sábado, 26 de setembro de 2009

Veja: atirador de elite mata assaltante com tiro certeiro no Rio de Janeiro

Por Globo
Publicado por Kassu - 26/09/2009 às 08h54



Um assalto com refém na Zona Norte do Rio de Janeiro terminou com a libertação da vítima e a morte do bandido. A equipe do Jornal Hoje acompanhou toda a negociação da polícia.

A comerciante Ana Cristina Garrido, que foi feita refém durante um assalto na Tijuca, Zona Norte do Rio, na sexta-feira (25), contou, na manhã deste sábado (26), detalhes dos momentos de angústia que passou nas mãos do assaltante.

Apesar do apoio da família, Ana Cristina ainda não se refez do susto: "Fiquei muito abalada com isso, não conseguia nem dormir direito, as pessoas ligando toda hora para saber como que foi, eu não conseguia nem falar com ninguém. Eu tentei, tomei calmante para dormir, só queria mesmo ficar com a minha família".

No fim da manhã, a comerciante recebeu a visita do Major Busnello, policial que deu o tiro certeiro no bandido: "Eu me sinto muito honrada em tê-lo aqui na minha casa, para poder agradecê-lo pessoalmente, porque graças a Deus e a ele estou aqui junto com a minha família", desabafou Ana Cristina.

Ela afirmou que foram momentos de desespero: "Ele só falava que ia explodir tudo, que ele só queria um carro para fugir, um táxi, uma ambulância, qualquer coisa, que ele ia me levar junto e só ia me soltar na comunidade".

O marido de Ana Cristina estava falando com a filha no celular, quando chegou na farmácia, no momento em que o policial atirou no criminoso: "Foram frações de segundos que eu não desejo passar nunca mais na minha vida, não desejo que ninguém passe".

Ana Cristina ainda vai descansar mais alguns dias antes de voltar ao trabalho e, por enquanto, a filha é quem vai cuidar dos negócios. Apesar do susto, a família disse que não pretende deixa o Rio: "Não tenho como deixar o Rio, porque a nossa vida é aqui".

Assaltante identificado
O assaltante foi identificado como Sérgio Ferreira Pinto Júnior, de 24 anos. De acordo com a delegacia que investiga o caso, 20ª DP (Vila Isabel), ele tinha duas passagens pela polícia.

A delegada Renata Rocha informou que as duas passagens foram de 2005 e 2008, por porte ilegal de armas e furto respectivamente. Ela disse ainda que a identificação só foi possível porque o Instituto Félix Pacheco (IFP) tirou as impressões digitais e fez uma pesquisa.

O homem foi morto com um tiro quando fazia Ana Cristina de refém, do lado de fora da farmácia. O momento exato em que um policial atirou, do último andar de um prédio, no assaltante foi flagrado por um cinegrafista da TV Globo.

A refém se abaixa várias vezes, passando mal e demonstrando muito nervosismo. Os policias tentavam negociar, mas o assaltante tirou o pino da granada por duas vezes.

O atirador da polícia aproveita o momento em que a refém se abaixa completamente, mas ainda entre os braços do assaltante, e dispara o tiro de fuzil na cabeça do criminoso, que morreu.

"O objetivo era sair com ele preso, mas como ele queria sair dali, ele começou a se demonstrar cada vez mais agressivo. Ele tirou o pino da granada a primeira vez, na segunda vez que ele ameaçou efetuar o lançamento da granada – e como é uma granada de guerra, a vitima e ele seriam atingidos – nós decidimos por neutralizar, que é da negociação tática", afirmou o comandante do 6º BPM (Tijuca), tenente-coronel Fernando Príncipe, argumentando o uso do atirador de elite.

O ‘caveira’ atirador: ‘Não foi a ocorrência mais difícil da minha vida, apenas fui preciso'

Rio - Especialista em tiros de precisão, o major João Jaques Busnello, 39 anos, acredita que um bom atirador deve treinar sempre. No último fim de semana, ele e o major Maycon, que o acompanhou na ação de ontem, estiveram no estande de tiro de Gericinó, Zona Oeste, para ‘calibrar’ os fuzis, onde fizeram mais de 400 disparos. “Estamos sempre preparados para isso”, diz. “Não foi a ocorrência mais difícil da minha vida, apenas fui preciso”, atesta.

Com 16 anos de Polícia Militar, Busnello nasceu em Iraí, cidade do interior do Rio Grande do Sul, onde seus pais trabalhavam como lavradores. Chegou ao Rio aos 14 anos, com o objetivo de largar as enxadas para sempre: “Estudei, me formei, e adoro o que faço: trabalhar na PM”.

Ao ingressar na corporação, em 1993, Busnello traçou uma meta: fazer parte da elite da PM. De 2002 a 2007, serviu no Batalhão de Operações Especiais (Bope), onde tornou-se um ‘caveira’, grupo de policiais que passa pelo rigoroso Curso de Operações Especiais (COE). Atirador de elite, passou a chefiar o grupamento de tiros de precisão. “Sem dúvida, é preciso muita frieza e concentração”, revela.

No tiro de ontem, Busnello usou um fuzil brasileiro parafal 7.62mm, com luneta telescópica. O mesmo que levou a Gericinó semana passada. Em 2007, o oficial pediu para deixar o Bope, após desentendimento com outro oficial. Busnello integrava o grupo de policiais contrário ao filme ‘Tropa de Elite’, sobre o batalhão. Ele passou a chefiar o Serviço Reservado do 5º BPM (Praça da Harmonia), comandado por outro ‘caveira’, coronel Edval Camelo.

O major esteve à frente do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe), onde foi acusado de lesão corporal dolosa, em maio. Ele teria tentado facilitar a entrada de pessoas sem ingresso e agredido um funcionário da Suderj. “Fui vítima desse caso, mas infelizmente a mídia não me procurou e revelou apenas a decisão do juiz”, lamentou. Leitor voraz, Busnello terminou de ler ‘O Povo Brasileiro’, de Darcy Ribeiro. “Somos miscigenados e esse sistema de cotas quer nos segregar, separar”, opinou. Casado, pai de um filho, Busnello não tem religião: “Acredito em Deus, temo os homens”.

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