terça-feira, 5 de maio de 2009

Cinco funcionários são mantidos presos por índios na sede da Funasa em SP

Maioria dos funcionários foi liberada, mas prédio segue ocupado.
Caciques pedem melhorias nas aldeias, remédios e saneamento.

Por Carolina Iskandarian
Publicado por Kassu - 05/05/2009 às 18h22
AGUA BOA NEWS




Os índios que ocupam o prédio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no Centro de São Paulo, resolveram permitir a saída da maioria dos funcionários que eram mantidos presos dentro do imóvel na tarde desta terça-feira (5). Até as 16h, pelo menos 30 pessoas foram impedidas de deixar o prédio, localizado na Rua Bento Freitas.

Entretanto, cinco pessoas ligadas à Funasa, que teriam cargos de chefia, eram mantidas presas no local. “Eles não são reféns. Comeram e beberam”, disse o cacique Darã, um dos representantes. O cacique informou que esses cinco funcionários só terão permissão para deixar o local após o grupo receber uma resposta de Brasília para suas reivindicações.

Participam do protesto cerca de cem índios. Eles afirmam que só deixarão o local depois de conversar com representantes do órgão. Os índios pedem, entre outras ações, a saída do coordenador da Funasa em São Paulo e melhorias nas aldeias. “Enquanto uma autoridade de Brasília não vier para dar respaldo (ao movimento) não vamos arredar o pé daqui”, completou o cacique.

Os índios querem que Raze Rezek, coordenador da Funasa em São Paulo, deixe o cargo. Eles acusam o funcionário de negligência. “Em três anos, ele nunca fez uma visita (às aldeias). Tem criança morrendo com água contaminada, faltam remédios, o saneamento básico é ruim”, disse o cacique Awa, que veio de Ubatuba, no Litoral Norte, e é da tribo Tupi.

A Funasa é um órgão vinculado ao Ministério da Saúde e tem recursos previstos para políticas indígenas, como informou a assessoria de imprensa. Eles cuidam da saúde do índio. Procurada em Brasília, a Funasa informou que não havia previsão da viagem de nenhum representante até São Paulo nesta terça e que reuniões estavam ocorrendo dentro do prédio ocupado com as lideranças dos dois lados. Disse ainda que Raze Rezek estaria em viagem.

O cacique Awa contou que há tribos do Litoral Norte e outras vindo do Litoral Sul e Vale do Paraíba para participar da manifestação. Entre os índios, havia até mesmo um bebê de colo dentro do prédio. A auxiliar de escritório Cássia de Araújo, de 25 anos, estava na portaria e não podia sair à rua, apesar de não ter terminado o expediente.

“Acho que eles estão no direito deles de reivindicar, mas fazer essa ignorância não tem nada a ver”, afirmou ela, referindo-se aos colegas de trabalho impedidos de deixar o local. Os índios afirmaram que ainda materiam no edifício chefes de seção para ajudar nas negociações. (G1)

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