é mais um problema para os guerreiros. O desmatamento e, segundo alguns cientistas, a mudança climática global estão tornando a região amazônica mais seca e mais quente, dizimando os cardumes de peixe e colocando em risco a existência dos Kamayurás. Como outras pequenas culturas indígenas ao redor do mundo com pouco dinheiro ou capacidade para se deslocar, eles estão lutando para se adaptar às mudanças.
"Nós macacos velhos podemos suportar a fome, mas os pequenos sofrem - eles sempre pedem peixe", disse Kotok, o cacique da tribo, que estava diante de uma oca contendo as flautas sagradas da tribo em uma noite recente. Ele vestia uma camiseta branca sobre o traje tradicional da tribo, que é basicamente nada.
Kotok, que como todos os Kamayurás só tem um nome, disse que os homens agora podem pescar a noite toda sem conseguir uma fisgada nos riachos onde os peixes costumavam ser abundantes; eles nadam em segurança nos lagos antes repletos de piranhas.
Responsável por três esposas, 24 crianças e centenas de outros membros da tribo, ele disse que sua existência antes idílica se transformou em uma espécie de sonho ruim. "Estou estressado e ansioso - isso tudo mudou muito rápido e a vida ficou muito dura", ele disse em português, falando por meio de um intérprete. "Como cacique, eu tenho que ter a visão e olhar mais à frente, mas eu não sei o que acontecerá aos meus filhos e netos."
Um homem kamayurá toma banho nas águas do Lago Ipavu, perto da aldeia. Por séculos, o peixe dos lagos e rios da floresta foram a base da dieta da tribo Kamayurá, sua principal fonte de proteína. Mas o desmatamento e, segundo alguns cientistas, a mudança climática global estão tornando a região amazônica mais seca e mais quente, dizimando os cardumes de peixe e colocando em risco a existência dos kamayurás. Como outras pequenas culturas indígenas ao redor do mundo com pouco dinheiro ou capacidade para se deslocar, eles estão lutando para se adaptar às mudanças
O Painel Intergovernamental para a Mudança Climática diz que até 30% dos animais e plantas enfrentam um maior risco de extinção caso as temperaturas globais subam 2ºC nas próximas décadas. Mas antropólogos também temem uma onda de extinção cultural de dezenas de pequenos grupos indígenas - a perda de suas tradições, artes e línguas.
"Em alguns lugares, as pessoas terão que se deslocar para preservar sua cultura", disse Gonzalo Oviedo, um alto conselheiro de política social da União Internacional para Conservação da Natureza, em Gland, Suíça. "Mas parte dos povos que são pequenos e marginais será assimilado e desaparecerá."
Para sobreviver sem peixe, as crianças Kamayurá estão comendo formigas em seu esponjoso pão chato tradicional, feito de farinha de mandioca tropical. "Não há muitas por aqui porque as crianças as comeram", disse Kotok sobre as formigas. Às vezes os membros da tribo matam macacos por sua carne, mas, como disse o cacique, "é preciso comer 30 macacos para encher a barriga".
Vivendo nas profundezas da floresta sem transporte e pouco dinheiro, ele notou, "nós não temos como ir ao mercado para comprar arroz e feijão para complementar o que está faltando".
Tacuma, o velho e sábio pajé da tribo, disse que a única ameaça da qual se recordava que rivaliza a mudança climática foi o vírus do sarampo, que chegou às profundezas da Amazônia em 1954, matando mais de 90% dos Kamayurás.
As culturas ameaçadas pela mudança climática se espalham por todo o mundo. Elas incluem as dos moradores da floresta tropical como os Kamayurás, que enfrentam a redução da oferta de comida; comunidades remotas do Ártico, onde as únicas estradas eram os rios congelados que agora estão fluindo quase o ano todo; e os moradores de ilhas de baixa altitude, cujas terras estão ameaçadas pela elevação do nível dos mares.
