quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Resumo de Notícias Agrícolas - 03/11/2008

Fonte: Imprensa Nacional
Edição Kassu

Famato obtém decisão favorável na Justiça contra greve do Indea

Instituto terá 24 horas para liberar as guias de trânsito animal aos pecuaristas estaduais

TANIA NARA MELO
Da Reportagem/Diário de Cuiabá

Rebanho estadual poderá sofrer retaliações da comunidade européia

O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) terá prazo de 24 horas para liberar as Guias de Transporte Animal, as GTAs, e retomar o atendimento aos produtores rurais que precisam comunicar a realização da última etapa de vacinação contra a febre aftosa. A determinação foi anunciada no final da tarde de ontem, pelo juiz Alberto Ferreira de Souza, da quinta Vara da Fazenda Pública, que concedeu decisão favorável ao Mandado de Segurança Coletivo protocolado na última segunda-feira, pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), no Fórum Cível de Cuiabá.

No despacho, o juiz determinou também a manutenção da escala de servidores públicos nas unidades do Indea/MT localizadas em várias cidades do interior de Mato Grosso. Sem o funcionamento dos escritórios, os pecuaristas ficam a GTA e sem poder confirmar a vacinação do rebanho, imunizado durante o mês passado contra a febre aftosa.

A assessora jurídica da Famato assegura ainda, que caso o Indea/MT não atenda às exigências determinadas pelo parecer, a entidade deverá requerer no próprio processo a aplicação de uma multa diária, cujo valor será estipulado pelo magistrado. O prazo de 24 horas começar a valer a partir do momento que o Instituto for oficialmente notificado, o que até o início da noite de ontem, conforme apurou o Diário, ainda não havia ocorrido, como garantiu o presidente do Indea/MT, Décio Coutinho.

“O setor produtivo não pode ficar refém de uma questão puramente relacionada a uma insatisfação ligada às questões políticas e salariais do Órgão (Indea)”, enfatizou a advogada do Departamento Jurídico da Famato, Elisete Araújo.

ARGUMENTO - O mandado de segurança coletivo contra o Indea teve o objetivo de garantir a manutenção da normalidade nos serviços de emissão das GTAs e da comunicação de vacinação contra a febre aftosa. A Famato quer assegurar o funcionamento das unidades do Indea, já que o efetivo correspondente aos 30% exigidos pela legislação foi deslocado para fiscalização nas 10 barreiras fitossanitárias da fronteira Brasil-Bolívia e postos interestaduais. “Não há nenhum escritório do Indea em funcionamento no Estado neste momento”, diz Elizabete.

A advogada revela que a greve é motivo de muita preocupação, já que o Estado movimenta mensalmente cerca de 3 milhões de bovinos e sem a emissão das GTAs toda essa atividade fica emperrada, pois nenhum animal, seja para abate, leilões ou mudança de propriedade poderá ultrapassar a porteira sem o documento.

A preocupação do segmento produtivo é maior ainda, segundo a advogada, em relação à recente classificação de Mato Grosso, pela comunidade européia, como zona livre para exportação com vacinação. “Uma greve como essa pode nos causar sérios prejuízos na confiança em relação a nossas exportações, pois estamos sendo monitorados o tempo todo pela comunidade internacional”. Atualmente, 100% do Estado está habilitado às vendas àquele bloco econômico. Antes de outubro, apenas 49% dos municípios estaduais podiam exportar.

A GREVE - Os servidores exigem a aprovação do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) da categoria, que está em discussão desde o ano passado, e a correção das perdas ocorridas com a implantação do subsídio, em 1999. Alguns funcionários tiveram perdas de até 200%. “Temos caso de servidores que ganhavam R$ 3 mil e hoje está recebendo apenas R$ 1 mil. Não queremos aumento, mas apenas recuperar o que o governo retirou com a implantação do subsídio”.



Produtores rurais conhecem mandioca mais produtiva para terra firme

03/12
Com o objetivo de difundir práticas e tecnologias para a melhoria do manejo da cultura da mandioca, buscando auxiliar agricultores familiares na melhoria dos plantios, a Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM) promove na sexta-feira( 5), na propriedade do agricultor José de Arribamar Souza, situada no quilômetro 19 da Rodovia AM 352
(estrada Manacapuru/Novo Airão), o dia de campo "Colheita de mandioca em terra firme".

O evento reunirá pesquisadores da instituição, técnicos da extensão rural e agricultores familiares. O dia de campo irá tratar sobre a cultivar de mandioca BRS Purus, cuja produtividade é de 30 toneladas por hectare, superando em até três vezes mais a da mandioca comumente plantada pelo agricultor na Amazônia, que é de 10 toneladas por hectare.

O produtor terá a oportunidade de checar a informação obtida no evento, por meio da colheita e pesagem de raízes, quando será conhecido teor de amido da planta, que é a parte de onde se retira a massa da mandioca para produção farinhas.

