Posto, Seringueira e Açougue disputam prefeitura da menor cidade do Brasil
Borá, no interior de São Paulo, é o município com menos eleitores do país.
Cidade também tem menor número de habitantes, segundo IBGE.
Dani Blaschkauer
Do G1, em Borá (SP)

(Foto: Dani Blaschkauer/G1) João do Posto, Luís da Seringueira e Luiz do Açougue.
O que poderiam ser personagens de uma novela de Dias Gomes são na verdade os três candidatos a prefeito da cidade com menos habitantes e eleitores do Brasil, segundo censo de 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
No centro da disputa está Borá, cidade com orçamento anual de cerca de R$ 4,5 milhões, 804 moradores, aproximadamente 25 ruas, 300 imóveis, situado a cerca de 500 km da capital paulista. O município conta ainda com uma agência bancária, quatro policiais militares (um por dia), um campo de futebol e nenhuma loja que não seja de alimentos.
Em uma cidade onde praticamente todos conhecem todos e há sempre a chance de um ser parente distante do outro, o melhor a se fazer é a tradicional política do corpo a corpo, literalmente.
Afinal, o voto de cada um dos 924 eleitores vale muito, já que, nas últimas eleições, Luiz do Açougue perdeu por 24 votos de diferença para ‘seu’ Nelson atual Prefeito.
João do Posto
João Antonio Nespoli. Por esse nome,nem mesmo o vice da chapa do candidato do PSDB admitiu que o reconheceria. Mas ele é, obviamente, o João do Posto (PSDB), 41 anos.
O candidato João do Posto, dono do único posto de combustíveis da cidade, ele disse que aguarda uma definição justamente do atual mandatário para saber o que vai ser sua prioridade como plano de governo.
Mas isso não quer dizer que esteja cobrando o atual prefeito. Saber que tem o apoio de ‘seu’ Nelson e que poderá derrotar o ex-patrão (o adversário Luís Seringueira) faz com que não esconda um leve sorriso. Para ele, é o “destino” o fato de ter a chance de ganhar a eleição justamente daquele que um dia foi seu chefe.
João foi um dos frentistas do estabelecimento antes de comprar o posto de gasolina de Seringueira,. Popular na região, afinal cuidava de praticamente todos os 163 veículos registrados na cidade (segundo dados de 2007 do IBGE), ele se candidatou a vereador pela primeira vez em 1996. Desde então, se manteve no cargo até que, em 2004, foi o vereador eleito com mais votos (88).
Mas apesar de ser empresário, Posto colocou em sua ficha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que é agricultor. “Tenho umas plantações de mandioca também, e agricultor parece ser mais humilde”, afirmou ele, com gel no cabelo, camisa pólo amarela para dentro da calça jeans. “Fui tirar umas fotos para os santinhos.”
Luís da Seringueira
Agricultor também é justamente a profissão registrada pelo ex-chefe de João do Posto. Único candidato que não nasceu na cidade (é de Itajobi-SP) e também o único dos três que já foi prefeito, Luís Antonio Vinhando (DEM), de 49 anos, ganhou a alcunha de Seringueira justamente quando chegou no município há quase duas décadas.
O candidato Luís da Seringueira entrou para trabalhar no seringal de um amigo. De lá para cá, só é conhecido pelo apelido, mesmo já tendo deixado as seringueiras de lado.
Hoje, diz ter 12 hectares de plantação e, apesar de ser “pedreiro, encanador e eletricista”, gosta mesmo é de ser agricultor. “Junto com minha mulher, minha neta e meu filho, (a agricultura) é uma das minhas paixões”, disse ele, que busca o segundo mandato (foi prefeito no final dos anos 90).
Seringueira não esconde ser um dos desafetos do atual prefeito. Tudo porque, segundo contou para a reportagem, ‘seu’ Nelson o jogou para escanteio após as eleições de 2000. “Olha, eu nem quero muito papo com ele”, contou, literalmente com a mão na massa de cimento.
Além da bronca com o atual prefeito, Seringueira lamenta não ter conseguido unir a oposição em um só candidato. A intenção era juntar forças com seu xará, Luiz do Açougue.
Luiz do Açougue
Dos três, Luiz Carlos Rodrigues (PT), de 38 anos, é o único que só tem um emprego: é motorista da usina Ibéria, empresa que emprega boa parte da mão-de-obra local.
O candidato Luiz do Açougue antes de pegar a estrada, porém, Açougue contou que era dono do açougue. Fanático por bistecas, ele disse que vendeu o ponto ao acreditar que não daria para conciliar carne com política.
Com a vitória em 2000 para vereador, usou a popularidade do nome e foi disputar a Prefeitura em 2004, quando sofreu a derrota.
“Apesar de a oposição estar dividida - e com isso pode ficar mais difícil -, tenho confiança de que posso conquistar a vitória neste ano”, afirmou. O que ajuda na confiança é o fato de contar, segundo as próprias contas, com 50 votos de familiares.
Edição de Kassu/AGUABOANEWS

Postar um comentário