domingo, 20 de novembro de 2011

Plínio: PSOL sobreviverá sem a Heloísa Helena

Candidato à presidência em 2010, ele fala do momento conturbado do partido e diz que os jovens estão desiludidos com a política
Plínio de Arruda recebeu 900 mil votos em 2010 / Foto: Guilherme Lara Campos/AE
Nas eleições de 2010, Plínio de Arruda Sampaio ganhou destaque nos debates e conseguiu cerca de 900 mil votos, o que lhe rendeu um quarto lugar na disputa, atrás de Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. Atualmente, ele não pensa em se candidatar para 2012 e está mais preocupado com o momento conturbado que o PSOL enfrenta.



O partido deve perder Heloísa Helena, que tem desavenças com parte dos militantes. Plínio abriu o jogo em entrevista ao Portal da Band e revelou que a própria Heloísa não concordou com sua candidatura em 2010. Aos 81 anos, o advogado e professor também disse que o principal problema do PSOL é o de ter mais “luta interna do que externa”.



Plínio ainda falou sobre os escândalos de corrupção nos ministérios do governo Dilma. Ele disse que Lula e José Dirceu fazem o que querem com a presidente e afirmou que o jovem brasileiro perdeu a capacidade de se manifestar como no tempo da ditadura, tudo por causa da “desilusão” com os políticos.



Como está a situação do PSOL, a Heloísa Helena está de saída?


A Heloísa Helena, de fato, teve um problema muito difícil com a direção e a maioria dos militantes. Ela não aceitou muito bem minha candidatura e também não conseguiu se eleger em Alagoas. O PSOL é composto por gente muito séria, mas tem um problema de que a luta interna é mais forte do que a luta externa.



A Heloísa deve seguir a Marina Silva na criação de um novo partido?


Não sabemos o destino dela. Ela é imprevisível, e não se sabe o que pode acontecer. Pode ser que ela vá, ou não. Ninguém é capaz de dizer. Agora, é fundamental ressaltar que o partido sobrevive sem ela. O PSOL segue seu crescimento independente do que acontecer.



Por que você não sairá candidato em 2012?


Não sairei candidato agora. Temos três candidatos em São Paulo (Ivan Valente, Carlos Giannazi e Odilon Guedes). Eu apoio o Guedes... Mas você sabe que político só perde suas ambições quando morre. Pode ser que tenha alguma coisa pela frente em 2014. Mas isso vai depender do partido. Eu estou pronto, só não vou forçar. Se me convidarem, estarei aqui. Eu acho que minha candidatura nas Eleições de 2010 foi bem positiva, e mostrou muita coisa. Fica mais uma vez a ideia colocada.



Você tem acompanhado a atual gestão do governo Dilma, que está sendo marcada pela queda de vários ministros envolvidos em escândalos?


Tenho acompanhado atentamente. E eu vejo nisso a total incapacidade e a triste deterioração do PT. Quando eu estava no partido, uma vez chegou uma notícia no Plenário de que existia uma bomba que iria estourar na tesouraria de alguém. Todos os meus colegas se levantaram, preocupados. Eu permaneci porque sabia que não teria nada no PT. Mas hoje você vê como a traição política e a traição ética mudaram as coisas...



A Dilma tem poder?


Ela não tem nenhum poder. É evidente que o Lula, através de seu preposto Zé Dirceu, que sempre foi aceito, comandam tudo. O Lula reina e o Zé Dirceu governa. Ela não tem liberdade. Foram todos colocados lá pelo próprio Lula. Ele mesmo não esconde isso. É o Lula que resolve.



Pelo Twitter, você defendeu os estudantes da USP no confronto contra a polícia. Eles são revolucionários?


Eles não são revolucionários. A universidade é um local de liberdade. Uma vez que se tem a polícia no campus, existe a prisão que não é criminal, mas de natureza política. A universidade precisa ter sua própria polícia, para dar segurança aos alunos e aos professores. Eu fiquei bobo de ver que muita gente foi contra. Mas tudo isso é reflexo do reitor atual (João Grandino Rodas), que é persona non grata na própria USP.



Os jovens estão cada vez mais desinteressados pela política?


Eu nunca me preocupei com o emprego porque sabia que teria um convite quando fosse formado. Hoje, os estudantes estão preocupados com estágio, ter inglês, especialização não sei do quê. Isso tira muito tempo e, uma vez que as escolas não ensinam nada sobre política, eles perdem o interesse. Uma vez eu falava para 40 jovens, entre 25 e 40 anos, e eles não sabiam quem era Getúlio Vargas, só quatro levantaram a mão quando perguntei.



Nos últimos meses, ocorreram alguns protestos pelo Brasil contra a corrupção, mas nada que, digamos, chegasse a assustar “os políticos”. O brasileiro perdeu a capacidade de se manifestar?


A massa está desiludida. Ela acreditou nas Diretas, de que os militares deveriam voltar para o quartel, e nada deu certo, ficou o Sarney lá. Agora é o Lula. Todo mundo acreditou nele e não deu em nada. Então naturalmente o interesse foi caindo. Antigamente os carros de som falavam que haveria um comício e milhares se reuniam. Hoje é tudo diferente...




Acha que foi uma boa o Brasil realizar uma Copa e uma Olimpíada em meio à crise financeira que abala o mundo?


Foi uma irresponsabilidade total. Mesmo que não haja roubo, é um absurdo jogar dinheiro numa coisa que não tem dinâmica de crescimento. Essa bonança do Brasil é um resultado da produção da própria crise. Os grandes capitais dos países ricos ficaram sem crescimento, e procuraram mercados externos. E o Brasil colocou uma taxa de juros absurda para atrair toda essa especulação financeira, que joga o dinheiro aqui e pressiona nossa moeda... As pessoas acham que subiram de classe C para a B porque compraram uma geladeira, mas se esqueceram de que seus filhos estão numa escola que não ensina nada...

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