sábado, 6 de dezembro de 2008

Droga refinada: 340 Kg

PF faz a segunda maior apreensão de cocaína do ano em MT, transportada por traficante reincidente, em VG


Segundo delegado, ainda é cedo para falar em quadrilha. Porém, pacotes apresentavam marca e ‘refino diferenciado’

RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário

A Polícia Federal realizou ontem sua segunda maior apreensão de cocaína do ano, em Mato Grosso. No início da tarde, uma carreta vinda de Tangará da Serra passava pelo Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, quando foi abordada por agentes federais, levando quase 340 quilos da droga em tabletes por cima de uma carga de amendoim. Élio Marta da Silva, de 43 anos, conduzia a carreta para a região Sudeste e foi preso em flagrante.

O delegado Ciro Tadeu Morais, da Delegacia de Repressão aos Entorpecentes da PF, lembra que a maior apreensão de 2008 foi em julho. Na ocasião, três caminhões carregavam mais de uma tonelada de cocaína. Somente este ano, PF e Polícia Rodoviária Federal acumulam aproximadamente 4,5 toneladas de drogas apreendidas no Estado. Em volume, a PF realizou os maiores “achados”.

Élio é reincidente: em junho de 2006, foi pego após sair do município de Cáceres (a 225 quilômetros de Cuiabá) carregando 115 quilos da mesma droga no tanque de combustível de um caminhão. Ele havia sido condenado à prisão em regime semi-aberto. Porém, segundo Morais, já era sabido que o motorista não estava mais cumprindo sua pena e continuava envolvido com o tráfico de drogas.

De acordo com informantes, Élio foi visto trabalhando com uma carreta Volvo para transporte de grãos, com placas de Várzea Grande e no nome de um terceiro. O veículo foi visto em Campo Novo do Parecis (396 quilômetros da Capital) realizando o carregamento de amendoim. Supõe-se que a droga foi carregada após a passagem pelo município.

Na manhã de ontem, a carreta foi vista em Tangará da Serra (239 quilômetros da Capital), de onde partiria para Cuiabá. A PF interceptou o veículo, que parou em Jangada (a 80 quilômetros) no horário do almoço, e aguardou para abordá-lo no Trevo do Lagarto, em Várzea Grande.

Élio ficou calado durante o interrogatório na Superintendência da PF em Cuiabá. Ele foi encaminhado para a Penitenciária Central do Estado (antigo Pascoal Ramos). Além de responder pelo crime de tráfico de entorpecentes, Élio deve ter sua situação agravada, por ter tentado transportar a droga para outro estado da federação. Não há indícios que possam acusá-lo de tráfico internacional, apesar da aparente origem boliviana da carga ilícita. Carreta e carga estão apreendidas. A primeira será liberada caso seja comprovado o não-envolvimento do dono com o tráfico de drogas. Já a carga, lícita (amendoim), apenas aguarda solicitação dos seus receptores em Marília (SP) para ser restituída.

ESQUEMA - Segundo o delegado Ciro Tadeu, “ainda é cedo para falar sobre quadrilha”, uma vez que as investigações estão apenas começando. Porém, a PF afirma que a rota realizada pela droga é incomum, e deve ter sido utilizada para despistar a fiscalização, mais incisiva na fronteira com a Bolívia, onde o tráfico é intenso. Nesta semana, a Operação Fratura, da própria PF, dinamitou estradas clandestinas abertas na fronteira para servirem ao tráfico de drogas e carros roubados entre Brasil e Bolívia.

Apesar de cínico e debochado no momento do flagrante (chegou a dizer que não ficaria preso por muito tempo), nas palavras do delegado, Élio estava desarmado e colaborou com os agentes federais, revelando a existência dos entorpecentes. Os tabletes possuíam uma logomarca em baixo relevo, cuja figura se parece com a de um índio. Esta identificação é comum para alguns cartéis. A qualidade da droga chamou a atenção dos policiais pela cor e pelo cheiro. De acordo com a perícia preliminar, trata-se de um “refino diferenciado”.

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