quarta-feira, 1 de abril de 2009

Confira as dez principais notícias do dia 1º de abril

Por Kassu com Juliano Machado - 01/04/2009 às 11h40 / AGUA BOA NEWS

As dez mais de 1º de abril
O governo já estuda um novo aumento da tributação sobre o cigarro; doleiro formava “organização” com executivos da Camargo Corrêa, diz PF; Enem deve passar a ser realizado duas vezes por ano

1.Troca de acusações continua na Castelo de Areia
Depois da conturbada Satiagraha, mais uma operação da Polícia Federal torna-se uma arena de acusações entre a corporação e o Poder Judicário. Agora, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, responsabiliza o juiz federal Fausto De Sanctis pelo vazamento das doações investigadas na Castelo de Areia, que apura a relação entre a empreiteira Camargo Corrêa e políticos de diversos partidos. Segundo O Globo, ele negou que a corporação tenha tido motivação política ao omitir do relatório final o PT, o PTB e o PV entre os partidos que supostamente teriam recebido doações da Camargo. De outra frente da batalha verbal, o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, voltou a defender o controle da PF pela Justiça, e não pelo Ministério Público. “Esse tal de controle externo do Ministério Público é algo lítero-poético-recreativo. Não tem funcionado a contento”, afirmou.

2. Doleiro formava “organização” como executivos da Camargo, diz PF
Enquanto as autoridades se acusam, mais detalhes sobre a Operação Castelo de Areia pipocam na imprensa. Nesta quarta-feira, a Folha (para assinantes) informa que o relatório da PF aponta um “contato próximo” entre a diretoria da Camargo Corrêa e o doleiro Kurt Paul Pickel, acusado de ser o principal articulador do suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro instalado dentro da empreiteira. Numa das escutas telefônicas divulgadas ao jornal, um dos diretores da Camargo, Pietro Bianchi, recebe um telefonema de sua secretária dizendo “Ele tá no carro esperando o senhor”. “Então ele se escondeu”, responde Bianchi, “vou lá ver”. Uma hora antes, a mesma secretária havia telefonado a Kurt pedindo para que ele fosse à empresa.

Economia
3. Governo registra déficit em fevereiro depois de 12 anos

O Correio Braziliense (para cadastrados) diz que “a crise cobra a conta”: a expansão dos gastos públicos e a queda na arrecadação tributária levaram o chamado governo central (que inclui as contas do Tesouro, Banco Central e Previdência) a registrar, em fevereiro, um déficit primário de R$ 926 milhões, a primeira vez que há saldo negativo para o mês desde 1997. Com isso, o superávit primário – economia feita para pagar juros da dívida pública – caiu 85% nos dois primeiros meses de 2009, em comparação com igual período do ano passado. “Esse é o preço que o governo está pagando para combater a recessão”, diz o Correio. Mas o especialista em contas públicas José Roberto Afonso, ouvido pelo Estadão, afirma que o aumento dos investimentos do Estado é só 1% do da deterioração do resultado primário. O grande responsável foi a alta das despesas com servidores públicos e com a Previdência, respondendo por 47% do rombo.

4. Planalto já estuda novo aumento de tributação sobre o cigarro
O governo já escolheu quem vai pagar a (salgada) conta do pacote de desonerações fiscais para o estímulo à economia: o cigarro. Segundo a Folha (para assinantes), o Palácio do Planalto já estuda um novo aumento de tributos sobre o produto, como forma de compensar a queda de R$ 1,675 bilhão no recolhimento de impostos decorrente do pacotão econômico. A ideia é acrescentar mais R$ 500 milhões aos R$ 975 milhões previstos em receitas a partir dos impostos mais pesados sobre o cigarro. O plano do ministro da Fazenda, Guido Mantega, era aumentar a arrecadação com esse produto em R$ 1,5 bilhão de uma vez só, mas o governo decidiu fracionar por conta da pressão dos grandes fabricantes (Sousa Cruz e Philip Morris). De qualquer forma, os fumantes podem se preparar para um belo desfalque no bolso…

5. Pacote global para o comércio pode ter US$ 250 bilhões
É a manchete do Valor Econômico (íntegra para assinantes): o G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias do planeta, está preparando um pacote de financiamento do comércio internacional estimado em US$ 250 bilhões. O maior contribuinte seriam os Estados Unidos, que já acenaram com US$ 100 bilhões. “A falta de crédito para as trocas comerciais, um dos principais problemas da crise atual, aumenta mês a mês. Passou de US$ 25 bilhões no fim do ano passado para US$ 300 bilhões agora”, informa o jornal. Se utilizado para esse fim, o dinheiro pode melhorar o desempenho de algumas economias em má situação, como a da Rússia – cuja previsão do PIB feita pela OCDE para este ano é de queda de 5,6%.

