terça-feira, 29 de março de 2011

Frete caro no Brasil faz Nordeste buscar milho na Argentina

Preço final do país vizinho está mais convidativo 

AGÊNCIA ESTADO

Criadores de aves e suínos do Nordeste deram início às negociações para importar milho da Argentina. Com os altos preços do frete no mercado interno, em razão do escoamento da safra de soja, os criadores voltaram a encontrar no país vizinho produto mais barato e em maior quantidade. A última vez em que foram reportadas aquisições expressivas do grão argentino foi na safra 2003/2004, quando a região enfrentou problemas de abastecimento.  

Fontes do mercado informam que na Paraíba os negócios já foram concretizados e compreendem um navio de 20 mil a 30 mil toneladas. No Ceará, a expectativa é que a decisão seja tomada na próxima quinta, dia 31. O presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav), João Jorge Reis, informou que até lá o contrato deve ser fechado. O produto chegaria a Fortaleza por R$ 31 por saca CIF.

Segundo cálculos da Associação, o grão obtido via leilão de Valor de Escoamento do Produto (VEP) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegaria a R$ 42 por saca na última quinta, 31. De acordo com Reis, a dificuldade é reunir recursos para a importação da Argentina, uma vez que é preciso lotar um navio, com, no mínimo, 30 mil toneladas. 

– O preço final está muito convidativo. O produto levaria 30 dias para chegar ao Estado – afirma.. 
A decisão questiona a intervenção da Conab no mercado do grão. Realizados desde janeiro, os leilões de VEP deixaram de atrair progressivamente o interesse dos compradores. Na oferta mais recente, da última quinta, dia 24, apenas 1,9 mil toneladas (3,5%) das 53,2 mil toneladas de Mato Grosso colocadas à venda foram negociadas. Contudo, a companhia segue realizando as ofertas. 

– Trabalhamos com regras que nos são impostas – justifica o analista de mercado da Conab, Thomé Guth.
Os prêmios e os preços são definidos conforme a portaria interministerial 568. Os valores são estabelecidos por uma equação que leva em consideração, entre outros itens, a paridade de importação. Entretanto, com o alto frete pago para escoar o produto internamente, em função do período de escoamento da safra de grãos, o valor não está valendo a pena para os consumidores nordestinos. Guth ainda pondera que, se o custo de logística fosse mais baixo, os compradores do Nordeste buscariam o produto no mercado interno.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) discorda das importações. 

– Isto é anticoncorrencial e terá um impacto negativo para o setor. O mercado vai estar abastecido com produto de fora quando a safrinha chegar – avalia o assessor técnico da comissão de cereais, fibras e oleaginosas, Gustavo Prado,.

Para ele, a situação mostra que os preços praticados pela Conab não estão corretos.

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