Confira as dez principais notícias do dia 15 de maio
Por Juliano Machado às 12h04
AGUA BOA NEWS
1. Nova poupança enfrentará batalha no Congresso
Mal apresentou a proposta de alterações na tributação da poupança, o governo já calcula o risco de o projeto sofrer resistência da oposição no Congresso. Segundo o Estadão, a equipe econômica decidiu adiar a redução do IR sobre fundos de investimento – parte do pacote cujo objetivo é manter essa aplicação atraente ante as cadernetas – por temer que isso vire munição política para os partidos de oposição, que poderiam usar a medida como desculpa para rejeitar a taxação da poupança. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que não há pressa para enviar ao Congresso o projeto que tributa as cadernetas com saldo superior a R$ 50 mil. “A medida só entrará em vigor no próximo ano. Estamos tranquilos.”
2. Governo admite risco de crescimento zero este ano
Guido Mantega vinha sendo uma ilha de otimismo sobre as previsões do PIB em meio à crise. Depois de nadar tanto na contracorrente, parece que se cansou. Ontem, pela primeira vez, reconheceu que a economia brasileira pode não sair do lugar este ano, informa a Folha (para assinantes). “Acredito que fechamos o ano em torno de 0 a 2% positivos.” Para Mantega, mesmo que o PIB não avance em 2009, ainda será um bom cenário numa análise global. “Temos de lembrar que a maioria dos países vai fechar com 4% negativos.” A projeção do ministro, porém, segue mais otimista que a de todos os outros setores. O mercado financeiro aposta em retração de 0,44%; a Cepal fala em queda de 1%; e o FMI estimou um recuo de 1,3%.
3. Especialistas debatem PIB verde
Por falar em PIB, o Estadão traz hoje um caderno especial sobre o esforço de especialistas – entre eles os ganhadores do prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz (2001) e Amartya Sen (1998) – para desenvolver uma nova forma de medir a riqueza de um país, levando em conta “as condições de vida da população e índices relacionados a sustentabilidade e preservação de recursos naturais”. Esse PIB verde, cuja proposta deve ser entregue em junho a vários organismos internacionais, poderia avaliar os custos social e ambiental envolvidos na produção de riquezas. Um exemplo é o caso de catástrofes e desastres ambientais, diz o jornal. “Hoje, eles acabam sendo positivos para o crescimento do PIB, porque a reconstrução das regiões afetadas por tais eventos extremos movimenta o setor de serviços e, consequentemente, gera empregos.”
4. Cade vai avaliar fusão entre Sadia e Perdigão
A informação é do Valor Econômico (íntegra para assinantes). A empresa resultante da fusão entre Sadia e Perdigão, que se chamará Brazil Foods (BRF), será avaliada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão deve anunciar a suspensão do negócio até que o caso seja analisado. Tudo isso porque a BRF será uma empresa de números superlativos no mercado: vai controlar 65% das vendas no setor de margarinas; 57% em industrializados de carnes; e 88% em massas prontas. Quando se analisa o mercado externo, o gigantismo continua: será a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo e a terceira maior exportadora do Brasil, atrás apenas de Petrobras e Vale. Segundo o jornal, o contrato de fusão ainda não estava assinado até a noite de ontem, mas já se encontrava em fase de revisão. O anúncio da operação deve ser hoje.
Política
5. Câmara aprova criação de 1,4 mil cargos em tribunais
Alguém aí ouviu falar em contenção de gastos, em crise econômica? Na Câmara, parece que não. O Globo informa que, em tempo recorde e com sessões esvaziadas, os deputados aprovaram a criação de 1.445 vagas em tribunais regionais do trabalho de vários Estados, num pacotão de 11 projetos de lei que agora segue para o Senado. Se aprovado, o pacote vai causar um impacto de R$ 129,3 milhões por ano nas contas públicas. Não adiantou nada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter pedido ao Congresso que barrasse propostas de aumento do funcionalismo público. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), usou um argumento simplório para justificar a aprovação. “É importante, os tribunais estão aflitos.”
