domingo, 3 de junho de 2012

Brasília 1978 será companheira de aventureiro em viagem por 6 países

Morador de Araraquara, Ney Mello Júnior percorrerá 13 mil quilômetros. Entre os trechos da aventura, está a 'estrada da morte', na Bolívia.

Felipe Turioni Do G1 Araraquara e Região

Agente de viagens vai percorrer 13 mil quilômetros com Brasília 1978 (Foto: Felipe Turioni/G1) 
Ney Mello Júnior ao lado da companheira ano 1978
(Foto: Felipe Turioni/G1)
Com uma mochila, mapas, uma bicicleta de apoio e uma Brasília ano 1978, o agente de viagens de Araraquara (SP), Ney Mello Júnior, de 31 anos, pretende percorrer seis países da América do Sul em um mês. A aventura está marcada para começar em 17 de julho, quando ele terá pela frente 13 mil quilômetros de estradas do Brasil, Bolívia, Peru, Chile, Argentina e Paraguai. A primeira parada será em Corumbá (MS) e de lá ele seguirá por mais de 20 pontos turísticos latinos até voltar a Araraquara, em 17 de agosto. “Podem haver imprevistos e pode até ser que eu volte mais cedo, mas minhas férias terminam no dia 18”, diz Júnior, esperançoso e consciente do desafio que terá pela frente.

O interesse por aventuras vem do contato com o meio ambiente. “Me sinto bem quando estou mais próximo da natureza”. A vontade de fazer a viagem percorre seus planos desde os 15 anos, mas ele não imaginava que a aventura poderia ir um pouco mais além. “Na minha cabeça, faria essa viagem de moto ou outro carro, não com uma Brasília ano 1978”, comenta. O gosto por carros mais velhos surgiu quando o agente comprou o primeiro automóvel. Por suas mãos já passaram os volantes de um Landau 1971 e de um Chevette 1981. A Brasília marrom com 30 mil quilômetros rodados foi comprada de um amigo do avô, há dois anos.

O veículo já passou pela revisão, mas nenhum cuidado especial foi tomado, garante Júnior. “É tudo original e ela está em boas condições. Fiz uma revisão básica, como se estivesse partindo para uma viagem comum”. Como precaução, ele levará no porta-malas alguns kits de vela e embreagem, e vê na popularidade do carro uma vantagem, caso precise de socorro mecânico. “A Brasília tem a estrutura do Fusca, que foi vendido internacionalmente, e as peças são facilmente encontradas nesses países”.

Entre os problemas que o aventureiro poderá enfrentar, está o ar para que o carro possa funcionar em locais de altitude e temperaturas baixas. “Nessas situações as pessoas precisam de balão de oxigênio e o mesmo acontece com o carro”, explica. A maior dificuldade, segundo ele, será passar pela Bolívia, com temperaturas que podem chegar aos -20ºC.

Já contra o frio, Júnior contará com acessórios como luvas, protetores de orelha, roupas de lã e casacos, além de um kit de emergência, com cereais, para pelo menos três dias. A preparação desde agora conta ainda com acompanhamento médico, para ele ter segurança de que está tudo bem com sua saúde para a viagem.
Agente de viagens vai percorrer 13 mil quilômetros com Brasília 1978 (Foto: Felipe Turioni/G1) 
Agente de viagens vai percorrer 13 mil quilômetros com Brasília 1978 (Foto: Felipe Turioni/G1)
‘Estrada da morte’
O bagageiro também é um aliado na viagem. Uma bicicleta será estrategicamente levada para alguns trechos da aventura. É sobre duas rodas que ele pretende fazer o percurso mais arriscado de seu trajeto - um caminho de terra tortuoso conhecido como ‘estrada da morte’, na Bolívia. “Vou ter que deixar o carro antes de chegar ao local e seguir de bicicleta, depois voltarei com outro transporte para pegar a Brasília e seguir viagem por outra rota”.

O esforço de ir até a ‘estrada da morte’ de bicicleta e voltar para seguir uma rota mais segura faz parte da vontade de conhecer o famoso trecho, assim como outras atrações turísticas que ele pretende apreciar durante a aventura. Entre os pontos estão o Salar de Uyuni, considerado o maior deserto de sal do mundo, Machu Pichu, e o deserto do Atacama. “O roteiro que fiz foi pensando em percorrer todos os pontos com pouco gasto e toda escala está sendo feita previamente, porque não vou ter ajuda do GPS, descobri que não existem os mapas da Bolívia e do Peru em um que comprei, pelo jeito, à toa”, diz.

A rota foi baseada nos conhecimentos como turismólogo e em relatos de outros aventureiros que Júnior encontrou na internet. O planejamento da viagem começou em novembro do ano passado e a tecnologia é importante aliada para saber o que ele poderá encontrar pelo caminho. Ao invés de mapas tradicionais, Júnior imprime telas do Google para traçar as rotas e é ele também que será utilizado para visualizar as condições das estradas. “Dá pra ver caminhos irregulares que só seriam feitos com um jipe, e este será o desafio”.
Ney Mello percorreu 400 quilômetros sob chuva e frio no Canadá (Foto: Felipe Turioni/G1) 
Aventureiro, Júnior já percorreu 400 quilômetros
sob chuva e frio no Canadá (Foto: Divulgação/
Arquivo Pessoal)
Outras aventuras
Turismólogo por formação e agente de viagem há dez anos, Júnior tem outras aventuras em seu currículo. Em 2009, ele viajou de carro até Yellowknife, no Pólo Norte, para conferir o fenômeno da aurora boreal no local. Foram 4 mil quilômetros de estrada percorrida sob neve em cinco dias.

Em 2007, quando morava no Canadá, ele fez um percurso de 400 quilômetros entre as cidades de Jasper e Alberta. ““No trajeto não havia cidades, por isso tinha que carregar todo o alimento comigo. Foi uma das estradas mais bonitas que conheci, em baixo de chuva e muito frio”.

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