sexta-feira, 17 de junho de 2011

Brutos, Rústicos e Diferenciados - Entrevista com João Carreiro e Capataz


Considerados os “Brutos do Sertanejo”, João Carreiro e Capataz aos poucos estão conquistando o Brasil. No último domingo, em um show realizado na cidade de Americana, ficou claro que o estilo diferenciado caiu no gosto de quem gosta de uma boa música sertaneja. Com a arena de rodeio lotada, a dupla levantou o público com seus sucessos e fez todo mundo cantar clássicos da moda de viola.
O show é contagiante do início ao fim, é impressionante olhar aquele povo todo dançando durante toda a apresentação. O final é marcado por uma divertida participação envolvendo os músicos da banda.
Antes no show nossa equipe conversou com os cantores, que demonstraram uma enorme personalidade musical e contaram que estão preparando um CD todo de música caipira, já que os mesmos são grandes defensores do gênero.
Na edição da entrevista nós procuramos manter as características “rústicas” dos cantores, já que se tentássemos mudar a linguagem, perderia um pouco do sentido e a identidade de João Carreiro e Capataz.
Confira abaixo a entrevista completa:
Vocês misturam música caipira e guitarra de uma maneira bem inteligente, como foi que surgiu isso?
João Carreiro: Olá moça, muito prazer bater um papo com você. Olha, não foi nada proposital, é que João Carreiro e Capataz têm um jeito bem ousado. Quando a gente gravou nosso primeiro disco, há nove anos, a gente fez nossa paixão, só com música raiz, moda caipira, mas em todas as FMs que a gente chegava e apresentava o disco falam “aqui não toca isso aí”, “esse tipo de música não encaixa na programação”. Aí o que nós fizemos? Falamos, vamos metendo o pau aí e colocando as coisas pra ver o que é que vira, até porque a gente não teve uma sacada que a guitarra junto com a viola seria o ponto X do negócio, a gente foi fazendo, foi experimentando e acabou que gente foi gostando e ficou com o nosso jeito. Hoje quando você escuta uma moda que te um batidão de viola com guitarra o povo já associa com a gente.
O estilo de vocês não é o mais comercial, por que vocês optaram por esse caminho?
Capataz: A gente não fez nada proposital e primeiramente a gente faz o que a gente gosta! Talvez nós sejamos uma das poucas duplas que defendem a viola caipira. Nós começamos a nossa carreira gravando um CD caipira, estamos agora com nove anos de carreira fazendo também um CD caipira, mais uma vez vamos lançar disco com praticamente todas as músicas de autoria do João Carreiro. A gente faz questão de frisar que somos sertanejos e gostamos da viola caipira mesmo!
Hoje é moda falar que é Sertanejo Universitário, pra isso basta montar uma dupla com um caboclo na esquina, sentar numa roda e cantar ou formar dupla com alguém que conheceu na faculdade.
A gente defende esse estilo, temos vários amigos no meio, mas a gente não é sertanejo universitário, até pelo timbre de voz. A gente canta como o povo de antigamente, Tião Carreiro e Pardinho, que é a dupla que nós inspiramos inspira até hoje.
Hoje no mercado sertanejo está tudo muito parecido. As músicas são muito parecidas, os produtores são sempre os mesmos. Vocês acreditam que isso pode ser bom pra vocês que têm um estilo diferenciado?
João Carreiro: Hoje tem até dupla uma imitando a outra (risos). A gente só sabe que a gente não imita ninguém (risos). A gente é preocupado em fazer uma carreira dentro da música, tem muita gente que monta uma dupla e já ta louca pra fazer sucesso, não importa como, seja imitando fulano, roubando a melodia do siclano, e a gente tenta construir uma carreira longínqua como Milionário e José Rico, outra dupla que a gente é apaixonado. A gente vai trabalhando devagarzinho, fazendo um som de qualidade... Por mais que a gente tenha um pouquinho de irresponsabilidade, que a gente vai fazendo o que a gente gosta e em tudo quanto é tipo de ritmo, mas a gente faz com bastante coração e bastante carinho.
Vocês falam abertamente sobre jabá, inclusive já disseram que não pagam porque ganham pouco e o pouco que ganham querem guardar (risos). Vocês continuam com essa posição?
João Carreiro: Olha moça, esse trem é meio complicado (risos). Tem certos tipos de rádio que não tem como você escapar dele, não, e às vezes você tem que pagar pra tocar naquela região porque você paga uma rádio grande e as pequenas vão tocando conseqüentemente. Mas do que a gente pode fugir, a gente foge. O que acontece bastante são parcerias com as rádios, porque aí todo mundo sai contente, ganha dinheiro e fica feliz. Ganha dinheiro mais ou menos também (risos).
Durante a maior parte da carreira, João Carreiro e Capataz foram uma dupla independente e o último trabalho foi lançado pela Som Livre. Quais foram às mudanças que a gravadora trouxe pra carreira de vocês?
João Carreiro: Ajudou muito! As duas músicas terem entrado pra trilha de novela ajudaram demais (Bruto Rústico e Sistemático na trilha de Paraíso, Chique e Bacanizado na trilha de Araguaia), isso veio pra consolidar o nome João Carreiro e Capataz. Isso ajudou também as FMs a tocarem as músicas, porque, até então, tinha gente que ouvia o nome João Carreiro e Capataz já colocava o disco na prateleira porque pensava que era dois veio tocando moda de viola, pronto e acabou. Então isso ajudou muito, porque o povo é besta demais da conta (risos), só porque ta tocando na Globo aí toca nóis.
Como surgiu a oportunidade de vocês gravarem a música Butecologia com o Grupo Rhaas?
Foi uma alegria quando o grupo Rhaas fez o convite pra gente participar da música, eles tão tocando bem pra caramba e vários outros amigos que a gente participou, não vou nem citar pra não esquecer ninguém. A gente é feliz demais de saber que outro tão achando que a gente pode somar alguma coisa na carreira deles a gente só tem que agradecer e mandar um beijo pra toda galera que fizemos participação.
A toda equipe João Carreiro e Capataz, o nosso muito obrigada pela oportunidade de mais uma vez mostrar o trabalho de vocês e aprender um pouco mais sobre música sertaneja.
Entrevista : Talita Galero
Fotos : Giseli Trauzola

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