quinta-feira, 2 de abril de 2009

Economia de Confresa para sem frigorífico

Publicado por Kassu - 02/04/2009 às 11h08
AGUA BOA NEWS



A paralisação do Frigorífico Independência, no município de Confresa, a mais de 1.160 quilômetros ao nordeste de Cuiabá, trouxe forte desaquecimento à economia da região, que vive basicamente da pecuária. O movimento no comércio caiu, a inadimplência dos consumidores aumentou e a arrecadação do município apresentará queda. A paralisação atinge também outros municípios da região nordeste de Mato Grosso, como Vila Rica, Porto Alegre, Canabrava do Norte, Santa Terezinha, Alto da Boa Vista, Santa Cruz do Xingu e São José do Xingu.

De acordo com levantamento do Sindicato Rural de Confresa, entre 600 e 700 cabeças deixaram de ser abatidas pela planta desde o dia 27 de fevereiro e os pecuaristas hoje não têm para quem vender o gado.

O prefeito de Confresa, Gaspar Domingos Lazari, diz que a situação é dramática. “O impacto para a nossa economia é muito grande, pois o município está em franco crescimento e muitos vieram para cá em função da chegada do frigorífico, que gozava de credibilidade junto aos pecuaristas e a sociedade”. Segundo ele, pelo menos 534 pessoas viviam direta e indiretamente da atividade da planta só no município, que tem cerca de 30 mil habitantes.

“O frigorífico movimentava boa parte do comércio e era muito importante para a nossa economia. A nossa expectativa é de que a indústria volte ao funcionamento logo”.

A prefeitura ainda não fez o levantamento das perdas para o município. “Poderemos ter problemas, todos estão apreensivos com a situação”. Em Confresa, a atividade pecuária responde por cerca de 60% da economia – outro setor de destaque é a indústria canavieira, que também não vive um bom momento na região.

O prefeito informou que com a paralisação do Independência, as atividades de abate no município estão restritas aos abatedouros particulares.

SEM OPÇÃO – A suspensão das atividades da planta – que entrou com pedido de recuperação judicial na segunda quinzena do mês passado – ainda que temporária, impactou diretamente nos preços da arroba e deixou os pecuaristas sem opção para vender o gado.

“A situação realmente é desesperadora, pois não temos opção para quem vender. O preço despencou e os pecuaristas só estão vendendo mesmo o necessário”, informa o presidente do Sindicato Rural de Confresa, Paulo Cunha.

A paralisação atinge cerca de 300 pecuaristas no município de Confresa, que tem um rebanho estimado em 500 mil bovinos.

De acordo com Paulo Cunha, o Independência gozava de muita credibilidade na região. “Todos vendiam na certeza de que iam receber. Ninguém esperava que o frigorífico fosse fechar”.

Com a suspensão das atividades da planta, os preços da arroba despencaram. Com o Independência, a arroba do boi era comercializada em média por R$ 70. Hoje este preço caiu para R$ 58 (-18%). No caso da vaca, os preços recuaram de R$ 60 para R$ 45 (-25%).

Como só os pequenos matadouros estão efetuando o abate, não há comprador para o boi na região, em função dos preços. “Os matadouros só compram vaca, com isso o pecuarista acaba tendo prejuízos porque é obrigado a manter no pasto o animal que já está pronto para abate”, conta Paulo Cunha.

Segundo ele, a opção dos pecuaristas seria o Friboi, de Barra do Garças, “mas não compensa, porque a escala de abate está longa, entre 10 a 15 dias”. Além disso, há ainda o problema da distância, já que Barra se situa a cerca de 700 quilômetros de Confresa. (Diário de Cuiabá)

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