sexta-feira, 17 de julho de 2015

No Xingu, o desafiador povo do céu


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Reportagem fotográfica mostra como, no norte de Mato Grosso devastado por soja e gado, os índios Wauja preservam suas aldeias, cheias de beleza e arte

Texto e fotos de Hélio Carlos Mello, integrante de Jornalistas Livres

De encanto meus olhos já se enxugavam há tantos dias entre rios, mas eis que o Xingu se revela novamente e surpreende meus sentidos
Estou no Estado de Mato Grosso, entre os municípios de Paranatinga e Gaúcha do Norte, região essa que viu suas florestas caírem na engorda do gado e a soja florescer em poucas décadas. Sobraram intactas apenas a área do Parque Indígena do Xingu e outras terras indígenas no Mato Grosso.

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Sigo para o rio Batovi ao encontro dos Wauja, uma gente de língua Aruak, cheia de carinho e precisão, que povoa o Batovi e Steinen, afluentes do grande rio Xingu, e somam aproximadamente 500 indígenas divididos em suas 3 aldeias: Pyuluene, Ulupuene e a grande Piyulaga.
Chego pela água com o sol na aurora e um povo na beira de areia fina, praia branca e roça de mandioca entre crianças. Fresca e fértil é a terra, farto é o rio.
O que esses índios guardam de nós ou nossos vícios não há evidências, apenas sorriso e cortesia, gente bonita a impressionar os profissionais da saúde que estão a vacinar, identificar e conversar. A falar da vida e seus cuidados.

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É o Rio Urubu, Ulupuene. Procuro encontrar algo fora do eixo, não há, tudo segue sua ordem. Na aldeia grandes casas em construção vão se cobrindo com sapê, e muitas casas pequenas, tal presépio, se enchem de crianças e cumprimentos nas pequenas portas, tudo tão limpo e linear em gestos honestos.






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Gente Waurá que, subindo o rio Batovi, se instalou nos limites do Parque, meio guarda, meio encanto e fartura.Porque a vida de índio não é nada fácil, aqui se coloca beleza e arte em tudo de simples que há. Tudo traz um pouco de alma e paz no Ulupuene.
O que fazemos é armar rede, seguir na noite.
Quando o dia logo chega vacina-se toda a população e se faz vai em busca dos males. O que encontramos nessa aldeia é muita saúde, pouco a fazer.

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Coisa boa é ver gente encontrando seu rumo e partir. Ficam as casas de mato bem feitas e um modo de viver que desafia nossa conectividade moderna. Bem feito.

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TEXTO-FIM

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