segunda-feira, 14 de março de 2011

Uma árvore em extinção

O pau-cravo, casca-preciosa ou casca-do-maranhão, como era conhecida pelos jesuítas na primeira metade do século XVIII, poderá ver sua população desaparecer em pouco tempo.

Fonte: www.jardimdasideias.com.br 


Região no Rio Xingu onde será construída a Usina de Belo Monte

A usina hidrelétrica de Belo Monte, que será construída no Rio Xingu, no Pará, terá um lago com 516 km². Quando concluída será a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas da chinesa Três Gargantas e de Itaipu. Entretanto, sua construção deve afetar uma mata onde esta essência endêmica (peculiar à região) existe. Botanicamente foi classificada como Dicypellium caryophyllatum e o padre jesuíta Manuel Roviare já falava dela em 1744, quando subiram até o Alto Rio Negro e penetraram no Rio Orinoco pela passagem do canal do Cassiquiare. Acatando um pedido da Coroa Portuguesa, os jesuítas pesquisaram a biodiversidade amazônica e iniciaram as primeiras atividades extrativistas de vulto, das “drogas do sertão”, garantindo uma exportação regular desta árvore e de outras como: cacau, baunilha, canela, resinas aromáticas e plantas medicinais. Da multiplicidade desses aldeamentos e missões religiosas surgiram dezenas de povoados, a exemplo de Cametá, na foz do Tocantins; Airão, Carvoeiro, Moura e Barcelos, no Rio Negro; Santarém, na foz do Tapajós; Faro, no Rio Nhamundã; Borba, no Rio Madeira; Tefé, São Paulo de Olivença e Coari, no Solimões; e em continuação, no curso do Amazonas, Itacoatiara e Silves.

O pau-cravo alcança 20 metros de altura e faz parte da família das lauráceas que, no Brasil, tem aproximadamente 19 gêneros e 400 espécies. Possuem um cheiro característico nas folhas, quando esmagadas, devido à presença de óleos essenciais. E tem flores e frutos muito aromáticos, sendo, por esse motivo, muito cobiçada pela indústria perfumista. A árvore está na lista oficial de espécies ameaçadas do IBAMA, além da lista oficial do Pará e de instrução normativa do Ministério do Meio Ambiente.

Índios Mundurucus

 Infelizmente, a literatura científica é pouca sobre essa espécie. Tinha-se conhecimento de apenas um único exemplar com 9 metros de altura, registrado em 2008 no local onde será construído um dos canais de derivação da usina de Belo Monte. Outros 20 D. caryophyllatum foram encontrados no mesmo ano, pela mesma equipe que levantou os impactos ambientais da construção da hidrelétrica e 189 indivíduos foram observados no município de Juruti — que fora até 1818 uma aldeia de índios Mundurucus —, revelando a maior concentração já registrada na Amazônia desde o século XVIII, segundo a pesquisa. As árvores ficam em uma área onde deverá haver concessões florestais e pesquisadores sugerem a criação de uma unidade de conservação para proteger a espécie.

Ficamos torcendo para que o progresso não desconsidere o patrimônio florístico amazônico.

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