segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

RODEIO E MAUS TRATOS AOS ANIMAIS

ABC da Ecologia/ Edição: Meider Leister

No Grande ABC e no Brasil ainda temos que conviver com práticas cruéis de maus tratos aos animais. Entramos no terceiro milênio e ainda assistimos estarrecidos a volta do ser humano aos tempos das barbáries. É a prática do tiro ao pombo, das experiências com animais em laboratórios, quando alguns países já substituíram essa prática. Para se ter uma idéia alguns fabricantes de xampu utilizam-se de coelhos, para encher-lhes os olhos com seus produtos a ponto de cegá-los, afim de lançá-los no mercado. A farra do boi de Santa Catarina, apesar de proibida por lei, ainda leva centenas de pessoas a se "divertirem" com a desgraça de um animal. Levados pelo lucro fácil e se utilizando da boa fé do público que desconhece os procedimentos para que se possa realizar os famigerados rodeios, alguns grupos de empresários ainda insistem com essa prática originária do Texas, Estados Unidos.

Esses empresários alegam ser essa "festa" uma tradição no Brasil. Mentira, pois se você observar atentamente verá que o circuito do rodeio lembra um filme americano de faroeste. As pessoas vestidas de cow-boy em nada lembram os nossos humildes caipiras interioranos. Os organizadores desses eventos tentam nos convencer de que essa é uma cultura do interior do Brasil e nós que somos da cidade, as vezes acreditamos. A cultura do interior brasileiro em nada lembra essas roupas estilizadas e caras. O rodeio nos lembra sim, um desfile de escola de samba, onde as pessoas desfilam com seus trajes americanizados de forma a se exibirem.

Lesão na região da virilha causada por sedémSe você já foi a um rodeio, com certeza não viu nem 10% do que ocorre nos bastidores da arena para que o dócil animal, vire como por encanto, um animal bravio. Isso mesmo, colocam naquele dócil animal um apetrecho com o nome de "sedém", que é uma cinta contendo elementos pontiagudos que é amarrada no corpo do animal e ao ser puxada, no instante que a porteira é aberta, comprime-lhe as virilhas e dessa forma, faz com que aquele manso animal saia em disparada pulando e corcoveando, afim de se livrar daquele inconveniente sedém, que lhe provoca dor e tormento. Quem assiste a isso pensa que o animal pula afim de derrubar o "valente" peão.

Esses mesmos organizadores de rodeios afirmam que o sedém não provoca dor e sim cócegas nos animais. Até hoje nunca se viu um animal com sedém a comprimir-lhe os órgãos genitais, pulando e dando risadas. Que animal já disse para alguém que o sedém faz cócegas?

Para quem assiste a este espetáculo dantesco e não conhece os seus detalhes, fica com a impressão de que o animal é bravo, quando na realidade, você pode ir no outro dia até as baias onde eles ficam e se surpreenderá com a doçura dos mesmos.

Esporas pontiagudas ou não, ferem ao serem fincadas com força e violência noanimal, que não é esporeado e sim golpeado por esporas.

São também utilizadas as peiteiras que consistem em cordas de couro fortemente amarradas ao peito, provocando sensações de dor e de asfixia.

Frise-se que os maus-tratos não se reduzem às provas realizadas na arena, já que há longos treinos diários.

Os piores abusos ocorrem antes do animal ser solto na arena. Por recusar-se aentrar no brete -

Animal laçado duplamente, causando danos à coluna vertebral e lesões orgânicas

estreito cercado onde Ihe é colocado o sedém, o animal é submetido a toda espécie de tormentos sendo espancado, recebendo golpes de paus, varas pontiagudas e de correias; puxões, areia nos olhos e pontapés, sendo registrado casos de introdução de gengibre no ânus do animal. Logo após o sedém é tracionado comprimindo-lhe sua virilha ao máximo, seguido de choques elétricos. Após a queda do "valente cow-boy", um outro ator, geralmente vestido de palhaço, desprende a correia que aperta a virilha do animal, fazendo com que dessa forma o mesmo pare de pular. Caso ocorra um imprevisto e se demore no afrouxamento do sedém, o animal continuará pulando por tempo indeterminado. Isto prova o quando esse apetrecho (sedém) incomoda.

Todavia, não é somente o animal que sofre maus tratos, pois o próprio "peão" as vezes sofre acidentes, por vezes fatais.

Devemos incentivar a festa sertaneja, com músicas e comidas típicas, porém, abominar essa prática texana trazida ao Brasil.

No Grande ABC várias cidades já aboliram através de leis essa farsa chamada rodeio, a partir de um trabalho desenvolvido pela UIPA-União Internacional Protetora dos Animais, junto aos vereadores. Recentemente, houve uma tentativa de se burlar a lei que proíbe essa prática, nas cidades de Diadema e São Caetano, ocorrendo o maior fiasco, pois as promotorias públicas dessas cidades impediram os rodeios, liberando somente as festas com os artistas sertanejos.

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