Será mostrado na prática os resultados das informações repassadas pela equipe técnica da Embrapa aos agricultores da região de Manairão, que
fazem parte do projeto ``Rede de Transferência de Tecnologia para Agricultores Familiares na Amazônia``, focado em três culturas típicas da agricultura familiar: mandioca, banana e cupuaçu.

Mais lucro

De acordo com os estudos da Embrapa, a utilização de clones recomendados, associada às tecnologias indicadas, como manejo do solo e da planta,
rotação de culturas, seleção do material de plantio, espaçamento, época de plantio e colheita, proporciona ao produtor melhor produtividade e conseqüentemente maior lucro nos seus plantios.

O programa de melhoramento da mandioca da tem como finalidade básica o desenvolvimento e a avaliação de espécies de mandioca adaptados aos ecossistemas do trópico úmido da Amazônia e que atendam às demandas do mercado consumidor. Para isso, utilizam-se técnicas de hibridação e avaliação de materiais regionais e locais e, ao mesmo tempo, introdução, seleção e avaliação de tipos locais de mandioca de outras regiões.

A mandioca desempenha importante papel entre as culturas economicamente exploradas na Região e, em particular, no Estado do Amazonas. Situa-se em
primeiro lugar em área cultivada no Estado, em torno de 92 mil hectares, é responsável pela principal fonte de alimentação energética do amazonense e
representa importante opção de desenvolvimento agroindustrial. O consumo per capita é de 58 quilos por ano de farinha.


Maria José Tupinambá (MTb/AM 114)
Embrapa Amazônia Ocidental – Manaus/AM
Contatos: (92) 3621-0352 - Fax (92) 3621- 0430
maria.tupinamba@cpaa.embrapa.br


Embrapa Sede - Brasília.



Mandioca açucarada para produção de etanol é um dos destaques de evento em Brasília

03/12
A mandioca açucarada para produção de etanol é uma das novidades apresentadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa durante a Expowec 2008 – Exposição Tecnológica Mundial, que acontece de 2 a 6 de dezembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, DF.

A Empresa está representada no evento por duas de suas 41 unidades de pesquisa – Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Embrapa Agroenergia, ambas localizadas em Brasília - e vai mostrar as pesquisas desenvolvidas com várias culturas agrícolas como fontes alternativas para produção de energia renovável.

As variedades de mandioca são naturalmente açucaradas e foram coletadas pelo pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Luiz Joaquim Castelo Branco Carvalho e sua equipe na Amazônia na década de 90. A realização de testes bioquímicos e genéticos levou à identificação de genes e características responsáveis pelas mutações naturais que podem beneficiar diversos setores da indústria. “Os programas de melhoramento de mandioca no Brasil são orientados, em grande parte, para a produção de farinha e fécula. As novas variedades podem diversificar o mercado de derivados da mandioca em uso comercial na atualidade”, afirma o pesquisador.

Uma das características identificadas pela Embrapa é o alto teor de glicose, que pode ser altamente positivo para a produção de etanol, já que dispensa a necessidade de hidrólise utilizada no processo convencional. “Para produzir o combustível a partir da mandioca é preciso hidrolisar o amido que está no tubérculo e esse processo é dispendioso tanto em termos financeiros como energéticos”, afirma Castelo.

As variedades pesquisadas pela Embrapa possuem açúcar na raiz ao invés de amido e, por isso, podem levar a uma redução de mais de 25% no custo energético do processo final de obtenção de etanol.

Conhecimento tradicional aliado à moderna biotecnologia

A chave para diversificar o mercado da mandioca e aumentar as vantagens econômicas e sociais dos pequenos produtores, responsáveis por grande parte da produção desse alimento no Brasil, está na integração entre o conhecimento tradicional e as modernas ferramentas biotecnológicas desenvolvidas pela ciência. Segundo Castelo, a genômica funcional tem permitido identificar novos genes diretamente da biodiversidade a partir de mutações espontâneas.

Atualmente, as características de interesse estão sendo transferidas para variedades comerciais por técnicas de melhoramento genético convencional e utilizadas para incrementar os estudos genômicos e o conhecimento sobre a funcionalidade das mutações naturais nas variedades de mandioca açucarada, em parceria com outras unidades da Embrapa: a Embrapa Cerrados e a Embrapa Agroenergia, também localizadas em Brasília, e a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, em Cruz das Almas, BA.

A Expowec 2008 é uma exposição tecnológica realizada paralelamente ao Congresso Mundial de Engenheiros e pode ser visitada de 14 às 20h no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental Canteiro Central - Setor de Divulgação Cultural).

Fernanda Diniz (MTb 4685/89/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Contatos: (61) 3448-4769 e 3340-3672
fernanda@cenargen.embrapa.br

Embrapa Sede - Brasília.



