domingo, 28 de dezembro de 2008

Crise traz descendentes de volta a MT

Jovens que foram para o Japão tentar um caminho profissional promissor estão voltando desempregados, movidos pela convulsão financeira mundial

ALECY ALVES
Da Reportagem /Diário de Cuiabá

Lísia Noda, recém-chegada da cidade de Komaki, relata que perdeu o emprego em fábrica de autopeças

A crise financeira mundial já afeta os brasileiros que foram trabalhar no Japão. Muitos, entre os quais dezenas de mato-grossenses, perderam o emprego e estão voltando para casa. Outros, com dificuldades financeiras, preferem permanecer naquele país aguardando o pagamento do seguro desemprego para custear as despesas do retorno.

A publicitária cuiabana Lísia Noda, de 26 anos, acaba de chegar da cidade de Komaki, região de Achi-Ken, porque perdeu o emprego na fábrica de autopeças onde trabalhava.

Júlio Sonoda, que também mora em Cuiabá e vive no Japão há 9 meses, está desempregado desde a semana passada, mas prefere aguardar em território japonês a liberação do seguro.

A cidade onde Lísia morava integra uma região que concentra grande número de brasileiros em diversas cidades próximas. Lá, a ameaça de desemprego se tornou o grande temor dos dekasseguis (descendentes brasileiros de japoneses que vão para o Japão trabalhar). Ela tinha visto de permanência de três anos, mas não chegou a completar dois e decidiu voltar.

Lísia contou que logo que foi demitida, no final do mês passado, ainda procurou emprego em outras fábricas. Entretanto, notou que a recolocação no mercado japonês estava difícil não somente para ela e, por isso optou pela antecipação da volta.

Os planos dela eram ficar no Japão pelo menos até final de janeiro de 2009, se tivesse emprego que valesse a pena. Trabalhando em média 12 horas por dia, com folga uma vez ao mês, Lísia ganhava em torno de US$ 14 por hora.

A princípio, avaliou, essa remuneração poderia parecer atrativa, se comparada à média salarial brasileira. No Japão, com a moeda nacional, o iene, valendo o mesmo que o dólar e o custo de vida alto, Lísia disse que ficava quase impossível fazer uma poupança. “Não tive prejuízo, mas também não trouxe dinheiro pra casa”, disse.

A queda na oferta de empregos para dekasseguis pode ser medida, segundo Lísia, pelo índice de anúncios nas publicações alternativas, uma espécie de classificados, editadas em português e distribuídas gratuitamente.

Ela mostrou uma dessas revistas, anteriores à crise, com centenas de páginas e milhares de empregos. “As edições atuais não apresentam nem a metade dessa oferta”, completou.

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