domingo, 23 de maio de 2010

Sangue e exploração marcaram primeiras expedições pela Amazônia

Desbravadores estrangeiros chegaram à região no século 15.
Neste domingo (23), Globo News refaz caminho de viajantes alemães.

Renata Gimenes Do Globo Amazônia / Edição e publicação - Kassu em 23/05 às 18h57

Estátua de Pedro Teixeira em cidade de Portugal.                 (Foto: Flickr Creative Commons)

Estátua de Pedro Teixeira em cidade dePortugal. (Foto: Flickr Creative Commons)

Não existem registros precisos, segundo especialistas, sobre a chegada do primeiro explorador estrangeiro na Amazônia. Mas historiadores de universidades no Pará e no Amazonas explicam que as primeiras expedições percorreram a região já no final do século 15. Nas décadas seguintes, até meados do século 17, espanhóis e portugueses navegaram pela floresta.


Neste domingo (23), às 23h, o Globo News relembra a história de dois exploradores que caminharam por território amazônico há mais de 200 anos. Os cientistas alemães Von Martius e Spix entraram no coração da selva em busca de dados para suas pesquisas. Anotaram cada novidade pelo caminho, redescoberto agora pela equipe de reportagem.

Antes deles, diversos viajantes se aventuraram na tentativa de mensurar a floresta, então desconhecida. Segundo Rafael Chambouleyron, professor da Universidade Federal do Pará (Ufpa), o registro histórico mais antigo de que se tem notícia é sobre a viagem de Vicente Iñanez Pinzón. Já em fevereiro de 1500, o navegador espanhol esteve na embocadura do Amazonas e apelidou o rio de "mar dulce".

Pinzón humilhou e aprisionou mais de 30 indígenas em sua expedição, de acordo com Chabouleyron. Um traço cruel que marcou o comportamento de todos os exploradores da Amazônia no período colonial, segundo Auxiliomar da Silva Ugarte, professor de história amazônica da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

No século 16, por volta de 1540, outra expedição espanhola vinda dos Andes adentrou os rios Coari e Pelé, que hoje fazem parte do estado do Amazonas, mas na época estavam fora do território brasileiro. A viagem, também marcada pelo derramamento de sangue dos habitantes originais, foi liderada por Diogo Nunes.

Mas a mais conhecida viagem de exploração da Amazônia colonial começa em 1541, quando o espanhol Francisco de Orellana levantou âncoras nas proximidades dos Rios Coca e Napo, que margeiam o Equador, e rumou pelo Amazonas, encontrando diversos povoados indígenas.

Foto: Ximenéx/ Wikimedia Commons

Busto de Francisco de Orellana em Trujillo, na Espanha. (Foto: Ximenéx/ Wikimedia Commons)

"Ele e sua comitiva tinham a intenção de achar metais preciosos, mas encontraram povoados imensos", explica Ugarte. Pelo caminho, a expedição de Orellana encontrou comunidades tão grandes que pareciam cidades, lembra o relato de Frei Gaspar de Carvajal, que narrou a viagem em cartas ao império.

A lembrança mais evidente desta viagem é o nome pelo qual hoje é conhecido o Rio Amazonas. Segundo Ugarte, este era o nome dado às guerreiras indígenas que lutaram contra os homens de Orellana. "Eram as mulheres que comandavam os homens. Trata-se de uma homenagem às famosas Amazonas da mitologia grega", explica Ugarte.

No século 17, outra famosa expedição liderada por Pedro Teixeira percorreu o Amazonas. Militar português, o viajante passou mais de dois anos na região ao lado de milhares de homens. É a mais longa viagem de exploração que se conhece na Amazônia.

Segundo historiadores, a aventura de Pedro Teixeira foi determinante para a colonização portuguesa na floresta. De 1637 a 1639, o militar viajou com o propósito de conquistar novas terras, a pedido da coroa portuguesa. Sua expedição teve início no povoado de Cametá (hoje estado do Pará) e atravessou o Amazonas até chegar a Quito, no Equador.

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