As dez mais de 18 de março
Por Kassu - 18/03/2009 às 12h25
Boa tarde,
Este é um roteiro do que há de mais relevante nos principais jornais nacionais e internacionais hoje. Todos os dias, de segunda a sexta-feira, o boletim eletrônico estará disponivel em AGUA BOA NEWS.
Boa leitura.
1. Qual é o legado de Clodovil?
A morte do deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP) levantou um debate sobre o que esta controversa personalidade deixa como legado. Para o colunista de ÉPOCA Paulo Moreira Leite, Clodovil será lembrado por “uma carreira de parlamentar de declarações escandalosas, mas medíocre pelas realizações do ponto de vista do interesse público”. Mas não nega que o estilista “ajudou a tirar o Brasil da idade das cavernas” no campo do comportamento sexual. A impressão que fica é que Clodovil escureceu sua imagem de “transgressor” ao se enredar na política. Seu slogan era “Brasília nunca mais será a mesma”. Talvez Clodovil não tenha sido mais o mesmo, pois nada mudou no Congresso com sua chegada. Curiosamente, segundo o Correio Braziliense, ele preparava para ontem um jantar em comemoração à manutenção de seu mandato pelo TSE, que estava em risco pela acusação de infidelidade partidária. Não houve tempo de festejar algo que, pensando bem, nem merecia tanta festa.
Política
2. Congresso vai limitar poder de MPs
Os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiram que as Medidas Provisórias não poderão mais trancar toda a pauta de votação do plenário das duas Casas – agora, as MPs só vão poder bloquear a votação de projetos de lei. A decisão limita o poder do presidente da República de determinar o ritmo da agenda do Congresso e libera os parlamentares para legislar sobre assuntos que não são de interesse direto do Executivo. É uma queda-de-braço antiga entre os dois Poderes, que vem desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. O Estadão lembra, porém, que a medida abre espaço para o PMDB comandar ainda mais as decisões do Legislativo, uma vez que os presidentes das duas Casas são do partido.
3. Secretário de segurança de SP deixa o cargo
Numa das funções mais sensíveis do governo paulista, o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, pediu demissão do cargo ontem, como informa uma nota da coluna Painel, da Folha (para assinantes). Marzagão, que comandava a secretaria desde o início da gestão de José Serra (PSDB), alegou “motivos estritamente pessoais”, mas era consenso no Palácio dos Bandeirantes que as denúncias de corrupção envolvendo seu ex-secretário-adjunto, Lauro Malheiros Neto, o deixaram numa situação incômoda, mesmo sem nenhuma evidência de que ele soubesse do esquema de venda de cargos dentro da polícia civil. Alguém tinha de ser sacrificado como uma “resposta” do governo ao escândalo. Marzagão aceitou a ingrata tarefa. Em seu lugar assume interinamente o atual adjunto, Guilherme de Camargo.
Operação Satiagraha
4. Protógenes é indiciado pela PF
A informação é do Estadão: o delegado federal Protógenes Queiroz foi indiciado ontem pela própria Polícia Federal por dois crimes: quebra de sigilo funcional e violação da Lei de Interceptações, que regulamenta as escutas telefônicas. Para a corregedoria da PF, Protógenes vazou dados sigilosos da Operação Satiagraha e desrespeitou a Lei do Grampo ao mobilizar 84 agentes da Abin e lhes dar acesso total ao conteúdo das escutas – por conta disso, fica sujeito a pena de reclusão de dois a quatro anos. Segundo a reportagem, Protógenes “se indignou com o indiciamento, mas não demonstrou surpresa - já esperava”. Agora, cabe ao Ministério Público Federal oferecer ou não denúncia contra o delegado.
5. PF investiga se Dantas doou R$ 30,4 milhões ao “partido”
A Folha (para assinantes) informa que a Operação Satiagraha apreendeu, no apartamento do ex-banqueiro Daniel Dantas, no Rio, dois papéis descritos como “extratos” e nomeados como “contribuições ao partido”, num total de R$ 30,44 milhões. Mas o auto de apreensão não esclarece o principal: qual seria a sigla partidária. O material deve constar do relatório final do inquérito. Por meio de sua assessoria, o grupo Opportunity diz que Dantas “não reconhece” os papéis, mas afirma que “não foi feita qualquer contribuição a qualquer partido político”.
