quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O divórcio do arroz e do feijão

Brasil come cada vez pior e nem mesmo prato tradicional sobreviveu a "fast food"

Catarina Alencastro de BRASÍLIA.

Opadrão alimentar do brasileiro mudou - e para pior.
Ele passou a consumir mais frutas e verduras, porém continua a comer muita carne gordurosa e tem optado por alimentos práticos, como comidas semiprontas, que são menos nutritivas. O supernutritivo feijão, que fazia o famoso par com o arroz, também perdeu espaço na mesa dos brasileiros, que, para agravar o quadro, se exercitam menos. Essas conclusões foram divulgadas ontem pelo Ministério da Saúde, que entrevistou 54.367 pessoas entre os dias 12 de janeiro e 22 de dezembro do ano passado.

- Vivemos uma transição alimentar bastante negativa. Nosso querido feijão, que é uma fonte fantástica de fibra e proteína, tem sido menos consumido. Já a ingestão de refrigerantes tem aumentado, assim como a de sucos artificiais. Isso expressa mudanças na dinâmica da família brasileira, que está com menos tempo de preparar comida em casa - observa o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

O consumo de frutas e verduras cresceu, mas ainda é insuficiente
Rio consome mais frutas e hortaliças

Segundo o levantamento, 30,4% da população com mais de 18 anos comem frutas e hortaliças cinco ou mais vezes na semana. Entre os entrevistados, 18,9% disseram consumir cinco porções diárias (cerca de 400 gramas) desses alimentos, mais do que o dobro do contingente que revelava ter esse saudável hábito - que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde - em 2006.
No Rio de Janeiro, o consumo frequente de frutas e hortaliças é maior do que a média nacional: 31,9%, sendo que as mulheres estão mais atentas a isso: 37,8% das cariocas comem frutas e hortaliças pelo menos cinco vezes por semana, contra 24,9% dos homens que moram no Rio.

Uma boa notícia apresentada ontem foi a redução da ingestão de carnes com excesso de gordura em 15,8%. No ano passado, 33% dos adultos disseram que comem esses alimentos, contra 39,2% em 2006.

No Rio, a preocupação em optar por carnes mais leves é maior do que na maioria das capitais brasileiras: somente 26,7% dos cariocas escolhem as carnes gordurosas. Este é o terceiro menor consumo registrado nas capitais do Brasil, atrás de Salvador (24,4%) e Recife (26,2%).
O dado negativo é que os refrigerantes e sucos artificiais - que têm alta concentração de açúcar - têm ganhado espaço na preferência dos brasileiros. Ao todo, 76% dos adultos bebem esses produtos pelo menos uma vez na semana e 27,9%, cinco vezes ou mais na semana. O consumo quase diário aumentou 13,4% em um ano. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a popularidade dos refrigerantes é ainda maior: 42,1% bebem refrigerantes quase todos os dias. E embora o mercado ofereça versões com menos açúcar, como os diet e os light, somente 15% dos brasileiros optam por eles.

Cariocas ainda amam o feijão
Enquanto isso, o feijão vem perdendo prestígio nas cozinhas do país. Em 2006, 71,9% da população revelava comer o grão ao menos cinco vezes na semana. Mas, no ano passado, o consumo frequente caiu para 65,8%. No Rio, no entanto, a média de consumo do feijão ainda é alta: 71,7%. O alimento, rico em ferro e fibras, tem preparo demorado, o que, segundo o Ministério da Saúde pode explicar esse resultado.
- O feijão requer tempo de preparo e pressupõe uma comida caseira.
Com a mudança no estilo de vida da população, ele está saindo da rotina do brasileiro - avalia Deborah Malta, da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério.

O aumento do sedentarismo também é uma questão que preocupa o governo. Atualmente, 16,4% dos brasileiros se encontram nessa situação, 24% a mais do que o índice registrado há quatro anos. Associada aos maus hábitos alimentares, a falta de exercícios físicos regulares é um dos principais pré-requisitos para o aparecimento de doenças crônicas, como diabetes, obesidade e diversos tipos de câncer. Apenas 14,7% dos adultos praticam algum tipo de atividade regular (30 minutos diários, cinco vezes por semana).
Considerando aqueles que se deslocam para o trabalho ou para escola a pé ou de bicicleta, o índice sobe para 30,8%. No Rio, o percentual de pessoas que dizem praticar regularmente algum exercício é de 16,1%. Os homens cariocas saem na frente das mulheres nesse quesito: 19,9% contra 13%.

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