Farinheiras financiadas com dinheiro do PADIC estão abandonadas
Publicado por Kassu - 27/02/2009 às 07h50
AGUA BOA NEWS
As farinheiras estão paradas, os prédios sucateados e os produtores, desiludidos. Este é o retrato de alguns projetos do Programa de Apoio às Iniciativas Comunitárias (Padic), financiado pelo Banco Mundial e que tinha como objetivo melhorar a renda de comunidades rurais no estado.
Um relatório com suspeitas de irregularidades no uso de recursos já foi encaminhado ao Ministério Público. Jonas Campos, Ailton Caldeira e Edson Bacana, visitaram alguns projetos na Baixada Cuiabana e mostraram que pouco ou nada mudou para a população.
Em algumas comunidades deveriam estar funcionando fábricas de farinha, financiadas pelo projeto. Em uma comunidade de Santo Antônio de Leverger (distante 34 km de Cuiabá) uma dessas fábricas consumiu R$ 149 mil e deveria gerar emprego e renda, mas as máquinas funcionaram por pouco tempo. Segundo o senhor Osvaldo Dias de Oliveira, presidente da Associação de Moradores Varginha, a farinheira só funcionou a todo vapor durante uma semana.
Quem passa em frente aos prédios onde funcionavam as farinheiras, vê com tristeza e desconfiança o fracasso do projeto. “Infelizmente, uma estrutura dessa grande aí parada, estragando. Pois está sem movimento”, disse um dos moradores da região.
Em Barão de Melgaço (distante 111 km distante de Cuiabá) também há exemplo do desperdício. A fábrica de farinha que também recebeu recursos do Banco Mundial está abandonada. O prédio é amplo e tem até espaço para armazenagem, mas a renda extra que os agricultores esperavam virou pó. Segundo os moradores, a fábrica que recebeu recursos de R$ 100 mil do PADIC está abandonada. No local houve de tudo: erro na execução do projeto e até suspeita de desvio da verba. O dinheiro era repassado ao sindicato dos produtores, responsável pelo pagamento das empreiteiras. O presidente da entidade disse que foi pressionado pelas empresas.
“A conta era aberta em nome das entidades e os cheques eram repassados e nós assinamos os cheques em branco. A gente não sabia o valor que eles iam preencher. As empreiteiras não ficavam aqui. A gente assinou e cometeu esse erro que deu prejuízo não só para a comunidade, mas também pessoalmente, para eu também”, disse Francisco Gomes, presidente da Associação de Produtores de Barão de Melgaço.
No total foram 20 fábricas instaladas em todo o estado, que consumiram R$ 1,4 milhão. O secretário de Planejamento do estado informou que os técnicos fizeram um levantamento da situação e apontaram indícios de irregularidade em alguns projetos, entre eles, o de Santo Antônio de Leverger e Barão de Melgaço.
A assessoria do Ministério Público vai verificar qual dos promotores recebeu o relatório encaminhado pelo governo. A partir desta reportagem, o Ministério Público deve tomar as providências necessárias para apurar o possível desvio de recursos.Fonte: TVCA

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