AM: Pronera forma primeiras turmas no curso Normal Superior

03/12
No ano em que o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) completa dez anos de atividade no Brasil e oito no Amazonas, as primeiras turmas que receberam formação no curso Normal Superior oferecido pelo programa do estado comemoram sua graduação. Nesta quarta-feira (03), cerca de 64 alunos participam da solenidade de colação de grau que será realizada no auditório da Universidade Estadual do Amazonas, às 19 horas.

A formação beneficiou 85 estudantes divididos em duas turmas. Uma foi composta por assentados da reforma agrária do interior do estado e, a outra, por alunos da capital, Manaus. O curso foi realizado por meio da parceria firmada entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do Amazonas (Incra/AM) e a UFMA, instituição de ensino que coordenou a formação.

Outra comemoração foi realizada neste final de semana, no auditório Dom Arcângelo Cérqua, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), na cidade de Parintins, região do Baixo-Amazonas.

“A educação é fator responsável pelo desenvolvimento do país em todos os aspectos e, em meio a esse cenário, o campo merece realmente ter uma educação que contemple as especificidades, de forma a garantir ao povo campesino a construção de um conhecimento nascido das experiências vivenciadas em seu âmbito, assegurando vida mais digna, por meio de ações geradas no campo e para o campo”, frisou o orador da turma, em seu discurso, Valci Soares Batista.

Lembrando a importância da qualidade da educação no campo, não apenas para os assentados, mas para toda a sociedade, o vice-reitor da UFAM, Carlos Eduardo de Souza Gonçalves, destacou o trabalho do Incra, por meio do Pronera, e a satisfação da universidade em participar do processo de formação. O vice-reitor ressaltou, ainda, o esforço, a competência e a assiduidade da turma, que registrou evasão inferior a vinte por cento, índice considerado positivo pelo professor.

A superintendente do Incra/AM, Maria do Socorro Marques Feitosa, anunciou, para o início de 2009, a abertura do curso de pós-graduação, voltado à turma que concluiu o curso Normal Superior, além do curso de Agronomia, que oferecerá 50 vagas aos assentados da reforma agrária.

Ministério da Agricultura e do Abastecimento



Demissões e queda de preços atingem a agropecuária do país

03/12
Entre 1994 e 2008, o custo de produção do leite subiu 622% e inflação, 254%

Helenice Laguardia

Por mais que a população mundial queira comer e tomar leite, o setor agropecuário vai penar com a crise. Os primeiros sinais já estão em campo, com demissões e paradas de produção. "Um produtor do Mato Grosso tinha 180 funcionários e mandou 60 embora", contou o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, depois de participar de reunião ontem, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Segundo ele, o Mato Grosso é o termômetro do setor: "Quando lá começa a demitir, o setor já entrou em crise."

O encontro de dirigentes do setor, Embrapa e deputados da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial para debater oportunidades da crise virou um rosário de problemas da agropecuária. O pessimismo maior é quanto ao futuro da pecuária. Rodrigo Alvim, também produtor de leite, mostrou indignação com o aumento dos custos. Subiram 622% entre 1994 e 2008, enquanto a inflação no período foi de 254%. "O custo total operacional por litro era de R$ 0,70 a R$ 0,75 em 2007, pode chegar a R$ 0,80 este ano, enquanto o preço médio do litro de leite pago ao produtor é de R$ 0,57 no Brasil e de R$ 0,61 em Minas Gerais", calculou. Para ele, o caminho é a ação de políticas públicas. O Brasil nunca exportou tanto leite: foram US$ 456,3 milhões até outubro, em 2007, foram US$ 299 milhões. Mas nem assim o representante da CNA se anima. "A tonelada de leite em pó já voltou ao patamar de US$ 2.000."

O presidente da comissão, o paulistano Vanderlei Jangrossi (PP-MG), vai levar propostas de socorro aos governos federal e estadual. "Vou propor a aquisição de leite excedente no Programa de Aquisição de Alimentos, que hoje compra leite para merenda escolar do Nordeste e áreas da Sudene", informou sobre uma das sugestões.

Se a crise está nocauteando o leite, o superintendente de política e economia agrícola da Secretaria de Estado da Agricultura, João Ricardo Albanez, mostrou a balança comercial ainda favorável ao agronegócio. Foram US$ 4,815 milhões de janeiro a outubro deste ano, com crescimento de 18,30% em relação ao acumulado de 2007. "O agronegócio de Minas representou 27% nas exportações do Brasil", comemorou.

Fertilizantes. Para o economista da Embrapa Jason de Oliveira Duarte, a baixa oferta de fertilizante preocupa. O consumo cresceu 178% no Brasil e não tem freio. "Se reduzir 9% nos custos com o insumo, perde até 30% na receita", explicou.

Desânimo

"O produtor precisa jogar a toalha"
Rodrigo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA

"Nosso problema é o custo Brasil"
Jason Oliveira, Técnico da Embrapa

O Tempo.

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