Confira as dez principais notícias do dia 7 de maio
Por Juliano Machado às 10h49
AGUA BOA NEWS
1. Nova poupança: investidor pode decidir se fica ou não
O governo está preparando as mudanças na forma de rendimento das cadernetas de poupança para junho, mas deve permitir ao investidor decidir se permanece ou não com essa aplicação caso as novas regras não o beneficiem, informa a manchete do Globo (íntegra para assinantes). Pela proposta de Medida Provisória, que ainda não foi fechada, quem tem caderneta poderá ficar com o dinheiro corrigido pela TR mais 0,5% de juros (como é hoje) pelo menos até o primeiro aniversário seguinte. “Por exemplo: se a nova regra sair dia 15 e o aniversário da poupança for dia 20, o aplicador terá correção integral pela norma antiga até dia 20″, diz a reportagem.
2. Brasil atrai “famintos por rendimento”, diz FT
Uma reportagem do diário britânico Financial Times, publicada nesta quinta-feira, sugere que o atual movimento de alta das ações brasileiras está sendo puxado pela “fome” de investidores estrangeiros por rendimentos maiores num cenário em que as taxas de juros dos países desenvolvidos estão próximas de zero. O jornal lembra que, entre junho do ano passado e janeiro último, os aplicadores estrangeiros retiraram da Bovespa o equivalente a R$ 26 bilhões. Desde o início do ano, a tendência se inverteu, e R$ 5,7 bilhões foram realocados.
3. Devo à Receita, não nego e não pago
Os programas de parcelamento de impostos atrasados são úteis para a Receita? A considerar os números obtidos pela Folha (para assinantes) sobre essa modalidade, não. Num documento entregue por técnicos da Receita a parlamentares que discutem mais um programa desse tipo, consta que 85% dos contribuintes que aderiram ao Refis de 2000, “o primeiro e mais generoso desses programas”, foram excluídos, principalmente por simples falta de pagamento. Sem contar que quase 152 mil empresas e pessoas físicas saltam de um parcelamento para outro, aproveitando novos benefícios sem quitar a dívida. No relatório, os técnicos são bem claros sobre o que acham disso: “Podemos constatar que esses programas têm sido prejudiciais para a administração tributária. São péssimos exemplos para os contribuintes que cumprem suas obrigações e pagam pontualmente seus impostos.”
Política
4. Políticos e mortos no cadastro do Bolsa-Família
O governo federal costuma se gabar da amplitude do Bolsa-Família. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) descobriu que o programa de distribuição de renda atende mesmo a um leque bem amplo: há benefícios para 3.791 pessoas que já morreram e para 577 políticos. Sobre os mortos, todos apareciam como únicos membros de suas famílias - ou seja, não haveria espaço para o argumento de que o benefício poderia ser mantido para os dependentes. Quanto aos políticos, O Globo lembra que, “desde março de 2008, decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva proíbe que políticos eleitos em qualquer esfera de governo recebam recursos do Bolsa-Família” - como se fosse preciso um decreto para regulamentar esse tipo de coisa.
5. Deputado diz que se “lixa” para a opinião pública
O deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS), membro do Conselho de Ética da Câmara, mostrou ontem por que a imagem do Congresso só afunda. Moraes é relator do processo de quebra de decoro parlamentar contra o colega Edmar Moreira (sem partido-MG), aquele do castelinho, e diz não ver razão em condená-lo, como informa o Estadão. Ao justificar por que não teme a má repercussão de uma absolvição prévia, o deputado gaúcho saiu-se com esta frase, dirigida a jornalistas: “Estou me lixando para a opinião pública. Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege.” Este é o problema: os que reelegem pessoas com esse tipo de caráter. Moraes já foi até presidente do conselho e teve sete mandatos em sua carreira política. Não é hora de os eleitores se lixarem para ele?
