domingo, 30 de janeiro de 2011

SOJA - Opção é pela convencional

A soja convencional, considerada mais saudável ao consumo humano, volta a despertar o interesse dos produtores de MT


O produtor está fazendo as contas e chegando à conclusão de que trabalhar com OGMs hoje não representa nenhuma vantagem
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem Diário de Cuiabá

Vedete das últimas safras, os transgênicos ou OGMS (Organismos Geneticamente Modificados) continuam expandindo sua área em Mato Grosso. Hoje, a soja transgênica já responde por cerca de 60% de toda a área destinada ao plantio da oleaginosa. Mas, em um ritmo mais veloz do que muitos podem imaginar, a soja convencional – produzida sem a tecnologia roundup ready e considerada mais saudável ao consumo humano – volta a despertar o interesse e a preferência dos produtores mato-grossenses. Motivos para isso não faltam: o custo de produção é praticamente o mesmo e a produtividade é semelhante. No caso das OGMs, a grande vantagem está na facilidade do manejo da lavoura, que dispensa a aplicação de herbicidas para eliminar ervas daninhas. Para a não transgênica ou convencional, a atração está no interesse cada vez maior de europeus, chineses e coreanos pela soja com “menos veneno”, bem como o melhor preço pago ao produtor. Aliada a estas vantagens está a facilidade de escoamento via portos de Itacoatiara (AM) e Santarém (PA), que demandam apenas o transporte de não transgênicos.
“O produtor está fazendo as contas antes de plantar e chegando à conclusão de que trabalhar com OGMs hoje não representa nenhuma vantagem em termos de rentabilidade. Pelo contrário, com a convencional o lucro chega a ser até US$ 16 por hectare. Com os transgênicos o produtor só ganha no manejo”, aponta o agrônomo Naildo Lopes, da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja do Estado).
Para reforçar a tese do agrônomo, as tradings responsáveis pelo escoamento da produção das regiões Oeste e Noroeste de Mato Grosso – a Amaggi e a Cargill – possuem um nicho de mercado bem pontual: o europeu, que via de regra paga mais pela soja convencional. Por conta deste ganho, as tradings evitam comprar produtos OGMs para não misturá-los aos não-transgênicos e evitar a contaminação e o comprometimento de toda a carga.
A via de escoamento, denominada “Corredor de exportação Noroeste”, sai da região do Pareci por caminhão até Porto Velho e vai de balsa até ao porto de Itacoatiara. Os portos de Itacoatiara, da Amaggi, e Santarém (controlado pela Cargill), por exemplo, são exclusivos para o transporte de soja não transgênica. Por isso, quem tem área destinada à soja nas regiões Oeste e Noroeste de Mato Grosso acaba optando pelo plantio de não-transgênicos e vendendo para essas duas empresas.
Segundo entidades produtoras, através desse corredor estão sendo transportados cerca de 3,5 mi milhões de toneladas por safra para atender basicamente o mercado europeu, que tem maior exigência pela soja não transgênica.
“As sementes geneticamente modificadas nunca vão sair da moda, prova disso é que hoje a maior parte dos grãos produzidos no país são oriundas de OGMs. Mas não podemos perder de vista mercados potenciais que demandam o consumo de soja não transgênica, como Europa, China e Coréia”, lembra Lopes.
Segundo ele, o importante é que os produtores tenham “liberdade de escolha” para trabalhar com sementes que eles consideram mais adequadas e que vão lhes proporcionar melhor resultado.
Para os especialistas, o cultivo de soja transgênica depende de três fatores básicos: preço do glifosato, variedades adaptadas à região e produtividade. “Os produtores estão colocando tudo isso na balança”, conta Naildo Lopes.
Mato Grosso ainda é um dos poucos Estados que tem grande área de plantio de soja convencional. No Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, mais de 90% das áreas são de sementes transgênicas.

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