quinta-feira, 28 de maio de 2009

Para Anistia Internacional, mulheres brasileiras continuam sofrendo violências e abusos

*Por Maíra Kubík Mano

França – Estou em Paris, mas o assunto desse post é o Brasil. Em seu relatório de direitos humanos divulgado hoje, a Anistia Internacional traz novos dados sobre a violência contra as mulheres no país. O estudo concluiu que “as mulheres continuaram a passar por violências e abusos”.

A situação nos morros e subúrbios cariocas foi um dos focos do trabalho. Segundo a Anistia Internacional, “mulheres que vivem nas comunidades dominadas por gangues ou por milícias tiveram de enfrentar esses abusos com poucas chances de qualquer reparação”.

O relatório cita um exemplo retirado de estudo sobre as milícias realizado pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LAV/UERJ), que descreveu o tratamento recebido por uma mulher acusada de infidelidade em Bangu, uma comunidade dominada por milícias: “ela foi despida em frente a sua casa, teve a cabeça raspada e foi forçada a andar nua pela favela”.

Outro dado significativo é o crescimento do número de mulheres em prisões: nos últimos oito anos, a população carcerária feminina aumentou 77%, de acordo com o Depen (Departamento Penitenciário Nacional). “E as mulheres detentas continuaram a enfrentar maus-tratos, superlotação, serviços inadequados durante o parto e falta de condições para cuidar das crianças”, aponta a Anistia Internacional.

Apesar de importante, o estudo está longe de ser animador. Trata-se de um diagnóstico nu e cru da sociedade brasileira, onde a cada 15 segundos uma mulher sofre algum tipo de violência.

*Maíra Kubík Mano é jornalista. Mestranda em Ciência Política na PUC - SP, estuda a relação entre a mídia e as mulheres. Foi editora-assistente da revista História Viva e já colaborou com diversas publicações. Atualmente é editora-assistente do jornal Le Monde Diplomatique Brasil

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