sexta-feira, 21 de maio de 2010

Embrapa adapta motor multicombustível

Pesquisador brasileiro aprimora equipamento criado no século XIX e cria alternativa para comunidades sem acesso à energia elétrica

Bruna Bessi, IG São Paulo | 17/05/2010 05:36 - Publicado por Kassu em 21/05 às 09h21

Um motor desenvolvido na Escócia, em 1816, pelo reverendo Robert Stirling pode voltar ao mercado após adaptações da Embrapa. Direcionado ao uso agrícola, o motor multicombustivel representa uma alternativa às comunidades sem acesso à energia elétrica, já que seu custo é menor do que o de motores convencionais e sua manutenção, mais simples. O equipamento, que funciona graças à expansão e contração do ar em função da temperatura, apresenta boa economia de energia e pode ser abastecido com qualquer fonte de energia térmica, como álcool, biodiesel, madeira e carvão, entre outros.

Nesse motor, também chamado Stirling, há a transformação da energia calorífica, gerada pela queima dos combustíveis, em mecânica. Durante o processo ocorre a variação da pressão, proporcionada pela troca de calor entre o ar quente e o frio, que impulsiona o pistão e movimenta o motor. O ar aquecido se expande e aumenta a pressão interna, mas quando passa pela área de refrigeração se contrai e reduz tal pressão.

No equipamento tradicional, o movimento dos pistões gerava atrito e reduzia a durabilidade e rentabilidade do motor. Na adaptação promovida pela Embrapa, houve a redução dos atritos laterais, dos desgastes nos pistões e cilindros e ainda uma diminuição de 99,99% no ruído gerado. A nova articulação utiliza dois pistões de potência, com deslocamento de 450 cilindradas de ar e funciona com temperaturas entre 250 a 600º. “O inimigo desse motor é o atrito, porque gera calor que, presente na área de refrigeração, faz o rendimento cair”, afirma Aldemir Chaim, engenheiro agrícola e pesquisador da nova tecnologia na Embrapa Meio Ambiente.

A tecnologia do Stirling foi deixada em segundo plano em função do aparecimento de motores mais potentes, como os de combustão interna (gasolina, diesel) e os elétricos. Mas o custo da versão moderna desenvolvida pela Embrapa - entre R$ 150 e R$ 1 mil - e a variedade de opções de abastecimento são dois fatores capazes de impulsionar o uso do equipamento no Brasil, o que aumenta a expectativa da Embrapa na busca por parceiros que produzam o motor em larga escala.

Equipamento pode ser usado como gerador elétrico

Segundo o pesquisador Chain, um motor-gerador que produz 1 kW/h pode ser utilizado como gerador elétrico de emergência em residências urbanas, hospitais, no setor agrícola, entre outros. Outra vantagem deste motor é a ausência de manutenção em curto prazo. “Como não utiliza nenhum tipo de lubrificante, já que poderia prejudicar a qualidade do ar no interior do motor, a manutenção é muito reduzida”, diz.

“Há atualmente muita pressão para o uso de energias sustentáveis, cenário em que essa tecnologia pode ser uma opção. Contudo, o motor não apresenta grande eficiência energética e é preciso encontrar nichos de mercado para competir nessas comunidades”, diz Francisco Nigro, pesquisador e professor da Universidade de São Paulo.

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