Muitos povos indígenas dependem intimamente dos ciclos da natureza e tiveram que se adaptar às variações climáticas - uma estação de seca, por exemplo, ou um furacão que mata os animais. Mas em todo o mundo, a mudança é grande, rápida e implacável, seguindo em uma única direção: um clima mais quente.
Assentamentos de esquimós como Kivalina e Shishmaref, no Alasca, estão "literalmente sendo levados pelas águas", disse Thomas Thornton, um antropólogo que estuda a região, porque o gelo marítimo que antes protegia suas costas está derretendo e os mares ao redor estão subindo. Sem esse gelo duro, fica difícil, quando não impossível, caçar focas, a base da dieta tradicional.
Alguns grupos esquimós estão processando os poluidores e países ricos, exigindo indenização e ajuda para se adaptarem. "No entender deles, eles não causaram o problema e o estilo de vida deles está sendo ameaçado pela poluição dos países industrializados", disse Thornton, que é um pesquisador do Instituto para Mudança Ambiental da Universidade de Oxford. "A mensagem é que isto afeta pessoas, não apenas ursos polares e a vida selvagem."
Um céu claro e repleto de estrelas sobre o Parque Nacional do Xingu
Para os Kamayurás, as opções parecem limitadas. Eles vivem no meio do Parque Nacional do Xingu, um vasto território que antes ficava nas profundezas da Amazônia, mas agora é cercado por fazendas e sítios.
Cerca de 13 mil quilômetros quadrados da floresta Amazônica são desmatados anualmente nos últimos anos, segundo o governo brasileiro. E com muito menos folhagem, há menos umidade no ciclo regional da água, causando imprevisibilidade às chuvas sazonais e deixando o clima mais seco e mais quente.
Isso alterou os ciclos da natureza que há muito regulavam a vida dos Kamayurás. Eles acordam com o sol e não têm refeições estabelecidas, comendo sempre que estão com fome.
Os cardumes de peixes começaram a encolher nos anos 90 e "entraram em colapso" desde 2006, disse Kotok. Com as temperaturas mais quentes e menos chuva e umidade na região, os níveis das águas dos rios estão extremamente baixos. Os peixes não conseguem chegar aos seus locais de procriação.
No ano passado, pela primeira vez, a praia no lago ao lado da aldeia não ficou coberta de água na estação chuvosa, inutilizando o método da tribo de pegar tartarugas, colocando alimento nos buracos que são enchidos de água, atraindo os animais.
A agricultura da tribo também sofreu. Por séculos, os Kamayurá realizaram seu plantio de verão quando uma certa estrela aparecia no horizonte. "Quando ela aparecia, todos celebravam porque era o sinal para começar a plantar mandioca, já que a chuva e o vento viriam", lembrou Kotok. Mas desde sete ou oito estações atrás, a aparição da estrela deixou de ser seguida por chuva, uma divergência nefasta que forçou a tribo a se adaptar.
De lá para cá tem sido um jogo que muda constantemente de tentativa e erro. No ano passado, as famílias tiveram que plantar sua mandioca quatro vezes -ela morreu em setembro, outubro e novembro porque não havia umidade suficiente no solo. Apenas em dezembro é que o plantio vingou. O milho também fracassou, disse Mapulu, a irmã do cacique. "Ele brotou e murchou", ela disse.
Uma especialista em plantas medicinais, Mapulu disse que a raiz que ela usava para tratar diarréia e outros males se tornou quase impossível de achar porque a flora da floresta mudou. O vegetal que usam para amarrar as vigas essenciais de suas ocas também se tornou difícil de encontrar.
Mas talvez o maior temor dos Kamayurás seja os novos incêndios florestais do verão. Antes úmida demais para pegar fogo, a floresta aqui está inflamável devido ao clima mais seco. Em 2007, o Parque Nacional do Xingu enfrentou pela primeira vez um incêndio, que destruiu milhares de hectares.
"Todo o Xingu estava queimando - aquilo feria nossos pulmões e olhos", disse Kotok. "Não tínhamos para onde escapar. Nós sofremos juntamente com os animais."
