segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Criminosos adotam diferentes táticas para celulares entrarem em presídios

Fantástico mostrou as diferentes táticas usadas para que aparelhos entrem nos presídios.
Perucas também são usadas para levar celulares até os presos ilegalmente.





Esfiha aberta, fechada, esfiha de carne, de legumes. Essas todos vocês ai de casa, conhecem, certo? Mas você já ouviu falar em esfiha recheada de celular? Mas já tem nas cadeias de São Paulo.


“Nas nossas investigações, a gente pode dizer que todas as cadeias têm celular”, afirma Roberto Wider Filho, promotor de Justiça.

Por telefone celular, saiu uma das mais novas determinações dos criminosos que agem dentro e fora dos presídios de São Paulo. Viciado em drogas - com comportamento que desperta atenção da polícia - não pode continuar na quadrilha: “O irmão mentiu, tava fumando crack , traiu nós, não respeitou o ‘salve’. Nossa opinão é exclusão”.

“Cada vez mais essa facção está se profissionalizando. E a única forma de comunicação rápida é o telefone celular”, explica Sandra Reimberg, promotora.

Já houve tentativas de enviar os telefones por cima dos muros das cadeias, usando até pipas e pombos.

Semana passada, a polícia descobriu outra estratégia: duas mulheres chegaram ao ponto de cortar o cabelo dos filhos e colar perucas - para esconder celulares desmontados.

Elas iam visitar os maridos. As crianças têm 5 e 6 anos e agora vão ser acompanhadas pelo Conselho Tutelar.

“Uma delas reclamou, fui passar a mão na cabeça, reclamou que tava doendo. Tinha muita cola na cabeça”, conta Inês Vitória dos Santos, conselheira tutelar.

Domingo, 21 de setembro. Dia de visita no Centro de Detenção Provisória do Belém, às 7 da manhã, num telefonema gravado com autorização judicial, Ronaldo Roberto, um dos presos da cadeia, conhecido como Pateta, fala sobre um grupo de oito meninas, aliciadas pelo crime.

A visita, diz ele, é só um pretexto pra que levem drogas e celulares - escondidos no corpo.

¶sobe som grampo pateta com mulher disco sp119 6:45 + 7:00
Mulher - Já é tudo treinadinha?
Pateta - Tudo treinada, tudo. (risadas)
Mulher - Você tem um exercito. pra que tudo isso?
Pateta - Tem, vai pra São Bernardo, Osasco, Franco da Rocha.

Atrás do muro, está o preso conhecido como Pateta. Condenado por tráfico, seqüestro e formação de quadrilha, ele vende lá dentro, segundo o Ministério Público, cerca de R$200 mil em drogas por mês. A investigação também revelou que - em 15 dias - de um único celular usado pelo criminoso, foram feitas mais de 3 mil ligações.

“A impressão que fica é que eles ficam absolutamente à vontade dentro do presídio, absolutamente sem nenhum controle”, afirma a promotora Sandra Reimberg.

Ronaldo Roberto, o Pateta, confirma que Marcos Camacho, o Marcola, é o chefe da quadrilha.

Mulher: Quem comanda tudo isso ai não é o Tio Marcola?
Pateta: É ele mesmo.

Marcola está preso há mais de um ano na penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau, chamada de P2..

Marcola não fala ao telefone. Mas a investigação descobriu que Marcelo Rossinholi, o Velhote - outro preso da P2 - é um dos comparsas que repassam as ordens da quadrilha.

Em agosto deste ano, os promotores denunciaram Velhote e outros 32 criminosos por participação em vários crimes. Um ofício chegou a ser encaminhado pedindo providências.

Nesta semana, o Ministério Público fez uma nova denúncia à Justiça. Integrantes da quadrilha continuaram com os mesmos celulares, para planejar assaltos e vender cocaína.

velhote e flavio marques ( bruce )

Velhote - 10250 (reais). É o maximo que eu vou conseguir lá.
Homem - É igual aquela nossa que veio.
Velhote - É melhor.

Segundo funcionários que não quiseram se identificar, as refeições da penitenciária de Presidente Venceslau são feitas por presos de uma cadeia que fica a 30 quilômetros de distância e transportadas por caminhões.

Os funcionários disseram que a comida não passa por revista. No dia 28 de novembro, sobraram cerca de 30 esfihas.

Um agente penitenciário resolveu comer o salgado e descobriu um celular misturado com o recheio.

As outras esfihas foram abertas e mais um aparelho foi encontrado.

Ainda não há resposta pra seguinte pergunta: e as 600 esfihas que os presos receberam - tinham ou não mais celulares?

Procurado pelo Fantástico, o Secretario de Administração Penitenciária de São Paulo preferiu não gravar entrevista.

Em nota, informou que, de janeiro a agosto deste ano, mais de seis mil celulares foram apreendidos nas cadeias de São Paulo.

A Secretaria alega que não recebeu a denuncia do Ministério Publico e que intensificou a revista nos presídios e que investiu 34 milhões de reais na compra de aparelhos de raio-X e detectores de metais.

“O nosso sistema penitenciário é completamente desorganizado. Isso não pode ser tolerado pela sociedade”, Roberto Wider Filho, promotor.

Seja o primeiro a comentar

Copyright©| Desde 2008 | AGUA BOA NEWS COMUNICAÇÃO LTDA | Template customized by Michel Franck

Início