Médicos de Confresa fazem GREVE e pedem demissão
O atendimento do Hospital de Confresa está totalmente paralisado. Um movimento dos médicos contratados e efetivos faz paralisação já há dois dias e chega agora a uma situação extrema. O corpo médico do Hospital está pedindo demissão em massa, ou seja, todos os médicos do município estão deixando suas funções no Hospital Municipal.
Segundo o médico anestesista Raul Baren Filho, nenhum profissional médico quer se responsabilizar pelos atendimentos deficientes que estão sendo feitos naquele hospital, a falta de produtos é crônica e não consegue ser regularizada há muitos meses. “De material de limpeza básico a material especifico para atendimentos cirúrgicos, tudo está deficitário, muitas vezes os produtos tem que ser adquiridos pelos próprios pacientes nas farmácias do município, ou quando são pessoas encaminhadas de outras cidades os produtos necessários já vem na forma de kit, enviados pelas outras prefeituras”, declarou o anestesista. “Nós estamos trazendo produtos de limpeza de nossas casas para amenizar o mau-cheiro e tentar evitar uma tragédia de infecção hospitalar, mas produtos de uso residencial não são adequados”, complementa.
Outro médico ouvido disse que a questão salarial também é outro fator que pesa no pedido de demissão dos médicos. Segundo Dr. Ronnio, o atraso dos salários vem acontecendo sistematicamente neste final de mandato. A questão se complicou agora que a prefeitura descumpriu dos acordos de pagamentos dos atrasados, uma parte no dia 10 de Dezembro e outra no dia 20. “Diante do não pagamento dos salários de meses anteriores, os médicos não tem alternativa, a não ser, afastarem-se do hospital, e a única maneira disso acontecer é através do pedido de demissão e da busca, através de ações legais, contra a prefeitura, o que já vem sendo preparada desde o dia 10, quando não foi cumprido a primeira parte do acordo.
Outros médicos também se manifestaram pelo movimento demissionário, alguns, mesmo em viagem apóiam a atitude dos colegas.
Relatos de funcionários do hospital mostram a total falta de condições de funcionamento, falta de alimentação para os pacientes e funcionários também é agravante ao quadro caótico. “Hoje teremos apenas arroz, feijão e um tomatinho para servir no hospital”, disse uma funcionária que pediu para não ser identificada.
A falta de recursos para a saúde é o único fator para que tudo isso esteja acontecendo. Como disse o próprio prefeito de Confresa, “a situação não é uma particularidade do município, em outras cidades ainda maiores de Mato Grosso a mesma coisa vem ocorrendo. Em algumas os hospitais foram totalmente fechados, deixando a população sem atendimento”.
Para o prefeito, a situação só poderá ser revertida quando as pactuações forem rediscutidas e não recaiam sobre um único município as incumbências que deveriam ser do Estado. “Passou da hora do Governo Estadual colocar um Hospital Regional administrado pelo próprio estado. Confresa não tem como arcar com o tratamento médico de toda a região. A administração foi tampando os buracos e cobrindo os furos financeiros de um mês com recursos do próximo e agora, no final do mandato, não tem próximo mês, ficou descoberto”.
Fonte: Luciano Silveira / Jornal O Parlamento

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