Política externa
6. Lula pretende combater a pobreza na África após 2010
É possível que muita gente se pergunte o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai fazer quando deixar o Palácio do Planalto em 2010 (uma vez que ele já deixou claro sua recusa a um movimento pelo terceiro mandato). Uma reportagem do Valor Econômico (para assinantes) vem com uma possível resposta. Segundo o jornal, Lula quer criar um instituto de combate à pobreza na África, o que já foi tema de conversas com empresários interessados em patrocinar a ideia. No encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Lula falou das oportunidades de negócios para os dois países no continente africano, principalmente na cadeia do etanol. Sem dúvida, é uma proposta nobre.
Mundo
7. A reviravolta no julgamento de Josef Fritzl
O julgamento do austríaco Josef Fritzl, que manteve sua filha Elizabeth presa a um porão por 24 anos e a violentou ao longo desse período, chegou nesta quarta-feira a seu terceiro dia com uma surpresa: Fritzl, que havia negado responsabilidade sobre a morte de um dos filhos que teve em suas relações incestuosas com Elizabeth, admitiu ter sido negligente com a saúde do bebê, morto em decorrência de problemas respiratórios. O jornal britânico The Guardian diz, citando o advogado de Fritzl, que a mudança no depoimento dele ocorreu após ser veiculado no tribunal um vídeo de 11 horas em que Elizabeth relatava com detalhes os anos de sofrimento no porão. A defesa de Fritzl tenta apelar para sua suposta debilidade mental, mas tudo leva a crer que o tribunal o condenará à prisão perpétua.
8. Devolva-me, AIG
A Secretaria de Tesouro dos Estados Unidos encontrou uma saída para atenuar o efeito do polêmico bônus de US$ 165 milhões concedido pela cambaleante seguradora AIG a 470 executivos, dos quais 52 já deixaram a companhia. A Casa Branca anunciou que vai deduzir esse valor dos US$ 30 bilhões do pacote oficial de ajuda à empresa que ainda estavam pendentes. O modo inflexível como Barack Obama lidou com o episódio agradou ao cidadão comum, já cansado de o dinheiro de seus impostos socorrer empresas ineficientes, mas o The Washington Post informa que nem todo mundo vê com bons olhos a posição do governo. Oficiais do próprio Tesouro temem que essa investida contra a AIG leve grandes investidores privados a desistir de participar do esforço conjunto com o governo para comprar créditos podres de bancos, entre outras ações na economia. Para alguns deles, a intervenção federal em questões internas de grandes companhias está sendo excessiva. Cada um com seu ponto de vista...
Religião
9. A camisinha, a aids e o papa
O papa Bento XVI tem todo o direito de ter suas opiniões, baseadas na fé católica. O problema é o impacto que elas podem ter em determinadas situações. Ao conversar com jornalistas no voo que o levava para um giro na África, iniciando em Camarões, Bento XVI afirmou que não se pode resolver a disseminação da aids com “slogans publicitários nem com a distribuição de preservativos” que, a seu ver, “só aumentam o problema”. “A única via eficaz para lutar contra a epidemia”, diz o papa, “é a humanização da sexualidade”. Em outras palavras, a abstinência. O diário espanhol El País lembra que 22,5 milhões de africanos estão infectados pelo vírus – 68% do total no mundo. Não é difícil imaginar o perigoso desdobramento do desestímulo papal ao uso da camisinha no continente onde o catolicismo registra o maior crescimento no número de fiéis.
10. A polêmica da pontuação na F1
A notícia mais discutida ontem na área esportiva foi a mudança no sistema de disputa da Fórmula 1: já a partir desta temporada, que começa no dia 29, na Austrália, o campeão será o piloto que tiver o maior número de vitórias, sem necessariamente ter obtido mais pontos ao longo do ano. Para exemplificar: Felipe Massa, que terminou a temporada passada apenas 1 ponto atrás de Lewis Hamilton, levaria o título com a nova regra, pois teve uma vitória a mais que o inglês. Seria justo? Vale lembrar, porém, que a mudança não é retroativa. A decisão da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) foi criticada por vários pilotos. Segundo a revista Autosport, o chefão comercial da F1, Bernie Ecclestone, acredita que o novo sistema vai tornar a corrida mais emocionante, pois ninguém vai se acomodar com o segundo lugar. Pode até ser, mas certamente vai confundir o público.

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