BNDES investe R$ 450 milhões para comprar participação no Frigorífico Independência S.A.
Mesmo antes de lançar suas ações no mercado financeiro, o Independência S.A. pode vender até 33% de participação ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A transação vem sendo negociada deste o primeiro semestre deste ano pelo Independência Participações S.A., uma holding familiar que possui a totalidade das ações do Independência S.A., e o BNDESPar, que é um braço do BNDES utilizado para comprar e administrar as participações nas empresas que são negociadas pelo banco.
Segundo declarações do diretor-financeiro do Independência, Tobias Bremer, o aporte deve chegar a R$ 450 milhões, sendo mais da metade disponibilizada nesta semana e o restante no começo do próximo ano. O percentual de participação do BNDES na empresa só será definido conforme o resultado dos trabalhos do Independência em 2009.
Bremer disse à imprensa que os recursos serão incorporados ao Independência Participações que aumentará seu capital em R$ 450 milhões, e na seqüência o mesmo aumento de capital será feito no Independência S.A.
Negociações parecidas já foram realizadas com outros frigoríficos, mas, se chegar a 33%, este será o maior percentual de participação em empresas frigoríficas do banco. Atualmente, a maior participação é no Bertin com 21,46%, depois vem a JBS com 19,4% e por fim o Mafrig que negociou 14,66% com o BNDES.
O recurso chega em boa hora, quando a economia mundial passa por incertezas. Por isso, o emprego deste dinheiro ainda não é certo, nesse momento é encarado pela empresa apenas como um aumento de caixa.
É preciso lembrar que o Independência tem feito uma série de aquisições e arrendamentos de plantas industriais para aumentar sua capacidade diária, que hoje é de 10 mil cabeças abatidas e 10 mil couros produzidos. Só no último trimestre iniciou 2 operações em Mato Grosso (Confresa e Colider) e uma no exterior, no Paraguai. Para o início de 2009 está previsto o início de Pontes e Lacerda, também no Mato Grosso e Pires do Rio, em Goiás.
As novas unidades, muitas além destas citadas, precisam continuar a receber investimentos para ampliações, construções, manutenções. O diretor menciona até a aquisição de novas plantas, tudo dependendo dos desenrolar da situação econômica dos próximos meses.
As 14 plantas de abate e desossa, 3 curtumes, 3 fábricas de charque e 5 módulos de produção de biodiesel permitiram ao Independência faturar quase R$ 1,5 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, porém a empresa registrou no mesmo período um prejuízo de R$ 177,3 milhões. Resultados divulgados pela Valor Econômico.
Fonte: Luciano Silveira / Jornal O Parlamento

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