sexta-feira, 17 de junho de 2011

Voice of the Xingu - Um pedido de socorro

Fonte:  waves.terra.com.br
 Alfredo Villas Boas e cacique Raoni Metuktire encontram-se no Parque Nacional Indígena do Xingu (MT). Foto: Arquivo Pessoal.
O baiano Alfredo Villas Boas acaba de lançar o documentário "Voice of the Xingu", uma das atrações desta semana no "Maui Film Festival" no Hawaii.




Morador da ilha de Maui há vários anos, recentemente ele remou em uma prancha de stand up no rio Xingu, como forma de protesto contra o projeto de construção da usina hidrelétrica Monte Belo.



Essa foi a primeira visita de Alfredo ao Xingu, mas seus ancestrais Claudio e Leonardo Villas Boas foram os primeiros homens brancos a fazer contato com o povo indígena naquela área.



Nesta entrevista exclusiva, além de relatar a experiência, Alfredo Villas Boas também pede ajuda a todos, para unidos lutarem contra a construção da usina.



Como surgiu a ideia desse projeto e qual o objetivo?

Estava pesquisando sobre os feitos dos meus ancestrais. Orlando Villas Boas, que vem da linhagem de meu avô. Ele foi fundador do parque nacional do Xingu em 1961. Depois que descobri isso, senti muita vontade de ir até o Xingu e conhecer melhor esse povo e seus costumes.



Comecei estudando a possibilidade de ir até lá e fiquei sabendo que o Governo Brasileiro havia aprovado a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Não tive como ficar parado ao ver a realidade e as consequências deste projeto, não só para o futuro da Amazônia, mas também para o nosso planeta.



Resolvi fazer algo para chamar a atenção e ajudar a divulgar essa tragédia que querem fazer com a natureza e com os povos do Xingu.

Como você conseguiu viabilizar a verba necessária?

Vendi tudo que tinha, inclusive meu carro uma Toyota Tacoma 2005. Também consegui arrecadar US$ 1,5 mil de diversos amigos e patrocinadores.



Você já havia ido ao Xingu?



Não, nunca tive oportunidade antes, por isso esta viagem foi tão especial.



Quais as impressões que teve do lugar?

Um paraíso feito por Tupan (Deus na língua tupi-guarani), onde vive um povo lindo com uma cultura viva. A selva amazônica é incrível. Temos que preservar este paraíso para as gerações futuras.



O que mais te chamou atenção?



A harmonia da vida indígena com a natureza é a coisa mais incrível. Também a beleza do rio Xingu e suas riquezas naturais, que estão prestes a serem destruídas pelo homem por causa de sua ganância.      



Como foi seu dia-a-dia no Xingu?



Bastante intenso. Eu e meu parceiro Toy Abreu remávamos várias horas por dia no rio Xingu, depois colhíamos mais informações sobre a construção de Belo Monte e ao mesmo tempo tentávamos passar um pouco do espírito aloha havaiano para os índios.



Qual foi a parte mais difícil?



Sair de Maui e conseguir chegar até a Aldeia Piarucu no Mato Grosso. Depois que chegamos em Cuiabá, tivemos  que pegar um ônibus atá Canarana, que fica a cerca de 800 quilômetros de distância, com três sups de 10 pés, que por meio centímetro, quase não couberam no bagageiro. Depois tive que fretar um caminhão percorrendo mais 600 quilômetros em estrada de barro. Fiquei em pé no fundo, sem parar, sem comida e nada para beber, foi sinistro! Mas chegamos sãos e salvos ao destino final.



E a parte mais gratificante?



Conhecer o cacique Raoni Metuktire. Ele é um verdadeiro guerreiro e protetor da nossa natureza e cultura indígena. Ele é o meu ídolo e foi muito emocionante saber que é muito grato aos meus familiares Villas Boas.



Se pudesse fazer algo diferente na viagem o que seria?



Tentaria conseguir alguns patrocinadores antes de ir, pois fiz tudo do meu próprio bolso e até agora ainda estou pagando pelos US$ 20 mil que usei na viagem.



O que você espera com este documentário?



Como este é o meu primeiro, quero passar a voz desse povo para o maior número possível de pessoas. A voz deles é uma só: "diga não a Belo Monte". Eles lutam a cerca de 500 anos para serem livres e têm o direito de viver sua cultura em paz e protegendo o ecossistema. Nós todos temos que ajudar a combater o aquecimento dos polos e isso tem que se iniciar pelo pulmão do planeta, a Amazônia.

Deixe um recado para aqueles que estão lendo a entrevista.

Para você que não conhece o projeto de Monte Belo, sugiro que tente se informar e verá a catástrofe que isso será. Essa usina hidrelétrica fornecerá energia para mineradoras gigantes que irão destruir e acabar com o que resta da Amazônia.



Exatamente como acaonteceu em 1984 quando construíram a barragem de Tucuruí para fabricar energia para Carajás, que é a maior mineradora de aço do planeta. Sem dúvidas a região será mudada para sempre. O impacto ecológico e cultural será dramático.



Sem falar que no fundo do reservatório de Belo Monte, a decomposição da vegetação geralmente produz metano, um gás natural 25 vezes mais prejudicial à camada de ozônio do que o dióxido de carbono.


Por isso peço a todos vocês para nos unirmos contra o projeto Belo Monte. Vamos tentar manter o Xingu vivo para sempre. Vamos preservar nossos recursos naturais para as próximas gerações. 

Ver o trailer do filme

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