6. Lula culpa países ricos por quase tudo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anda convencido de que os países ricos não são culpados apenas pela crise econômica, mas por vários outros problemas. Ás vésperas do encontro do G-20, informa o Estadão, Lula disse que as economias desenvolvidas também são responsáveis pela degradação ambiental, os desequilíbrios no comércio e até mesmo pela insegurança coletiva. Em encontro com o presidente americano Barack Obama, o premiê britânico, Gordon Brown, disse que “não se devem apontar culpados”, citando Lula. “Estive na semana passada no Brasil e acho que o presidente Lula vai me perdoar por citá-lo. Ele me disse: ‘Quando eu era sindicalista, culpava o governo. Quando eu era da oposição, culpava o governo. Quando eu virei governo, culpei a Europa e os Estados Unidos’”, afirmou Brown, em tom de brincadeira. Ainda bem que, polidamente, ele não fez questão de lembrar a desastrada declaração de Lula sobre os “banqueiros de olhos azuis”.

Política
7. Deputado do castelo em Minas será processado

O deputado federal Edmar Moreira (DEM-MG), aquele do castelo no interior de Minas não declarado à Receita, vai responder a processo de quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara. Por unanimidade, a Mesa Diretora encaminhou o pedido de investigação à comissão. Moreira é acusado de ter feito uso irregular da verba indenizatória para pagar serviços de segurança, diz o Estadão. A punição mais rígida – e mais improvável – é a cassação de mandato. Para não correr o risco de ser cassado, o deputado pode renunciar até hoje à tarde.

8. Enem com dois testes pode substituir o vestibular
No plano de substituir o vestibular feito por cada universidade e criar uma prova seletiva única para todo o país, o Ministério da Educação anunciou que o Enem – que seria o teste a ocupar o lugar do vestibular – deve ser realizado duas vezes a partir do ano que vem. “Assim, o estudante que quiser melhorar seu resultado teria uma nova chance. Se tirasse uma nota mais baixa na segunda tentativa, ainda assim ele poderia valer-se da nota obtida na primeira vez, já que o novo Enem é comparável no tempo”, diz O Globo. Os detalhes serão acertados entre o MEC e as instituições de ensino que aderirem à proposta. Os critérios de uso dos resultados do Enem para o ingresso dos universitários ficariam a cargo apenas da escola.

Mídia
9. Supremo julga hoje exigência de diploma para jornalista

O Supremo Tribunal Federal julga nesta quarta-feira, a partir das 14 horas, a validade da Lei de Imprensa (5.250/1967) e a exigência do diploma para jornalista. No primeiro caso, diz a Agência Brasil, os ministros vão avaliar uma ação movida pelo PDT contestando a lei, que já teve suspensos 22 dispositivos dos 77 artigos em caráter liminar. No outro caso, será analisado um recurso do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e do Ministério Público Federal para decidir, de forma definitiva, se o exercício da profissão de jornalista deve ser feito apenas por quem se formou na área. No julgamento de uma liminar em novembro de 2006, o Supremo garantiu o exercício da carreira aos que já atuavam nela, não importando se possuíam ou não o diploma.

Mundo
10. Multidão acompanha funeral do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín

Os jornais argentinos reservam grande parte de suas capas à morte do ex-presidente Raúl Alfonsín, de 82 anos, que governou o país entre 1983 e 1989. Para o Clarín, a vida de Alfonsín, que sofria de um câncer de pulmão, foi “dedicada à reconstrução da Argentina”. Milhares de simpatizantes foram ao Congresso, onde ocorre o velório, para se despedir do ex-presidente, que ficou na história argentina como aquele que conduziu o país de volta à democracia, após uma sangrenta ditadura militar. O colunista de ÉPOCA Paulo Moreira Leite diz que não é justo comparar Alfonsín a seu contemporâneo na presidência brasileira, José Sarney: “Ele mandou a julgamento os oficiais que sequestraram, torturaram e assassinaram 30 000 adversários do regime. Sob seu governo, coronéis, generais, almirantes e até ex-presidentes sentaram-se no banco dos réus para explicar crimes cometidos sob a ditadura.”

Seja o primeiro a comentar

Copyright©| Desde 2008 | AGUA BOA NEWS COMUNICAÇÃO LTDA | Template customized by Michel Franck

Início