quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Notícias Agrícolas - 16/10/2008



Commodities voltam aos preços de 2007


16/10 - 00:00
Em movimento intimamente ligado ao das declinantes bolsas de valores, os preços de soja, milho e trigo no mercado futuro mantiveram ontem a rota de forte baixa das últimas semanas, motivada pelas incertezas sobre a resposta da economia à crise atual. Nas três commodities agrícolas, os preços desta quarta-feira não eram registrados desde 2007.

A cotação da soja já caiu praticamente pela metade desde que atingiu seu pico histórico, há apenas três meses. Na bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em janeiro de 2009 recuaram 38,75 centavos de dólar, ou 4,25%, para US$ 8,7250 por bushel. Segundo o Valor Data, esse patamar não era atingido pelos contratos de segunda posição de entrega (normalmente os de maior volume negociado, posição atualmente ocupada pelos papéis para janeiro) desde 28 de agosto de 2007, quando o papel foi negociado por US$ 8,7225 o bushel.

Preço baixo como o de ontem estava ainda mais distante no caso do trigo. Os contratos com vencimento em março de 2009 caíram 17,75 centavos de dólar na bolsa de Chicago, ou 2,98%, para US$ 5,76 o bushel. O patamar para os contratos de segunda posição manteve-se intocado desde 11 de junho de 2007.

Os contratos de milho para março do próximo ano caíram 23,50 cents, para US$ 4,0550 - os papéis de segunda posição não desciam a esse nível desde dezembro. Analistas crêem que o andamento das commodities agrícolas continuará ligado ao das bolsas, já que há muitas incertezas sobre a demanda global



Aftosa: Indea à espera de R$ 5 milhões

16/10 - 05:26
O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea) está aguardando a liberação de R$ 5 milhões solicitados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para aplicação no programa de sanidade animal. Os recursos referem-se ao exercício de 2008.

De acordo com o presidente do Indea/MT, Décio Coutinho, o último repasse relativo ao orçamento de 2007, no valor de R$ 4,99 milhões, foi feito no começo deste ano pelo Mapa.

“Já se tornou praxe o ministério atrasar o repasse do dinheiro para a sanidade animal, porém o orçamento vem sendo cumprido. Agora estamos reivindicando a primeira parte dos recursos deste ano para que possamos implementar nossas ações”, afirmou Coutinho, acrescentando que o programa jamais deixou de ser executado integramente em Mato Grosso mesmo com o atraso dos recursos.

Ele afirmou que a liberação dos recursos é importante neste momento em que Mato Grosso se prepara para dar início a terceira e última etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa do ano, no mês de novembro. Esta etapa é obrigatória para todos os animais do Estado – inclusive para a região do Pantanal – e para todas as faixas etárias.

Coutinho afirmou estar tranqüilo quanto ao sucesso da próxima campanha, pois todos os segmentos envolvidos – órgãos de defesa sanitária, pecuaristas, sindicatos rurais, prefeituras e o Fundo Emergencial para Febre Aftosa (Fefa) – já estão mobilizados. A campanha, que deverá vacinar 26 milhões de bovinos em Mato Grosso, começa no dia 1° de novembro e se estende até o dia 30 do mesmo mês em todo o Estado. Somente o Pantanal terá o prazo estendido até 15 de dezembro devido às dificuldades de manejo nesta época do ano na região.

VACINA – Coutinho informou que o Indea solicitou ao Mapa a liberação de 30 mil doses de vacinas para a etapa de vacinação do mês de novembro. As vacinas estarão disponíveis no comércio agropecuário sete dias antes do início da campanha, ou seja, a partir do dia 24 de outubro. A distribuição das doses – que serão comercializadas ao preço de R$ 1 a R$ 1,2/dose, dependendo da região - será feita em três etapas. Normalmente, as indústrias mantêm contato com as revendas locais e fazem a distribuição [da vacina] de acordo com as necessidades de cada região. Todas as regiões terão de vacinar seu gado na etapa de novembro, que é obrigatória para todas as faixas etárias do rebanho, de “mamando a caducando”.

