quarta-feira, 31 de março de 2010

Resgate histórico

Mato Grosso ainda não aprendeu a cultuar a memória de seus vultos políticos e históricos. A exceção das cidades mais antigas, que com seus nomes rendem homenagens a ex-governadores, não há reverência pública aos homens que participaram ativamente da construção deste estado. A única exceção não é oficialmente reconhecida, porque surgiu por linhas sinuosas denominando de Campos de Júlio um município que surgiu no Chapadão do Parecis, sendo que esse nome com a inversão de suas palavras significa Júlio Campos, ex-governador mato-grossense.

Ontem, em seu último dia de mandato o governador Blairo Maggi rendeu homenagem a um de seus antecessores, José Garcia Neto, recentemente falecido em Cuiabá, dando o nome de Garcia Neto ao local de reuniões do Palácio Paiaguás.

Tomara que o gesto de Blairo na esfera administrativa da sede do governo inspire a Assembleia Legislativa a cultuar a memória dos grandes vultos mato-grossenses, que nas últimas décadas são mantidos na galeria do esquecimento, salvo pequenas homenagens póstumas recebidas pelo ex-senador Jonas Pinheiro da Silva e o ex-governador Dante Martins de Oliveira.

Em alguns cenários Mato Grosso mais parece extensão de estados sulistas e do sudeste, pois são muitas as cidades mato-grossenses que aos seus nomes acrescentaram os termos “do Norte”, “D’Oeste”, “Nova” ou “Novo”. Mesmo com todo o respeito que se deve aos locais de origens dos brasileiros e estrangeiros que optaram por viver aqui, é preciso rever a questão dos nomes de vários municípios.

Não é justo que Mato Grosso não tenha cidades com os nomes de Dante de Oliveira, Norberto Schwantes, Irmã Adelis, Ariosto da Riva, Ênio Pipino, Valdon Varjão, Zé Paraná, Archimedes Pereira Lima, Vicente Vuolo, Otávio Pitaluga.

Chega de importar nomes para denominar municípios, rodovias, pontes e escolas. Mato Grosso tem que cristalizar a cultura da valorização de seus vultos, porque uma terra sem memória é uma terra insossa e desfigurada social e politicamente.

Longe de desmerecer Mário Covas e Sérgio Motta, pois ambos foram vultos de dimensão nacional, mas ao invés de homenageá-los respectivamente com o nome da termelétrica de Cuiabá e da ponte mais nova que liga a Capital a Várzea Grande, o Poder Público deveria optar por figuras locais para receber tão importantes homenagens.

Que a Sala de Reunião Governador Garcia Neto seja a primeira de uma série de homenagens aos nossos grandes vultos regionais. Mato Grosso precisa avançar sempre, conquistar espaços, melhorar a qualidade de vida de sua população e reduzir os desníveis sociais para que possa ocupar o lugar que seu potencial de produção lhe reserva no contexto federativo. Mas, para tanto, primeiramente terá que se identificar com suas origens, sem as quais jamais terá identidade.

Chega de importar nomes para denominar municípios, rodovias, pontes e escola.
Fonte: Editorial / Diário

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