Nas negociações para o clima em dezembro, em Poznan, Polônia, a ONU criou um "fundo de adaptação" por meio do qual os países ricos poderiam, em teoria, ajudar os países pobres a se ajustarem à mudança climática. Mas as contribuições são voluntárias e até o momento não ocorreu nenhuma, disse Yvo De Boer, o secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. "Ajudaria se os países ricos pudessem assumir compromissos financeiros", ele disse.
Por toda a história, a resposta final tradicional para as culturas indígenas ameaçadas por condições climáticas ou conflitos políticos dos quais não podem se defender é se mudarem. Mas hoje, a mudança frequentemente é impossível. As terras que cercam os nativos geralmente estão ocupadas por uma população global em expansão, e grupos antes nômades frequentemente são assentados, construindo casas, escolas e até mesmo declarando independência.
Empresa consolidada no estado de Goiás, principalmente por meio de suas lojas Planalto Tratores em Goiânia, Itumbiara e Jussara, amplia sua atuação em todo o Centro-Oeste, abrindo novas atividades e ampliando suas fronteiras de atuação.
“A Planalto Comercial Agrícola, chega a Água Boa para honrar nossa tradição de sempre ser um braço forte a serviço do produtor. Podemos dizer que a Planalto há muito tempo vem namorando Água Boa. É uma cidade com vocação de futuro, é uma região com ares de grandeza, e que por certo, vai ainda escrever brilhantes páginas na história da agropecuária nacional. Exatamente por isso, por também enxergar as oportunidades com um olhar de futuro, a Planalto traçou planos precisos para aqui se instalar", disse ao site Água Boa News o Gerente Comercial José Roberto Papacidro...
Padre Irani (foto)abençoa a nova empresa
Uma nova loja é um sabor de desafio, e chegar a Mato Grosso é sempre muito gratificante, pela força do estado, por seu chão fértil e sua gente vitoriosa. Este novo empreendimento, que amplia as ações da Planalto nesta guerreira região centro-oeste, vem para ficar. Chega à água Boa como a mais nova e uma das mais sólidas, melhores e mais completas opções em serviços e peças para máquinas e implementos agrícolas.
É, assim, portanto, com muita alegria, com um forte espírito de conquista, com muita garra e uma sempre verde esperança, que a equipe da Planalto Comercial Agrícola inicia suas atividades nesta promissora região de nosso Brasil tão querido. Pretende e vai oferecer à cidade e a região a certeira vantagem de um excelente custo benefício, com atendimento de qualidade, onde o que conta e o que mais vale é a plena valorização ao cliente.
“É com muita satisfação que nós produtores recebemos mais esta empresa por que assim temos mais uma opção na hora de adquirir peças e máquinas.” Disse a nossa reportagem o produtor rural Eurides Arenhart que juntamente com o seu irmão Adir são plantadores de soja no município.
Durante a cerimônia de inauguração a diretoria recebeu certificados de empresas fornecedoras que também são parceiras no novo projeto.
O Prefeito Maurição elogia a Proprietária da empresa Priscila
O prefeito de Água Boa Maurício Cardoso Tonhá disse que a presidente da empresa Priscila é uma mulher arrojada, pessoa como o seu avô que criou o grupo no planalto central e que o nome pode ter influenciado para ter tanto sucesso. “A Priscila me ligava querendo uma área e na dava tempo. Se fosse lá ao nordeste seria chamada de mulher cabra macho. Tenho certeza que vocês diretores estão passando apertado na mão dela. E graças a esse esforço e garra que o resultado esta aí. Aqui realmente temos uma cidade que planta o futuro. Como o seu avô.” Disse animado o prefeito.
Após as considerações finais, foi servido um coquetel ao som da dupla Luiz Carlos e Rafael.
Você deve estar curioso para ver os bastidores da inauguração. Vamos fazer um tuor através das nossas imagens...