“Mais uma vez contamos com o apoio dos pecuaristas, que sempre foram nossos parceiros, para mais esta empreitada. É hora de mantermos e melhorarmos os níveis de vacinação conquistados nas últimas campanhas. Mato Grosso precisa manter este controle para continuar com 100% do seu território declarado livre de aftosa com vacinação pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE)”, frisou o presidente do Indea, Décio Coutinho.

Ele lembrou que os proprietários que encontrarem dificuldades para realizar a vacinação devem procurar uma unidade regional do órgão, os sindicatos rurais, os comitês, as secretarias de Agricultura dos municípios ou buscar informações pelo telefone do “Disque-Aftosa”, 65-800-30-15.

DAutor: MM
Diário de Cuiabá


Saca da soja vai contabilizando perdas financeiras com a crise mundial

16/10
- Cotações despencam até 25,68% em um mês. Trinta dias depois da convulsão mundial, oleaginosa tem pior cotação em 12 meses


A crise chegou à Agricultura

*Por Ágide Meneguette

16/10
A “marola” da crise financeira que está fazendo estragos no mundo e que pouco afetaria o Brasil, na visão do presidente da República, já está causando prejuízos à agropecuária, que vão se agravar mais quando chegar a época da colheita da próxima safra.

Esse injustificável otimismo do Governo Federal parece ser responsável pelo imobilismo de setores financeiros federais, especialmente aqueles voltados para o setor.

Mal saindo de uma renegociação de dívidas, que ainda não se concretizou em sua maior parte, os produtores rurais já enfrentam novas dificuldades.

A primeira delas diz respeito ao volume de produção. Certamente o Brasil, e o Paraná em conseqüência, não atingirão as estimativas ufanistas dos organismos do Governo uma vez que os custos de produção aumentaram em mais de 30% principalmente pela alta dos preços dos fertilizantes, enquanto o crédito ficou praticamente do mesmo tamanho, obrigando o produtor a usar menos tecnologia, ou a diminuir a área de plantio ou ainda a buscar recursos onerosos e outras fontes. E há, ainda, problemas adicionais.

Refiro-me ao comportamento dos bancos que, ao invés de facilitarem a renegociação de dívidas e fornecerem novos créditos, exigem o pagamento integral dos débitos e, em alguns casos, negam-se a contratar financiamento para o plantio desta safra, deixando o infeliz agricultor na mão.

Essa crise, que já se consagrou como um “tsunami”, tal o seu poder de devastação da economia mundial, é responsável pelas incertezas do mercado. Como estarão os preços, o volume de demanda, a capacidade de honrar o pagamento das compras quando chegar a hora de comercializar a produção? Se ninguém se arrisca prever como se comportarão as bolsas e a oscilação das moedas entre manhã e tarde, como fazer previsões de que o “mundo precisa comer” e por isso o agronegócio deixaria de ser afetado pelas mazelas da economia?

Assim como o Banco Central vem fazendo com o sistema financeiro, fornecendo recursos para evitar uma “quebradeira” generalizada – o que é correto e louvável – o Governo Federal precisa fazer com o agronegócio brasileiro.

A questão do endividamento merece um tratamento mais sério por parte do setor financeiro, assim como o financiamento da safra lembrando que a natureza não espera e que neste mês de outubro estamos no auge do plantio da próxima safra de verão.

Temo que, se não forem tomadas as medidas certas, o setor rural acabe engolfado numa nova crise de endividamento, como ocorreu na década de 1990 e nos anos recentes deste século. O Governo – e a sociedade – devem ter em mente que é o agronegócio é o responsável pelos saldos em nossa balança comercial, saldos esses que permitiram ao País liquidar a sua dívida externa e se colocar em posição menos desconfortável perante a economia mundial.

*Ágide Meneguette é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).

Faep (Federação da Agricultura do Paraná)

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