sábado, 6 de dezembro de 2008

Equipe da REDE TV registra BO após serem aprisionados e agredidos por empresário de Confresa MT


Uma equipe de reportagem da REDE TV de Confresa, distante 1.200 quilômetros de Cuiabá, foi agredida pelo proprietário de uma empresa que também trabalha na imprensa local. O objetivo do proprietário era que eles entregassem o equipamento de gravação onde estava uma fita contendo declarações da diretora de jornalismo, feitas minutos antes.

Segundo o Boletim de Ocorrências registrado na Delegacia de Confresa, a equipe de TV teria ido até aquele escritório fazer uma matéria sobre um assunto que repercutiu muito na cidade, quando o jornal da rádio comunitária que é feito por esta empresa, cortou o microfone do Prefeito de Confresa durante uma entrevista ao vivo dentro do estúdio.

A equipe de televisão, teria sido convidada a entrar no escritório para ouvir a versão da empresa e da apresentadora envolvida no caso. Segundo Pedro Henrique, o câmera da REDE TV que foi agredido, no final das declarações, a apresentadora teria exigido que fosse devolvido o material gravado pela equipe sob a alegação de não querer a divulgação do material. Ao negar a entrega, a equipe foi trancada na sala que só foi aberta quando o proprietário da empresa chegou e retirou à força os equipamentos da equipe que conseguiu fugir e imediatamente procurou a polícia civil para que recuperasse o equipamento subtraído.

Pedro Henrique concedeu entrevista às rádios e a imprensa narrando que foi agredido por pelo menos três homens além de outros que puxavam o equipamento de suas mãos, e que em um determinado soltou a câmera para poder escapar dos socos e ponta-pés e da sala onde havia ficado trancado.

A empresa de jornalismo alega que nenhuma das acusações da equipe da TV Araguaia é verdadeira, por telefone um dos acusados no Boletim de Ocorrências, alega que Pedro Henrique apenas esqueceu a câmera e que em nenhum momento esteve trancado no escritório. Também alega que não agrediu Pedro Henrique e que a fita que sumiu de dentro da Câmera subtraída da equipe não foi retirada por eles e também que não sabe como uma fita igual, com imagens, na qual ele aparece fazendo entrevista foi encontrada pelo delegado dentro da câmera recuperada.

O Delegado de Polícia de Confresa, Dr. Álvaro Leite Pinto Pimentel, que foi junto buscar a câmera para dar segurança à equipe da REDE TV, disse que a diretora da empresa já tinha ligado para a delegacia pedindo providências para que a fita fosse recuperada. Por telefone mesmo Dr. Álvaro muito bem lhe explicou o que qualquer profissional da área de jornalismo já deveria saber: “A liberdade de imprensa é um dos maiores valores em nosso estado democrático de direito e que é mais do que natural que a imprensa desagrade a um ou outro que se veja personagem de uma matéria de cunho crítico”. Ainda assim, que a reportagem buscava a versão deles para os da matéria em questão, portanto, somente haveria declarações deles sobre o assunto.

A polícia deu início ao inquérito e tem até 30 dias para concluí-lo. Deverão ser ouvidos todos os que presenciaram as agressões, inclusive o Prefeito de Confresa, Mauro Sergio Pereira de Assis, para quem a equipe ligou pedindo socorro e que estava no telefone no momento em que as agressões começaram e pôde ouvir tudo até o aparelho ter caído no chão.

A polêmica – A atitude de cortar o microfone do prefeito durante a entrevista na radio comunitária foi o fato que gerou toda a polêmica na cidade, principalmente entre as outras rádios. Tanto que, no dia seguinte, foi montada uma cadeia de rádio para transmitir, ao vivo, um programa conjunto, com a participação do Prefeito, onde os diretores e presidentes das rádios condenaram a atitude antidemocrática e de censura, justamente numa rádio comunitária, que por principio deve atender à comunidade, muito mais ainda quando se trata de um programa jornalístico que deve primar pela transparência e pelo direito das partes envolvidas serem ouvidas.

Isso aconteceu quando o prefeito chegou à rádio, de surpresa, no momento em que o programa jornalístico acusava a prefeitura de não ter apoiado a campanha de vacinação contra a raiva. Mauro Sérgio pediu para ser ouvido, mas no decorrer da entrevista os assuntos foram se distanciando da pauta e acabaram abordando assuntos pessoais da jornalista que cobrava, ao vivo, o pagamento dos empenhos que estavam para ser pagos pela prefeitura. A discussão seguiu até o momento em que a apresentadora ordenou que fosse cortado o microfone do prefeito e dando prosseguimento às suas falas.

A maior crítica sofrida pela rádio sobre o assunto foi justamente permitir a conduta da apresentadora em levar assuntos pessoais ao ar, numa rádio comunitária, utilizando-se do poder de imprensa para coagir a autoridade maior do município, o Prefeito Mauro Sérgio Pereira de Assis.

Fonte: Luciano Silveira / Jornal O Parlamento

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