6. Sarney quer renunciar da política. Será?
A colunista política do Estadão (para assinantes) Dora Kramer abre seu texto de hoje com o suposto desejo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de deixar a vida política. “Arrependido por ter deixado de lado o projeto de se eleger presidente da Academia Brasileira de Letras para, pela terceira vez em 14 anos, presidir o Senado, externou a vontade de renunciar. Ao cargo, ao mandato de senador, à carreira política.” Com 50 anos de vida pública e se aproximando dos 80 (em abril de 2010), Sarney estaria frustrado por ter assumido a presidência da Casa num momento de grave crise institucional. Mas alguns amigos do experiente político, diz Dora, querem demovê-lo da ideia. Argumentam que, se a preocupação de Sarney é com a biografia, seria ainda pior renunciar agora e acusar o golpe no meio do vendaval.
7. Senado desafia governo e cria CPI da Petrobras
Com forte articulação da bancada do PSDB, o requerimento de criação da CPI da Petrobras, com o objetivo de apurar suposta sonegação fiscal e irregularidade no repasse de royalties a prefeituras, foi lido na manhã de hoje pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-PR), a pedido do primeiro vice-presidente Marconi Perillo (PSDB-GO). Com isso, foi descumprido um acordo feito entre os líderes das bancadas, segundo o qual a instalação da CPI estava suspensa até que o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, fosse prestar esclarecimentos na Casa. “Os 32 senadores que assinaram o pedido tem até meia-noite para retirar seu apoio. Se forem mantidas ao menos 27 assinaturas, será aberto o prazo para que os líderes indiquem representantes e a CPI será instalada”, diz o portal G1.
Educação
8. Enem pode se tornar obrigatório para a rede pública
Depois de acertada sua reformulação, o Enem deve se tornar obrigatório para os alunos da rede pública, ou seja, sem ele o aluno não obteria o diploma do ensino médio. A proposta foi acordada entre o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) e o Ministério da Educação e deve valer a partir de 2010. O ministro Fernando Haddad afirmou que não será cobrada uma nota mínima na prova para a aprovação no ensino médio – segundo ele, seria complicado condicionar tudo ao desempenho num único exame. “Para a obrigatoriedade valer também na escola privada, ela teria de ser aprovada pelos conselhos estaduais de educação”, informa a Folha (para assinantes).
Mundo
9. Anúncio do Burger King inglês zomba do Rio
A rede de fast-food Burger King lançou uma campanha publicitária polêmica na Inglaterra. O anúncio sobre o preço de um hambúrguer com fritas e refrigerante faz uma associação pejorativa com o Rio de Janeiro por meio da seguinte frase: “One way ticket to Rio not necessary. You’ll feel like you robbed us” (algo como: “Não é necessário comprar uma passagem só de ida para o Rio. Você vai se sentir como se tivesse nos roubado“). Um cartaz com a campanha foi fotografado num ponto de ônibus de Londres pelo brasileiro Bruno Natal, que o reproduziu em seu blog. A ideia do anúncio seria fazer uma brincadeira com o episódio do inglês Ronald Biggs, de 79 anos, que participou do famoso assalto ao trem pagador e se refugiou no Rio por cerca de 30 anos até ser extraditado. Ouvido pelo Globo, o vice-presidente da comissão de Turismo da Assembléia Legislativa do Rio, Glauco Lopes (PSDB), considerou a propaganda de mau gosto.
10. A revolução cultural de Chávez
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a adoção do chamado Plano Revolucionário de Leitura, com o objetivo de “reafirmar os valores que conduzem à consolidação do homem novo e da mulher nova, como base para a construção da pátria socialista”. Com esse discurso obscuro, informa o diário espanhol El País, o governo está colocando em todas as bibliotecas textos de exaltação ao regime, como o título “Por quer sou chavista?”. Há, ainda, extratos de discursos de Chávez sobre a suposta condição socialista de Jsesus Cristo. Tudo isso será considerado leitura obrigatória, com cronogramas específicos, dentro dos chamados conselhos comunais e outras organizações civis criadas pelo chavismo como base de apoio popular.

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