Confira as dez principais notícias do dia 22 de abril
Por Kassu com Juliano Machado às 11h46
AGUA BOA NEWS
1. Quem não viajou com passagem aérea da Câmara?
A farra no uso de passagens aéreas da cota da Câmara dos Deputados nos faz colocar esta pergunta: alguém escapou da prática de usar bilhetes aéreos indevidamente? O escândalo chegou ao presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP) – acusado de ter usado a cota para ir a Paris com a mulher –, e ao corregedor ACM Neto (DEM-BA), que admitiu ter emitido bilhetes domésticos para sua mulher. Diante disso, a Câmara, enfim, resolveu tomar uma atitude, como informa O Globo: o plano consiste em efetuar todos os chamados gastos discricionários (cotas aérea, postal, telefônica e verba indenizatória) por meio de cartão, com divulgação na internet. Temer diz defender, agora, a restrição das passagens aéreas apenas ao parlamentar, para viagens a trabalho, mas isso ainda não é consenso. O que é consenso é a proposta de equiparação salarial dos deputados aos ministros do Supremo – ou seja, o salário deles passaria de R$ 16,5 mil para R$ 24,5 mil, sob o argumento de que isso compensaria a perda de benefícios.
Economia
2. Gasolina pode ser usada para aumentar arrecadação federal
A Folha (para assinantes) diz que a equipe econômica do governo federal mira num novo alvo para aumentar a arrecadação tributária: a gasolina. A ideia é elevar a Cide, imposto cobrado sobre a comercialização de combustíveis, sem, no entanto, aumentar o preço ao consumidor – o que seria possível por conta da queda das cotações do petróleo no mercado internacional. O mesmo seria feito com o diesel, mas aí parte do ganho seria dividida com o consumidor final, via redução de preço na bomba. A Petrobras rejeita a proposta, pois perderia parte de seu lucro ao ter de reduzir o preço de venda do combustível nas refinarias, para evitar o repasse ao consumidor. Falava-se muito na queda do preço da gasolina nos postos. Pelo jeito, vai ficar mesmo só na conversa.
3. Caixa deverá financiar compra de eletrodomésticos
Parece que o governo decidiu entrar no clima das redes de varejo de liquidação total dos eletrodomésticos. Segundo O Globo, a Caixa Econômica Federal elaborou uma linha de crédito à qual o cliente teria acesso no momento da compra do aparelho (geladeira, fogão ou máquina de lavar), na própria loja. A instituição financeira está negociando com os grandes varejistas para acertar detalhes do financiamento “in loco”. Com a redução do IPI, anunciada no dia 17 e em vigor nos próximos três meses, houve uma imediata queda nos preços desses eletrodomésticos – as propagandas na TV estão aí para mostrar. Para quem precisa de algum desses aparelhos, não há melhor hora.
4. Por ordem de Lula, diretoria do BB terá ampla reforma
O novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, assume amanhã e já deve anunciar uma ampla reforma na diretoria da instituição, segundo a Folha (para assinantes): seis das nove vice-presidências serão trocadas. A Folha diz que as mudanças “obedecem a ordens diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar a concessão de crédito, reduzir os juros bancários e priorizar o pacote de habitação popular”. A cúpula do Palácio do Planalto entendia que a gestão do ex-presidente Lima Neto conduzia o banco como uma empresa privada, e não vinculada ao Estado. Agora, é evidente que o BB será bem mais comportado com seu “patrão”, inclusive em relação aos interesses políticos do governo.
5. FMI revê previsão e projeta queda de 1,3% do PIB para o Brasil
Um novo relatório do FMI, divulgado na manhã desta quarta-feira, projeta para o Brasil uma retração de 1,3% no crescimento do PIB em 2009. A previsão é inferior à feita pelo Fundo em janeiro – alta de 1,8%. O cenário é ruim para o país, mas não chega a ser dos piores no continente, como mostra a BBC Brasil. Para o México, por exemplo, o FMI projeta um recuo de 3,7%. A Venezuela deve cair 2,2% e o Equador, 2%. No ano que vem, o Brasil deve voltar a crescer, diz o relatório, com projeção de 2,2%.
Sociedade
6. Uma força-tarefa contra a corrupção policial no Rio
Não, não é o seriado da TV Globo Força Tarefa, em que o protagonista vivido por Murilo Benício investiga policiais corruptos dentro da PM. Inspirado ou não pela ficção, o novo chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, toma posse hoje com um plano de reforma da corregedoria da instituição, que prevê justamente a criação de um grupo focado no combate aos policiais desonestos. A ideia é fazer com que essa divisão especial atue preventivamente contra crimes cometidos por seus pares, e não só quando é acionada pelo comando. O primeiro alvo das investigações, informa O Globo (para assinantes), serão as milícias. Falando em milícia, o comandante do Regimento de Polícia Montada (RPMont), tenente-coronel PM Guttemberg Collyer, será exonerado do cargo por sua ineficiência no combate a esses grupos na região de Campo Grande, zona oeste carioca.
Política externa
7. Lula constrói “gigante regional único”, diz Newsweek
A revista americana Newsweek, que já havia dado capa de sua edição internacional para uma entrevista do presidente Lula, volta a lhe fazer reverência. Em um artigo de seu último número, a publicação diz que Lula está construindo “um gigante regional único”, ao alternar “charme e cautela, sendo simpático aos Estados Unidos e próximo de Barack Obama”. Com o título “A Superpotência Sagaz”, numa tradução livre, o artigo afirma que o Brasil se aproveitou do “guarda-chuva da segurança dos EUA” e de “nenhum inimigo crível no hemisfério” para “auxiliar, influenciar ou cooptar seus vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional mais problemático, a Venezuela”. Na sua astúcia, Lula tenta não escancarar essa imagem de hegemonia regional. Ao diário La Nación, no domingo, às vésperas de ir para a Argentina, ele disse que não pode imaginar ver os dois países separados – mesmo que a distância econômica e de influência geopolítica entre os vizinhos seja imensa.
Mundo
8. Obama deixa caminho livre para julgamento de torturadores da era Bush
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve ter percebido que seria perigoso para sua imagem omitir-se diante dos escabrosos métodos de interrogatório praticados por agentes da CIA em suspeitos de terrorismo, durante os anos de governo de George W. Bush. Inicialmente, dizia-se que Obama queria “olhar para o futuro”, ou seja, não estava disposto a levar a julgamento os torturadores. Agora, segundo o The New York Times, ele deixou o caminho livre para a criação de uma comissão bipartidária que investigue os abusos e os reporte ao Departamento de Justiça, que pode tomar medidas legais. E o escopo da comissão não seriam apenas os executores das torturas, mas também as autoridades que as idealizaram e chancelaram. Obama sabe como é delicado tocar nas feridas de um governo anterior, mas a gravidade do caso quase está obrigando o presidente a ser mais enérgico.

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