quarta-feira, 22 de abril de 2009

Confira as dez principais notícias do dia 22 de abril

Por Kassu com Juliano Machado às 11h46

AGUA BOA NEWS


1. Quem não viajou com passagem aérea da Câmara?
A farra no uso de passagens aéreas da cota da Câmara dos Deputados nos faz colocar esta pergunta: alguém escapou da prática de usar bilhetes aéreos indevidamente? O escândalo chegou ao presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP) – acusado de ter usado a cota para ir a Paris com a mulher –, e ao corregedor ACM Neto (DEM-BA), que admitiu ter emitido bilhetes domésticos para sua mulher. Diante disso, a Câmara, enfim, resolveu tomar uma atitude, como informa O Globo: o plano consiste em efetuar todos os chamados gastos discricionários (cotas aérea, postal, telefônica e verba indenizatória) por meio de cartão, com divulgação na internet. Temer diz defender, agora, a restrição das passagens aéreas apenas ao parlamentar, para viagens a trabalho, mas isso ainda não é consenso. O que é consenso é a proposta de equiparação salarial dos deputados aos ministros do Supremo – ou seja, o salário deles passaria de R$ 16,5 mil para R$ 24,5 mil, sob o argumento de que isso compensaria a perda de benefícios.

Economia
2. Gasolina pode ser usada para aumentar arrecadação federal

A Folha (para assinantes) diz que a equipe econômica do governo federal mira num novo alvo para aumentar a arrecadação tributária: a gasolina. A ideia é elevar a Cide, imposto cobrado sobre a comercialização de combustíveis, sem, no entanto, aumentar o preço ao consumidor – o que seria possível por conta da queda das cotações do petróleo no mercado internacional. O mesmo seria feito com o diesel, mas aí parte do ganho seria dividida com o consumidor final, via redução de preço na bomba. A Petrobras rejeita a proposta, pois perderia parte de seu lucro ao ter de reduzir o preço de venda do combustível nas refinarias, para evitar o repasse ao consumidor. Falava-se muito na queda do preço da gasolina nos postos. Pelo jeito, vai ficar mesmo só na conversa.

3. Caixa deverá financiar compra de eletrodomésticos
Parece que o governo decidiu entrar no clima das redes de varejo de liquidação total dos eletrodomésticos. Segundo O Globo, a Caixa Econômica Federal elaborou uma linha de crédito à qual o cliente teria acesso no momento da compra do aparelho (geladeira, fogão ou máquina de lavar), na própria loja. A instituição financeira está negociando com os grandes varejistas para acertar detalhes do financiamento “in loco”. Com a redução do IPI, anunciada no dia 17 e em vigor nos próximos três meses, houve uma imediata queda nos preços desses eletrodomésticos – as propagandas na TV estão aí para mostrar. Para quem precisa de algum desses aparelhos, não há melhor hora.

4. Por ordem de Lula, diretoria do BB terá ampla reforma
O novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, assume amanhã e já deve anunciar uma ampla reforma na diretoria da instituição, segundo a Folha (para assinantes): seis das nove vice-presidências serão trocadas. A Folha diz que as mudanças “obedecem a ordens diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar a concessão de crédito, reduzir os juros bancários e priorizar o pacote de habitação popular”. A cúpula do Palácio do Planalto entendia que a gestão do ex-presidente Lima Neto conduzia o banco como uma empresa privada, e não vinculada ao Estado. Agora, é evidente que o BB será bem mais comportado com seu “patrão”, inclusive em relação aos interesses políticos do governo.

5. FMI revê previsão e projeta queda de 1,3% do PIB para o Brasil
Um novo relatório do FMI, divulgado na manhã desta quarta-feira, projeta para o Brasil uma retração de 1,3% no crescimento do PIB em 2009. A previsão é inferior à feita pelo Fundo em janeiro – alta de 1,8%. O cenário é ruim para o país, mas não chega a ser dos piores no continente, como mostra a BBC Brasil. Para o México, por exemplo, o FMI projeta um recuo de 3,7%. A Venezuela deve cair 2,2% e o Equador, 2%. No ano que vem, o Brasil deve voltar a crescer, diz o relatório, com projeção de 2,2%.

Sociedade
6. Uma força-tarefa contra a corrupção policial no Rio

Não, não é o seriado da TV Globo Força Tarefa, em que o protagonista vivido por Murilo Benício investiga policiais corruptos dentro da PM. Inspirado ou não pela ficção, o novo chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, toma posse hoje com um plano de reforma da corregedoria da instituição, que prevê justamente a criação de um grupo focado no combate aos policiais desonestos. A ideia é fazer com que essa divisão especial atue preventivamente contra crimes cometidos por seus pares, e não só quando é acionada pelo comando. O primeiro alvo das investigações, informa O Globo (para assinantes), serão as milícias. Falando em milícia, o comandante do Regimento de Polícia Montada (RPMont), tenente-coronel PM Guttemberg Collyer, será exonerado do cargo por sua ineficiência no combate a esses grupos na região de Campo Grande, zona oeste carioca.

Política externa
7. Lula constrói “gigante regional único”, diz Newsweek

A revista americana Newsweek, que já havia dado capa de sua edição internacional para uma entrevista do presidente Lula, volta a lhe fazer reverência. Em um artigo de seu último número, a publicação diz que Lula está construindo “um gigante regional único”, ao alternar “charme e cautela, sendo simpático aos Estados Unidos e próximo de Barack Obama”. Com o título “A Superpotência Sagaz”, numa tradução livre, o artigo afirma que o Brasil se aproveitou do “guarda-chuva da segurança dos EUA” e de “nenhum inimigo crível no hemisfério” para “auxiliar, influenciar ou cooptar seus vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional mais problemático, a Venezuela”. Na sua astúcia, Lula tenta não escancarar essa imagem de hegemonia regional. Ao diário La Nación, no domingo, às vésperas de ir para a Argentina, ele disse que não pode imaginar ver os dois países separados – mesmo que a distância econômica e de influência geopolítica entre os vizinhos seja imensa.

Mundo
8. Obama deixa caminho livre para julgamento de torturadores da era Bush

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve ter percebido que seria perigoso para sua imagem omitir-se diante dos escabrosos métodos de interrogatório praticados por agentes da CIA em suspeitos de terrorismo, durante os anos de governo de George W. Bush. Inicialmente, dizia-se que Obama queria “olhar para o futuro”, ou seja, não estava disposto a levar a julgamento os torturadores. Agora, segundo o The New York Times, ele deixou o caminho livre para a criação de uma comissão bipartidária que investigue os abusos e os reporte ao Departamento de Justiça, que pode tomar medidas legais. E o escopo da comissão não seriam apenas os executores das torturas, mas também as autoridades que as idealizaram e chancelaram. Obama sabe como é delicado tocar nas feridas de um governo anterior, mas a gravidade do caso quase está obrigando o presidente a ser mais enérgico.

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