domingo, 5 de julho de 2009

LUGAR PARA SE VIVER (E PARA SE MORRER)

Sexta-feira, 03 de julho de 2009
*Por Cristiano Dalcin - Edição e pulicação de Kassu







Nunca esqueci de uma cena da novela Pantanal, da extinta TV Manchete. Pai e filho observavam as terras recém compradas no Mato Grosso, no início da década de 60. O pai dizia: "É um bom lugar para se viver". O filho mirava o horizonte e completava: "Para se morrer também". "Ah, para se morrer qualquer lugar serve", concluía o pai, encerrando a conversa.

Concordo com o pai. Qualquer lugar serve para encerrar a vida. O que a gente precisa é de bons lugares para viver. Eu nasci em cidade pequena, onde todo mundo se conhece. Não seria capaz de enfrentar todo dia o trânsito caótico de São Paulo. Nem a violência tão falada do Rio. Pode até serem lugares bons para quem sempre viveu lá. Não para mim.

Após dois dias na serra gaúcha, fico ainda mais apaixonado por esta região. Gramado é quase uma cidade cenográfica. É sério. Não parece real. As ruas do centro não têm mais os fios de energia presos aos postes. É tudo subterrâneo. E só olhando a gente consegue entender o quanto isto faz bem. Até para os olhos. As cidades vizinhas se parecem na tranquilidade e no respeito. São cercadas por matas e cachoeiras. Os motoristas param na baixa de segurança. O cinema não fica no shopping, mas na rua. E o filme em cartaz não é um refugo da cidade grande. Está passando A Era do Gelo 3, lançamento nacional desta semana. O lugar é calmo, sem ter a pasmaceira do interior. Por causa do turismo, há gente nova todo dia. O prezado leitor já ouviu falar da gastronomia local? Já caminhou em uma manhã de sol ao redor do Lago Negro? Já respirou o ar na Cascata do Caracol? Pode até ser que este seja um bom lugar para encerrar a vida. Mas, certamente, deve ser muito melhor viver aqui.

*Cristiano Dalcin é repórter do Canal Rural

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