Empresário admite posse do dinheiro
Segundo empresário, valor que estava no carro era R$ 1,85 mi. Disse não ter prestado queixa antes por não acreditar na recuperação do montante
ADILSON ROSA
Da Reportagem/Diário de Cuiabá
O empresário Air Bondespacho e Silva, irmão da ex-deputada federal e secretária municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano, Celcita Pinheiro, confirmou à Polícia Civil ser o proprietário do dinheiro furtado em julho deste ano de dentro de um Honda Fit. Em depoimento ao delegado Luciano Inácio da Silva, ele explicou que o valor, no entanto, é menor. Garantiu que tinha nas 10 caixas de dinheiro R$ 1,85 milhão. Essa quantia seria para o pagamento de funcionários de uma empresa responsável pela montagem de torres de transmissão de energia elétrica.
Pelo furto, a polícia indiciou Vilmar da Silva Souza, o “Cocó”, o irmão dele, Anderson Ferreira da Silva Souza, e Marcelo Soares da Silva. O porteiro do prédio, Helton Roger Brokenfeld, também será indiciado por furto qualificado. Os três – extra-oficialmente – disseram que pegaram mais de R$ 3 milhões, mas pelas contas de amigos e pessoas próximas, o valor estaria próximo dos R$ 4,5 milhões. O caso ficou conhecido como “roubo milionário”.
O empresário justificou a demora de quase cinco meses para registrar queixa porque acreditava que a polícia não iria localizar o dinheiro. Outro fator que pesou é o fato de ele ser parente de políticos e o furto ter ocorrido num período eleitoral.
Segundo o delegado, a polícia conseguiu rastrear cerca de R$ 1,5 milhão em movimentação financeira realizada pela quadrilha. Em interrogatório na Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Vilmar declarou ter ficado com R$ 800 mil. Anderson embolsou R$ 500 mil e Marcelo, R$ 600 mil.
Luciano Inácio informou que vai pedir a indisponibilidade dos bens apreendidos. Com isso, acredita que poderá devolvê-los ao empresário, como forma de recuperação do dinheiro furtado.
Os policiais apreenderam bens no valor de R$ 1,4 milhão que estavam em nome de terceiros. “Pela conta oficial, os valores batem, tanto pelo lado da vítima como dos três investigados. Veja bem, é o que os dois lados declararam”, frisou.
Em depoimento anteontem à tarde, Air Bondespacho relatou ao delegado que possui mais de mil funcionários e viaja constantemente para fazer pagamentos. Por isso, tinha tanto dinheiro nas 10 caixas. Explicou que havia no banco do carro uma pasta vazia com documentos que foi deixada.
De acordo com as investigações, os três rapazes chegaram até a bolada após receberem uma informação repassada por Helton, que trabalhava como porteiro do prédio onde o carro foi estacionado. Os ladrões acreditavam que iriam furtar cerca de R$ 50 mil, mas o valor era bem maior.
Eles teriam perguntado se a caixa com dinheiro foi vista através do circuito interno de segurança, mas o porteiro disse que não tinha câmera alguma. O crime de furto qualificado prevê uma pena de dois a oito anos de prisão. Caso peguem a pena mínima, poderão cumpri-la em regime semi-aberto. “Nesse caso especificamente, o crime compensa”, observou um policial plantonista.

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