Diplomacia
6. Lugo chega a Brasília trazendo o “abacaxi” de Itaipu
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, se reúne hoje com Lula para tratar das negociações a respeito da usina de Itaipu, um tema sobre o qual o governo paraguaio só tem nos trazido complicações. O Brasil já ofereceu ao vizinho, como relata a BBC Brasil, linhas de financiamento de US$ 1,5 bilhão para obras de infraestrutura e um aumento no valor pago pela energia excedente da hidrelétrica, que resultaria num adicional de US$ 110 milhões à receita paraguaia. Mas Lugo não concordou com nada até agora. Ele quer um reajuste maior e, principalmente, a revisão da dívida paraguaia decorrente da construção da usina, atualmente estimada em US$ 19 bilhões. A chancelaria brasileira já deu sinais de irritação com a inflexibilidade do Paraguai. É a hora de Lula tentar articular uma solução que agrade aos dois lados.
Sociedade
7. Moradores do Piauí se armam contra saques pós-enchentes
Numa situação parecida com o que ocorreu em Santa Catarina no ano passado, moradores de Teresina estão se revezando em rondas noturnas com botes para evitar que suas casas, inundadas, sejam alvo de saqueadores. Sem policiamento, muitos estão se armando, até com pedaços de madeira, para afugentar os ladrões, informa a Folha (para assinantes). O Piauí é um dos Estados mais atingidos pelas chuvas que caíram sobre as regiões Norte e Nordeste. Na capital, pelo menos 2,5 mil famílias estão desalojadas e os 180 mil estudantes da rede pública seguem sem aulas. A reconstrução da cidade será um processo lento.
Saúde
8. Governo autoriza produção de vacina contra a gripe suína
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou previamente a fabricação, distribuição e venda no Brasil de uma vacina contra a gripe suína. Segundo o Estadão, porém, o governo não pretende investir no desenvolvimento dessa vacina, pois a prioridade é avançar na produção da vacina contra a gripe comum - o país, hoje, é importador desse produto. O Ministério da Saúde deve, por enquanto, comprar a vacina da nova gripe de fornecedores estrangeiros, caso haja oferta suficiente. A Anvisa liberou também, para laboratórios do Rio e de São Paulo, os primeiros kits de diagnóstico da influenza suína. Os resultados devem sair em 72 horas, a partir do início das análises.
Mídia
9. Qual é o real alcance do novo Kindle?
Foi lançado ontem, pela Amazon, o novo Kindle DX, um aparelho portátil que permite a leitura de jornais em versão eletrônica. Alguns estudiosos do mercado jornalístico acreditam que esse equipamento poderá acelerar a tão anunciada morte dos periódicos de papel. O The New York Times informa que vai, junto com o The Boston Globe e o The Washington Post, oferecer uma assinatura no Kindle a preços mais baixos que a convencional, mas por enquanto só para leitores de locais em que a edição impressa não é vendida. E a Amazon vai vender assinaturas de 37 jornais por cerca de US$ 10 por mês. Mas vale lembrar que o aparelho sai com preço de US$ 489 nos Estados Unidos, um valor não muito convidativo para quem está acostumado a não gastar nada para ler os jornais na internet. A luta Kindle versus Papel está só começando.
Futebol
10. Cadastramento de torcedores é excluído de projeto
Anunciada com entusiasmo pelo Ministério do Esporte, a ideia de cadastrar todos os torcedores do país foi retirada do projeto de segurança em estádios de futebol, aprovado ontem pela Câmara. A proposta não contava com o apoio do Clube dos 13 (que reúne as grandes agremiações), dos partidos de oposição e até mesmo de alguns parlamentares da base aliada. Foram mantidas, no texto do projeto, as punições por tumultos e porte de pedras e paus, que podem resultar na perda do direito de assistir a partidas por até três anos. A Folha (para assinantes) diz que o ministro do Esporte, Orlando Silva, ainda não desistiu do cadastramento e pretende discutir sua adoção em acordo direto com os clubes, sem necessidade de lei. “Os dirigentes com os quais conversei não se mostraram contra. Só entidades de classe”, afirma. Mas parece uma ideia fadada ao esquecimento, dada a sua complexidade.

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