SãO MIGUEL DO ARAGUAIA GO. Como produzir sem incentivos
Ele é pequeno produtor. Não tem apoio oficial de bancos e de governos. Tem apenas um pequeno pedaço de terra. Mas lhe sobra vontade de trabalhar e ver a sua plantação de abacaxi dar frutos
O pequeno produtor Justiniano Nunes Neto mostra que vontade de trabalhar pode superar a falta de incentivos oficial.
O pequeno produtor Justiniano Nunes Neto, o Júnior, do Assentamento Campo Alegre, em São Miguel do Araguaia, está provando que, com esforço e dedicação, nossos sonhos podem, sim, tornar-se realidade. No final de 2006, Júnior iniciou uma plantação de abacaxi utilizando cerca de dois alqueires, dos 35 que possui no assentamento, e o empreendimento começa, agora, a dar resultados. No total, foram plantadas duzentas mil mudas do fruto, da variedade Pérola, uma das mais cultivadas no Brasil.
Júnior conta que o investimento inicial ficou em torno de R$ 25 mil, sem contar as horas de trator e o óleo diesel empregado. A mão de obra utilizada foi a sua própria e de mais dois companheiros, que recebem uma porcentagem da colheita. No início dos trabalhos, o pequeno produtor contou com a orientação de um técnico agrícola da Agenciarural do município, mas, com a dispensa do profissional pelo órgão, Júnior perdeu esse importante colaborador, que, de maneira voluntária, ainda deu algumas dicas ao agricultor.
O produtor espera, também, um incentivo maior do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, da prefeitura e do Ibama (Instituto do Meio Ambiente). Deste último, Júnior espera a liberação de desmatamento para ampliar a área plantada, pois já possui um 1,5 milhão de mudas e não quer perder o próximo período para a plantação dos frutos.
“Minha intenção agora é plantar quinhentas mil mudas e já procurei o órgão várias vezes para liberar a área, sem conseguir nada”, lamenta o pequeno produtor.
SUCESSO
Cerca de 10 estabelecimentos comerciais na cidade estão sendo abastecidos com o produto, além dos carregamentos despachados ao Ceasa de Goiânia e de uma entrega a um atravessador de São Paulo. Júnior se diverte ao relatar que certo dia ofereceu o fruto a um comerciante da cidade, sendo avisado que ele acabara de comprar abacaxi do Ceasa. “Quando fui ver o abacaxi, não é que era o meu?!” ri.
Além das entregas, Júnior e a mulher podem ser vistos diariamente na Avenida J.P. do Nascimento com o seu carro de frutas, vendendo no varejo. “São 450 ‘abacaxi’ todos os dias”, comemora.
Desse modo, o casal está garantindo, além da própria sobrevivência, os estudos da filha, que faz o primeiro semestre do curso de Farmácia, em Gurupi, no Tocantins. Outros dois filhos do casal residem atualmente na Espanha, mas devem retornar em breve.
Falta incentivo
O pequeno produtor Laureano Menezes de Moraes, que também possui uma parcela no Assentamento Campo Alegre, torce muito para que o empreendimento de Júnior tenha prosseguimento. Ao mesmo tempo, ele também reclama da falta de incentivo que os pequenos produtores rurais encontram para prosseguir com os seus projetos.
O grande problema enfrentado por Laureano Moraes é a falta de água em sua parcela, que só permite a utilização das terras no período chuvoso. Para ele, há falta de interesse por parte dos órgãos responsáveis, pois acredita não ser complicado construir um poço artesiano no local. “Um poço serviria a várias propriedades e permitiria que eu ficasse produzindo na minha parcela”, diz.
Atualmente, Laureano Moraes produz banana em terras de terceiros cedidas para ele, mas alimenta, ainda, muita esperança de retomar a plantação de melancia em sua parcela. “É só resolver esse problema da falta de água”.
por Gil Bueno/Diário do Norte/Publicado por Kassu.
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